- Os U2 dominam a 46ª edição dos Grammys e levam 5 prémios: "Album Of The Year, "Best Rock Album", "Best Rock Song", "Song Of The Year" e "Best Vocal Rock Performance".
- Madonna e Gorillaz actuam nos Grammys.
- Jay-z, Linkin Park e Paul McCartney actuam nos Grammys.
- Deftones anunciam concerto no Super Bock Super Rock.
- Roger Waters e Red Hot Chili Peppers anunciam presença no Rock in Rio Lisboa.
- Arctic Monkeys anunciam actuação no Paradise Garage.
Edições:
The Knife - Silent Shout
Battles - EP C / B EP
Joana Machado - CRUde
Loosers - Bully Bones of Belgie
Com Late Registration, Kanye consegue aquilo que nem Jay-z, nem Nas conseguiram: um segundo álbum ao nível da estreia. West admitira: "College Dropout tem coisas que foram feitas à pressa". Este não, seria à prova de bala, não fosse o magnífico produtor um rapper mediano. Em 2005, o ego já se manifestava, mas este é um Kanye mais humano - "Roses", por exemplo, é sobre a quase morte da avó e "Hey Mama" é um agradecimento à mãe. Lembramo-nos dos discos mais recentes e da forma como West vai potenciando as suas colaborações, Late Registration já tem isso: os versos do estreante Lupe Fiasco, do chefe Jay-z e do ex-arqui-inimigo Nas são pérolas ao nível da produção do West. "Sempre quis fazer um som que parecesse que estou a rappar do alto de uma montanha", dizia, como no vídeo de "Touch the Sky", com Pamela Anderson, em que a personagem de West acaba por se despenhar. Não é mais do que isso, um vídeo, pois Kanye, o polarizador, continua lá no alto da montanha.
Na longa lista de mártires do hip hop não constam os nomes de 50 Cent e The Game. Ambos foram brutalmente alvejados antes de se lançarem como apostas pessoais de Dr. Dre. Afinal de contas, uma boa história é também uma excelente ferramenta de marketing. The Documentary, muito pessoal álbum de estreia, o rapper menciona vários clássicos do hip hop. De cabeça: Ready to Die de B.I.G., Reasonable Doubt de Jay-z, Doggy Style de Snoop Dogg, Death Certificate de Ice Cube, Illmatic de Nas e, claro, The Chronic de Dr. Dre - produtor, mentor e padrinho. Está na noção do legado hip hop e da vontade de criar algo que garanta o estatuto de clássico uma das grandes forças de The Documentary. O resto está numa criteriosa escolha de colaborações e produtores que vão de 50 Cent a Kanye West, passando por Timbaland, Eminem ou Just Blaze.
- Acontece o "ReAct Now: Music And Relief", evento de 4 horas que juntou, em várias cidades norte-americanas, artistas como Coldplay, Beck, Red Hot Chili Peppers, Green Day, Trent Reznor e Kanye West para arrecadar fundos para as vitimas do Furacão Katrina.
- O novo vídeo da Make Poverty History, que conta com personalidades como Bono, Brad Pitt, Justin Timberlake ou Jamie Foxx, é banido das televisões e rádios norte-americanas. Isto porque para a Ofcom, regulador dos media, considerou que o vídeo passava uma mensagem política.
Disco da Semana:
Sigur Ros - Takk...
Não percebemos uma palavra de Takk..., quarto disco dos islandeses Sigur Ros, mas esta música onírica, épica e emocional toca-nos, como nos tinha tocado meses antes o álbum de estreia dos Arcade Fire. Há alguns pontos de contacto: o tom emocional, as cordas, as canções em crescendo e a relação próxima da catarse que estabelecem com o público, por exemplo. Não percebemos uma palavra, não é necessário, os Sigur Ros levam-nos à Islândia gélida e aparentemente longínqua. Parece mesmo de outro mundo, que a banda vem de outro planeta. E este é o melhor elogio que lhes podemos fazer.
Outras edições:
dEUS - Pocket Revolution
Paul McCartney - Chaos and Creation in the Backyard
Devendra Banhart - Cripple Crow
Simple Minds - Black & White 050505
Damian Marley - Welcome to Jamrock
Clap Your Hands Say Yeah - Clap Your Hands Say Yeah
Soulfly - Dark AgesxThe
Dandy Warhols editam - Odditorium or Warlords of Mars
Institute - Distort Yourself
The Fray - How To Save a Life
Pussycat Dolls - PCD
Lil' Kim - The Naked Truth
Tracy Chapman - Where You Live
Citações com dez anos:
- "Na falta de um verdadeiro líder, não nos podemos esquecer que continuamos juntos. Os corações estão doentes e são as consciências que têm que mudar. Esperamos que esta canção inspire, conforte e lembre que este negrume não resistirá se trabalharmos todos juntos." (TV On The Radio sobre a nova canção "Dry Drunk Emperor")
- "Quando as pessoas querem muito uma coisa, ela acontece. E as pessoas querem muito que eu regresse. Estou a tentar aguentar-me, mas não sei quanto mais tempo resistirei." (Jay-z)
- Vários músicos tentam ajudar as vítimas do Furacão Katrina:
Velvet Revolver actuam na Florida com 100 por cento do valor do ingresso a reverter para a Cruz Vermelha;
Hillary Duff, na altura #1 no Top BIllboard 200, doa $200,000 à Cruz Vermelha e $50,000 à USA Harvest.
Os Pearl Jam doam uma porção dos lucros da 1ª data da digressão - com a participação especial de Robert Plant;
- Apple apresenta o iTunes Phone, um telefone capaz de reproduzir música. Steve Jobs compara-o ao iPod Shuffle.
- Los Hermanos actuam no Clube Lua e na Casa da Música e Andrew Bird no Lux Frágil.
- "I Am a Bird Now" de Antony And The Johnsons vence o Mercury Prize 2005.
- A HMV lança o HMV DIGITAL, um novo serviço de download de música. Diz Steve Knott, o Director Administrativo da empresa: "Numa altura em que o download ainda está a dar os primeiros passos, acreditamos que esta é a altura certa para criar uma presença da HMV neste mercado."
Disco da Semana:
The Rolling Stones - A Bigger Bang
Dez anos depois, parecem-nos obsoletas as críticas que referiam que os Stones só teriam editado A Bigger Bang para cumprir apenas calendário discográfico e assim justificar mais uma digressão. Essencialmente, por dois motivos. Um: entretanto, a banda já embalou em mais duas digressões mundiais sem qualquer objecto musical para promover. Dois: o disco é enorme, bastaria metade para despachar um álbum. E está aqui um dos grandes problemas de A Bigger Bang: a duração. O outro é a falta de ideias que não justificam esta aparição já oito anos depois de Bridges to Babylon. Ironicamente, A Bigger Bang não se fez sentir.
Outras edições:
- Gogol Bordello - Gypsy Punks: Underdog World Strike
- The Rakes - Capture/Release
- OK Go - Oh No
- Shaggy - Clothes Drop
Citações com dez anos:
- "Odeio a forma como nos têm tratado nos media. Quando vês uma família de negros diz-se que estão a roubar, quando vês uma família de brancos, dizem que estão à procura de comida. George W. Bush não quer saber dos negros." (Kanye West na NBC, referindo-se aos incidentes que se seguiram ao Katrina)
- "Estou com o Kanye West a 100%. Isto é a América. Tens que ter a liberdade de dizer o que que te apetecer." (JAY Z, relativamente à citação de West: " George W. Bush não quer saber dos negros")
Na longa lista de mártires do hip hop não constam os nomes de 50 Cent e The Game. Ambos foram brutalmente alvejados antes de se lançarem como apostas pessoais de Dr. Dre. Afinal de contas, uma boa história é também uma excelente ferramenta de marketing. The Documentary, muito pessoal álbum de estreia, o rapper menciona vários clássicos do hip hop. De cabeça: Ready to Die de B.I.G., Reasonable Doubt de Jay-z, Doggy Style de Snoop Dogg, Death Certificate de Ice Cube, Illmatic de Nas e, claro, The Chronic de Dr. Dre - produtor, mentor e padrinho. Está na noção do legado hip hop e da vontade de criar algo que garanta o estatuto de clássico uma das grandes forças de The Documentary. O resto está numa criteriosa escolha de colaborações e produtores que vão de 50 Cent a Kanye West, passando por Timbaland, Eminem ou Just Blaze.
The College Dropout marca o início de uma era, a era Kanye West, do excêntrico, do paranóico, do omnipresente, do génio. Num mundo dominado por um Jay-z, Eminem e, vá, 50 Cent, a estreia de Kanye não é uma pedrada no charco, mas chega para abanar os alicerces. É um Kanye diferente, globalmente respeitado, mas menos exposto. Confiante, mas sem excessos. De The College Droupout a Yeezus, apenas um problema: o facto de não conseguir comunicar para além das canções. Qual génio incompreendido.
O mundo precisava mesmo de um mashup entre Jay-z e Linkin Park? Não, mas as contas bancárias dos envolvidos terão achado que sim. E o tempo deu-lhes razão. Afinal de contas, se a coisa até resultou de forma ilegal com o Grey Album (White Album dos Beatles e o Black Album do próprio Jay-z) porque não tentar a coisa pelas vias legais? Jay-z sempre se soube misturar, de R. Kelly a Kanye West. Surpreendeu na escolha de um alvo fácil como os Linkin Park para uma nova colaboração. Mais uma vez, a conta bancária terá achado que valia a pena. E o tempo, claro, deu-lhe novamente razão. Mais de 5 milhões de cópias vendidas em todo o mundo. Bem bom para uma altura em que cada vez se vendiam/vendem menos discos.
Collision Course equilibra os beats e rimas de Jay-z com os riffs e a gritaria dos Linkin Park. A vantagem vai, claro, para o rapper, cujo catálogo dá 10 a 0 ao da banda de Mike Shinoda e Chester Bennington. Por vezes, Jay-z rappa sobre os instrumentais banais dos Linkin Park, noutras é a vez dos Linkin Park a tentarem à força combinar o seu material com as produções de Jay-z. Se podíamos pegar em quaisquer dois discos e fazer o mesmo? Sim, na altura saíram alguns mashups do género, a fórmula gastou-se rapidamente. Danger Mouse safou-se bem, as contas bancárias dos envolvidos neste projecto também. Voltem lá a ouvir isto e digam-nos depois se a colaboração entre Lou Reed e Metallica continua a ser assim tão má.
The College Dropout marca o início de uma era, a era Kanye West, do excêntrico, do paranóico, do omnipresente, do génio. Num mundo dominado por um Jay-z, Eminem e, vá, 50 Cent, a estreia de Kanye não é uma pedrada no charco, mas chega para abanar os alicerces. Demorou anos a ser terminado, os mesmos em que Kanye foi dominando a produção de boa parte das melhores coisas que o hip hop fabricou no início da década dos zeros. A novidade aqui é o protagonismo que o produtor e agora rapper ganha no microfone, ainda que, de forma inteligente, tenha chamado muito boa gente para o ajudar nesse arte de cuspir palavras e rimas. É um Kanye diferente, globalmente respeitado, mas menos exposto. Confiante, mas sem excessos. De The College Droupout a Yeezus, apenas um problema: o facto de não conseguir comunicar para além das canções. Qual génio incompreendido.
TAPE JUNk é João Correia, também vocalista nos Julie and The Carjackers. Há quatro meses editou The Good and the Mean, cujas referências estão mais que descortinadas - algumas estão neste mesmo Top 10 do ano em que Johnny Cash nos deixou.
Os discos mais importantes de 2003 para TAPE JUNk:
Num mercado dominado por rappers como 50 Cent, Eminem e Jay-z, em 2003 o hip hop debatia o underground versus o mainstream, a integridade versus o bling-bling. Com o passar dos anos, a discussão foi perdendo força e deixando de fazer sentido.
Guetto Pop Music marca a estreia discográfica de Danger Mouse, ele que um ano depois lançaria o celebre Grey Album (mashup de White Album dos Beatles e Black Album de Jay-z) e, três anos depois, com Cee Lo Green, deixaria o mundo a dançar ao som de "Crazy". Do outro lado Jemini the Gifted One, rapper de um álbum só, este. Seguiram caminhos bem diferentes os autores desta celebração. Uma celebração do hip hop e da sua história com o respeito que 2Pac resumiu numa só canção. Dos Gnarls Barkley aos Broken Bells, Danger Mouse tem vindo a provar que este disco não foi obra do acaso.
Gobi Bear enviou-nos esta lista a meio da digressão que o tem levado a viajar pela Europa. Folk cândida que se espalha num trio de EPs gravados em apenas 365 dias.
Os discos mais importantes de 2003 para Gobi:
1. The White Stripes - Elephant
2. The Strokes - Room on Fire
3. Sérgio Godinho - O Irmão do Meio
4. Los Hermanos - Ventura
5. José Gonzales - Veneer
6. Jay-Z - The Black Album
7. Explosions in the Sky - The Earth is Not a Cold Dead Place
Isto de um músico com raízes no hip hop se aventurar nas lides do rock é sempre um risco. Oiça-se (ou não!), por exemplo, Rebirth, a espezinhada aventura rock de Lil Wayne. Wayne fê-lo pelas razões erradas, para mostrar que o conseguia fazer, mesmo que daí tenha resultado alguma da pior poluição sonora dos últimos cem anos. Expeão, que apresenta O Fim de Todas as Estradas já no dia 7 de Junho, no Musicbox Lisboa, fá-lo pelas razões certas, porque sim, porque é um melómano e, como tal, capta as mais variadas influências - algo que surge bem reflectido na lista que para nós fabricou. Em 2003, os Dealema estreavam-se, mas já não eram uns novatos há, mais coisa, menos coisa, dez anos.
Os dez discos mais importantes de 2003 para Expeão:
Tomahawk - Mit Gas
Um álbum incrível de uma das bandas de rock mais originais e pesadas de sempre.
Jaylib - Champion Sound
Para mim, um clássico do hip hop mais alternativo, com músicas incríveis como "The Red". Obrigatório.
Diamanda Galás - La Serpenta Canta
Com uma voz do outro mundo e um concerto de cortar a respiração, esta performance ao vivo é dos meus discos ao vivo favoritos de sempre.
The Black Keys - Thickfreakness
Só uma guitarra e uma bateria, parece impossível mas é real. Rock, bules, soul e um bom gosto incrível, grandes beats, grande voz. [É] top este duo.
Dealema - Dealema
Um clássico do hip hop português.
Jay-Z - The Black Album
Um álbum bem pensado. E, para mim, um dos melhores álbum de Jay-Z: grandes produtores e rap de realidade muito bem escrito. Impressionante.
Eminem - The Eminem Show
Agressivo, boas músicas e grandes letras. [Na verdade, The Eminem Show foi editado em 2002]
The Neptunes - Present the Clones
Um álbum que quebrou barreiras e levou o hip hop e o r’n’b a outro nível, juntando grandes artistas num só disco.
Blur -Think Tank
Desta vez, os Blur conseguiram um álbum que é capaz de fazer frente à supremacia dos Oasis.
Outkast - The Love Below
Top dos tops... Andre 3000 foi e fez o álbum da sua vida, dos melhores de 2003 e um dos melhores álbuns da década.