sexta-feira, 7 de junho de 2013

[Canções que têm dez anos] Dizzee Rascal - Fix Up, Look Sharp


Há um sample que acompanha os mais de 180 segundos de "Fix Up, Look Sharp", a sexta canção de Boy in the Corner, o primeiro e melhor álbum de Dizzee Rascal. A canção samplada é "The Big Beat", a primeira do álbum de estreia dos Billy Squier The Tale of the Tape. Rock de estádio, portanto. Uma sonoridade extremamente datada, mas que o toque de Midas de Dizzee Rascal, na altura um puto que acabava de atingir a maioridade, faz soar cool. 

A certa altura Rascal dispara "being a celebrity don't mean shit to me. Fuck the glitz and glamour". Irónico, o miúdo já não é um miúdo e, dez anos depois, vende-se com colaborações duvidosas com a malta tão sem glamour como Calvin Harris, Jessie J, Tiesto e Robbie Williams. O que ouvimos no final do vídeo, a partir dos 2:51, é a extraordinária "Stop Dat", a segunda faixa de um clássico instantâneo. Saudades.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

[Jukebox de há dez anos] La Chanson Noire


É a primeira "Jukebox de há dez anos" estilo "agora ou nunca". La Chanson Noire, o projecto de Charles Sangnoir, acaba de editar Macumba Stereo, o último álbum de um percurso iniciado em 2007, com Música para os Mortos e continuada em 2012 com Cabaret Portugal. As canções de La Chanson Noire, negras, muito negras, góticas, explicitas, políticas, interventivas, estão reflectidas nas escolhas de Sangnoir. Ainda assim, faz questão de referir que "2003 foi um ano bem fraquinho. 2005 sim, foi uma grande ano para discos" e deixa a promessa: "daqui a dois anos falamos!". 2003, diz-nos ainda, foi o ano que fundou a Necrosymphonic.

Os dez discos mais importantes de 2003 para La Chanson Noire: 

1. Dresden Dolls - The Dresden Dolls


2. Muse - Absolution


3. HIM - Love Metal


4. Mariza - Fado Curvo


5. Killing Joke - Killing Joke


6. Tiger Lillies - The Gorey End


7. Type O Negative - Life is Kiling Me


8. Turbonegro - Scandinavian Leather


9. Lamb - Between Darkness and Wonder


10. Moonspell - Antidote

quarta-feira, 5 de junho de 2013

[Semana 03-06-03] Metallica editam "St. Anger"


Sobre St. Anger já tudo terá sido dito. Sucede o período de reabilitação de James Hetfield, a saída do baixista Jason Newsted, a entrada de Robert Trujillo (ex-Suicidal Tendencies) e o processo judicial com o Napster. É o álbum que cumpre o regresso à agressividade dos anos 80, um álbum que cospe nos anos 90 dos cabelos curtos e das mediocridades hard rock. 

É claramente um álbum de ruptura, o único diferente de todos os outros - descartemos, claro, o mais recente Lulu (quem?). St. Anger é claramente o disco dos Metallica que não pode ser comparado com nenhum outro - longo, rápido, repetitivo, desprovido de solos, brutal. São os Metallica a lutar contra si mesmos, a provarem que ainda é possível fazer vida com isto de ser a maior banda de metal do mundo. Os estádios cheios continuam a dar-lhes razão.




terça-feira, 4 de junho de 2013

[Jukebox de há dez anos] Expeão


Isto de um músico com raízes no hip hop se aventurar nas lides do rock é sempre um risco. Oiça-se (ou não!), por exemplo, Rebirth, a espezinhada aventura rock de Lil Wayne. Wayne fê-lo pelas razões erradas, para mostrar que o conseguia fazer, mesmo que daí tenha resultado alguma da pior poluição sonora dos últimos cem anos. Expeão, que apresenta O Fim de Todas as Estradas já no dia 7 de Junho, no Musicbox Lisboa, fá-lo pelas razões certas, porque sim, porque é um melómano e, como tal, capta as mais variadas influências - algo que surge bem reflectido na lista que para nós fabricou. Em 2003, os Dealema estreavam-se, mas já não eram uns novatos há, mais coisa, menos coisa, dez anos. 

Os dez discos mais importantes de 2003 para Expeão: 

 Tomahawk - Mit Gas


Um álbum incrível de uma das bandas de rock mais originais e pesadas de sempre.

Jaylib - Champion Sound


Para mim, um clássico do hip hop mais alternativo, com músicas incríveis como "The Red". Obrigatório.

Diamanda Galás - La Serpenta Canta


Com uma voz do outro mundo e um concerto de cortar a respiração, esta performance ao vivo é dos meus discos ao vivo favoritos de sempre.

The Black Keys - Thickfreakness   


Só uma guitarra e uma bateria, parece impossível mas é real. Rock, bules, soul e um bom gosto incrível, grandes beats, grande voz. [É] top este duo.

Dealema - Dealema


Um clássico do hip hop português.

Jay-Z - The Black Album


Um álbum bem pensado. E, para mim, um dos melhores álbum de Jay-Z: grandes produtores e rap de realidade muito bem escrito. Impressionante.

Eminem - The Eminem Show


Agressivo, boas músicas e grandes letras. [Na verdade, The Eminem Show foi editado em 2002]

The Neptunes - Present the Clones


Um álbum que quebrou barreiras e levou o hip hop e o r’n’b a outro nível, juntando grandes artistas num só disco.

Blur -Think Tank


Desta vez, os Blur conseguiram um álbum que é capaz de fazer frente à supremacia dos Oasis.

Outkast - The Love Below


Top dos tops... Andre 3000 foi e fez o álbum da sua vida, dos melhores de 2003 e um dos melhores álbuns da década.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

[Semana 03-06-03] Audio Bullys editam "Ego War"



Bastou voltar a ouvir Boy in the Corner, o magnífico álbum de estreia de Dizzee Rascal, e os dois pimeiros discos de Mike "The Streets" Skinner para colocar Ego War no seu devido lugar.  Em 2003, o grime, a cena criada por dois miúdos, dominava as pistas de dança. A certa altura surgiu a necessidade de separar o trigo do joio, mas nem assim os Audio Bullys conseguiram passar ao lado - em 2005 chegaram mesmo a tocar o mainstream com uma versão de "Bang Bang (My Baby Shot Me Down)", de Nancy Sinatra.

Ego War não está claramente ao nível do melhor do género, vence antes pela forma descontraída com que Simon Franks e Tom Dinsdale seguem as pegadas que deixavam East London. É o reflexo de dois miúdos a brincar com os computadores que os papás lhes deram para trabalhar e a regarem as suas letras com álcool e a apimentá-la com miúdas. O resultado é eufórico e entusiasmante a espaços, mas desequilibrado. 

Dez anos depois, Mike Skinner arrumou o microfone e Dizzee Rascal desistiu de ser o mais talentoso rapper da década dos zeros. Os Audio Bullys não dão notícias há três anos, quando editaram Higher Than the Eiffel. O grime já era.





sábado, 1 de junho de 2013

[Jukebox de há dez anos] The Joy of Nature


2003 foi o ano em que saiu o primeiro álbum de The Joy of Nature and Discipline, mas não estava a ouvir nada semelhante a esse disco (aliás, o disco foi composto, principalmente, em 1999 e 2000). Em 2003 dediquei-me essencialmente a aquarelle, o projecto musical que nunca conseguiu realmente ter as oportunidades que possivelmente merecia. Foi também um ano que ficou para sempre gravado na memória, um daqueles anos em que houve acontecimentos que haviam de marcar todos os anos subsequentes.

Os dez discos mais importantes de 2003 para The Joy of Nature: 

1. David Sylvian - Belmian


A primeira vez que ouvi o Blemish [a reacção] foi: “Mas que raio? O que está este gajo agora a fazer?”. Não foi um disco que tenha entrado à primeira, mas tornou-se num dos preferidos e ouvi-o vezes sem conta durante um Verão.

2. Swans – Forever Burned


Este disco não é nem uma reedição nem uma compilação: contém por inteiro o álbum The Burning World e algumas faixas de discos que saíram quase pela mesma altura, como a obra-prima White Light from the Mouth of Infinity. Contém a “Song for the Sun” que foi a primeira música que deles ouvi – com 15 ou 16 anos – num programa do Nuno Galopim. Swans... Há mais de 20 anos que os oiço regularmente.

3. Nurse With Wound – Salt Marie Celeste


Gosto mais dos discos de drones de Nurse With Wound do que daqueles mais ligados às colagens e ao surrealismo. Este disco é constituído por uma única faixa com cerca de uma hora de duração em que se sente e vê um navio fantasma à deriva. A história do navio Marie Celeste é extremamente interessante e este disco leva-nos lá.

4. The Shipping News – Three-Four


Foi o primeiro disco que associei a 2003. Ouvia-o vezes sem conta no trabalho, numa altura bastante especial em que não me podia queixar de monotonia emocional. E são emoções que este disco traz, como a intensidade em crescendo da “Haunted On Foot” ou o coração quase a explodir na “We Start to Drift”. É o disco que mais me transporta de regresso a 2003.

5. Espers – Espers


Ao mesmo tempo que Devendra Banhart começava a ganhar popularidade e a folk psicadélica voltava a ser reavivada por novos hippies, surge um dos melhores exemplos desta nova vaga. Foi um disco inspirado e inspirador e trouxe à luz do dia uma série de instrumentos acústicos que deviam estar escondidos em algum sótão. 

6. Dean Roberts – Be Mine Tonight


Como se faz música assim? Parece desestruturada, complexa, mas terrivelmente emocional. Aqui não há nada fingido. Ouvi muito este disco na mesma fase em que descobri o cinema dos irmãos Quay.

7. Piano Magic – The Troubled Sleep of Piano Magic


Há aqui uma canção que faz toda a diferença – “The Unwritten Law”. Sempre que ouvia o disco, colocava esta canção em repeat. Mais uma vez, a relação terrível entre a tristeza e a beleza.

8. Bonnie Prince Billy – Master and Everyone


Voz e guitarra. Com canções como “The Way” não é preciso mais nada. Todas as canções são boas, mas bastava essa, que era exactamente o que me apetecia dizer na altura.

9. Barzin - Barzin


Geralmente não gosto de música tão doce e "tristinha" como a que está neste disco. Mas as canções deste disco são demasiado boas e fazem-me esquecer isso. E versos como Are you building a house/With these broken plans diziam-me muito. E a cereja no topo do bolo é a última faixa – “Sleep” que influenciou directamente o trabalho de aquarelle.

10. The Strokes – Room On Fire


2003 foi realmente o ano dos Strokes e este disco fez-me voltar a sentir como se tivesse 16 anos novamente.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

[Jukebox de há dez anos] Manuel Fúria


Desde os tempos em que dava voz aos Golpes que percebemos que Manuel Fúria não é apenas mais um a deixar-se levar pela leva que canta a língua de Camões. Da guitarra e fotografias promocionais aos títulos (do álbum, das canções), nada é deixado ao acaso. Quando pedimos a Manuel Fúria para construir uma lista dos 10 discos mais importantes de 2003, desconfiamos que, na altura, não estaria satisfeito com o estado das coisas no nosso Portugal. Estávamos cobertos de razão.

2003 foi um ano muito fixe em discos. Quer dizer, muito fixe menos em Portugal, onde as listas são deploráveis; o único sítio onde encontramos coisas boas é no catálogo da Florcaveira e isto porque a Amor Fúria ainda não existia. Para além dos discos, 2003 foi responsável por um dos melhores Verões de sempre. Os discos são estes e estão colocados aleatoriamente.

Os dez discos mais importantes de 2003 para Manuel Fúria:

The White Stripes - Elephant


Rebentam para o mundo com a "Seven Nation Army" dos estádios de futebol. Um disco poderoso.

Lou Reed - The Raven


Este disco marcou-me especialmente porque o Lou Reed autografou-mo a meio metro de mim, rapaz novo e impressionável. Em Coimbra, no Jardim da Sereia.

Ryan Adams - Love Is Hell, Pts. 1 & 2


Tem a versão do "Wonderwall" dos Oasis e é mesmo bonita.

Tiago Guillul - Mais 10 Fados Religiosos


Só ouvi este disco em 2007, mas é o meu preferido do Tiago. É aqui que está o grande êxito: "Quando Sangro do Nariz".

Lightning Bolt - Wonderful Rainbow


Lobster antes dos Lobster

Outkast - Speakerboxxx/The Love Below


Provavelmente o melhor disco destes todos. E eu não percebo  hip hop.

The Strokes - Room on Fire


Tem a "Reptilia" que é a melhor canção roque dos anos zero.

The Rapture - Echoes


Bateu bué.


The Sea And Cake - One Bedroom


Ouvi isto em dias de Sol, especialmente a versão do "Sound And Vision" do David Bowie.

terça-feira, 28 de maio de 2013

[Semana 27-05-03] The Thrills editam "So Much For The City"


So Much For the City prova que nem toda a música produzida na Irlanda tem que tem que reverenciar os Pogues ou incluir gaita-de-foles, bodhrán ou bouzouki. Mas So Much For The City, a estreia discográfica dos Thrills, é mais do que isso, é uma carta de amor ao Sol da Califórnia, é uma homenagem aos Beach Boys, é uma vénia à Costa Oeste norte-americana. 

O grande truque dos Thrills é não ter muita vontade de esconder essa reverência - títulos como "Santa Cruz (You're Not That Far)" e "Big Sur", ponte transatlântica que liga a Europa e os Estados Unidos, os vídeos de "One Horse Town" e novamente "Big Sur" são uma ode ao verão Californiano. Em 2003, os Thrills colocavam os óculos de Sol, preparavam o Verão. 

Contas feitas, So Much For The City sai-se como um admirável exercício nostálgico. Deixaram algumas saudades.










segunda-feira, 27 de maio de 2013

[Jukebox de há dez anos] The Weatherman


Já é o terceiro capítulo de uma certeira discografia (podem ouvir os outros dois aqui e aqui), mas só agora The Weatherman se sentiu à vontade para lhe dar um título homónimo. Há dez anos The Weatherman não existia, mas podia e devia existir. É o trabalho de alguém que foca o passado, mas sem deixar de piscar o olho ao futuro. Em 2003 já olhava de esguelha para o presente, o da altura.

Os dez discos mais importantes de 2003 para The Weatherman: 


1. Josh Rouse - 1972


Um disco pejado de grandes canções que ficaram para sempre. Grandes melodias, arranjos soberbos, é tudo perfeito. É uma pena que os discos posteriores não tenham chegado aos calcanhares deste. É um daqueles discos em que vemos a nossa vida a acontecer diante dos nossos olhos, reconforta-nos perante o passado e encoraja-nos a olhar o futuro de frente. Ainda hoje me emociono quando o oiço.

2. The Thrills - So Much For The City 


Ouvi este disco vezes sem conta e é uma pena que não tenham conseguido igualá-lo nos discos posteriores. É uma pérola pop intemporal, recheada de grandes canções. Ficou para sempre. É um ícone da melhor pop alguma vez feita.

3. Black Rebel Motorcycle Club - Take Them On, On Your Own


Um dos meus discos preferidos de rock'n roll. Em termos de rock pós-ano 2000, para mim, bate aos pontos qualquer coisa dos Strokes ou dos White Stripes.

4. The Beatles - Let It Be... Naked


O remexer do baú é sempre questionável, e este disco, apesar de trazer todas aquelas canções com um som mais límpido e cru, pareceu-me não assim tão necessário. Não me fez particularmente gostar mais das canções, apesar de reconhecer que, no geral, saíram beneficiadas. Mas um novo disco dos Beatles é sempre um acontecimento.

5. Sufjan Stevens - Greetings from Michigan: The Great Lake State


Foi através deste disco que tomei contacto com o Sufjan Stevens. Surpreendeu-me tanto haver alguém a fazer este tipo de melodias que me tornei fã incondicional, além de se ter tornado uma grande influência. Vi-o ao vivo alguns anos mais tarde.


6. Radiohead - Hail to the Thief


Foi-me oferecido como prenda de anos na altura. A minha relação com Radiohead nunca foi pacífica, mas foi com este álbum que fiz as pazes, talvez por ser o mais equilibrado de todos, e por terem voltado às boas canções.

7. The Shins - Chutes Too Narrow


Palavras para quê? São os The Shins, aqui em grande forma.

8. Lisa Germano - Lullaby for liquid pigs 


Recordo-me de a ter visto em concerto, em 2006. Lembro-me particularmente de uma música dedicada ao Jeff Buckley de ir às lágrimas.  Foi tão bom que fui logo ouvir os discos. Este é muito bom, absolutamente fantasmagórico.

9. The Clientele - The Violet Hour


As melodias e a voz cativaram-me desde logo. Lembro-me que vieram tocar ao Porto, ao Meu Mercedes [É Maior Que O Teu], e não me consigo lembrar por que razão não fui ver. E isso traz-me um sabor amargo.

10. The Go-Betweens - Bright Yellow Bright Orange


Deste disco lembro-me que me marcou especialmente pela qualidade das letras, uma escrita de canções muito inteligente.