"London, quiet down I need to make a sound. New York, quiet down I need to make a sound. Kingston, quiet down I need to make a sound. Brazil, quiet down I need to make sound". Arranca assim "Bucky Done Gun" (saudades deste Diplo?), um dos singles mais fortes de Arular. Está tudo aqui: o grime londrino - que, na altura, ainda vivia tempo excitantes com Dizzee Rascal e The Streets em topo de forma -, o hip hop nova-iorquino, o dub de Kingston e o baile funk brasileiro. M.I.A., um O.V.N.I. que, encorajado por Peaches, criou um álbum cujos beats base feitos numa Roland MC-505 - uma artista de quarto antes da propagação da espécie? - e politicamente inspirada nos tempos difíceis que terá viveu no Sri Lanka - o título é inspirado num nome código político usado pelo pai de M.I.A.: Arul Pragasam. Do título às letras é, portanto, justo referir que Arular é tremendamente influenciado pelo pai. Mais tarde viria a dizer que a cena punk londrina também teve uma grande influência no disco: dos Clash a Malcolm McLaren. Muito de vez em quando lá vem um álbum como Arular, complexo, que começa na capa e termina muitos anos mais tarde. Já o podemos classificar como clássico?
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
[Os melhores álbuns de 2005] 2º - Kanye West - Late Registration
Com Late Registration, Kanye consegue aquilo que nem Jay-z, nem Nas conseguiram: um segundo álbum ao nível da estreia. West admitira: "College Dropout tem coisas que foram feitas à pressa". Este não, seria à prova de bala, não fosse o magnífico produtor um rapper mediano. Em 2005, o ego já se manifestava, mas este é um Kanye mais humano - "Roses", por exemplo, é sobre a quase morte da avó e "Hey Mama" é um agradecimento à mãe. Lembramo-nos dos discos mais recentes e da forma como West vai potenciando as suas colaborações, Late Registration já tem isso: os versos do estreante Lupe Fiasco, do chefe Jay-z e do ex-arqui-inimigo Nas são pérolas ao nível da produção do West. "Sempre quis fazer um som que parecesse que estou a rappar do alto de uma montanha", dizia, como no vídeo de "Touch the Sky", com Pamela Anderson, em que a personagem de West acaba por se despenhar. Não é mais do que isso, um vídeo, pois Kanye, o polarizador, continua lá no alto da montanha.
sábado, 12 de dezembro de 2015
[Os melhores álbuns de 2005] 19º - The Game - The Documentary
Na longa lista de mártires do hip hop não constam os nomes de 50 Cent e The Game. Ambos foram brutalmente alvejados antes de se lançarem como apostas pessoais de Dr. Dre. Afinal de contas, uma boa história é também uma excelente ferramenta de marketing. The Documentary, muito pessoal álbum de estreia, o rapper menciona vários clássicos do hip hop. De cabeça: Ready to Die de B.I.G., Reasonable Doubt de Jay-z, Doggy Style de Snoop Dogg, Death Certificate de Ice Cube, Illmatic de Nas e, claro, The Chronic de Dr. Dre - produtor, mentor e padrinho. Está na noção do legado hip hop e da vontade de criar algo que garanta o estatuto de clássico uma das grandes forças de The Documentary. O resto está numa criteriosa escolha de colaborações e produtores que vão de 50 Cent a Kanye West, passando por Timbaland, Eminem ou Just Blaze.
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sexta-feira, 27 de novembro de 2015
[Jukebox de há dez anos] Jimmy P
É um dos grandes em Portugal e trata o hip hop, a soul e o r&b por tu. Prova-o no disco que editou já este ano, FVMILY F1RST. O sempre disponível Jimmy P escolheu os seus discos de 2005.
Os discos mais importantes de 2005 para Jimmy P:
Kanye West - Late Registration
Lil Wayne - The Carter II
The Game – The Documentary
Gorillaz – Demon Days
Morgan Heritage – Family and Friends, Vol. 2
Coldplay – X & Y
50 Cent – The Massacre
Faith Evans – First Lady
Amerie – Touch
Public Enemy – Rebirth of a Nation
domingo, 20 de setembro de 2015
O que aconteceu na semana de 14-09-2005?
- Na sequência do acordo exclusivo entre Bob Dylan e a Starbucks que previa os direitos de venda exclusivos de um novo CD do músico, "Live At Gaslight 1962", a HMV Canada remove todo o catálogo do músico das suas prateleiras.
- David Bowie confessa-se fã dos Arcade Fire e actua com os canadianos.
- Tupac Shakur torna-se no 1º rapper a ser imortalizado numa estátua (de bronze). A localização: Peace Garden, no Tupac Amaru Shakur Center For The Arts (TASCA), em Stone Mountain, em Georgia.
Disco da Semana:
Broadcast - Tender Buttons
É verdade de James Cargill e Trish Keenan sempre afirmaram ser os únicos elementos a tempo inteiro dos Broadcast, mas também é facto que é neste disco, sem Steve Perkins, Tim Felton e Roj Stevens, que o som da banda muda para algo mais maquinal, frio, intrico e psicadélico, um som que lhes deu comparações aos Stereolab - comparações que viriam a tomar contornos catastróficos se tivermos em conta que as vozes de ambos os projectos acabaram por morrer "demasiado cedo". Minimalista ao ponto de lhes valer comparações com os seminais Young Marble Giants, perto daquilo que os tornou num dos projectos de culto mais interessantes da década.
Outras Edições:
Elbow - Leaders of the Free World
Echo and the Bunnymen - Siberia
CocoRosie - Noah's Ark
Nada Surf - The Weight is a Gift
Bon Jovi - Have a Nice Day
Children of Bodom - Are You Dead Yet?
Earth, Wind & Fire - Illumination
Maroon 5 - Live - Friday the 13th
Citações com dez anos:
- “Não sabemos se continuaremos a ser uma banda no ano que vem." (Brian Bell, guitarrista dos Weezer, eles que ainda hoje são uma banda)
- Originalmente, era para se chamar "Dracula's Lunch", mas gosto do som de "Juice Box"." (Julian Casablancas, sobre "uma nova canção dos The Strokes")
- "As actuações ao vivo são o motivo pelo qual eu faço música." (Kanye West)
- “Aparentemente, o maior elogio que a nossa cultura concede aos artistas hoje em dia, é o de aparecer num anúncio - idealmente nus e a ronronar num capot de um carro. Rejeitei continua e repetidamente esta dúbia honra." (Tom Waits)
Outras Edições:
Elbow - Leaders of the Free World
Echo and the Bunnymen - Siberia
CocoRosie - Noah's Ark
Nada Surf - The Weight is a Gift
Bon Jovi - Have a Nice Day
Children of Bodom - Are You Dead Yet?
Earth, Wind & Fire - Illumination
Maroon 5 - Live - Friday the 13th
Citações com dez anos:
- “Não sabemos se continuaremos a ser uma banda no ano que vem." (Brian Bell, guitarrista dos Weezer, eles que ainda hoje são uma banda)
- Originalmente, era para se chamar "Dracula's Lunch", mas gosto do som de "Juice Box"." (Julian Casablancas, sobre "uma nova canção dos The Strokes")
- "As actuações ao vivo são o motivo pelo qual eu faço música." (Kanye West)
- “Aparentemente, o maior elogio que a nossa cultura concede aos artistas hoje em dia, é o de aparecer num anúncio - idealmente nus e a ronronar num capot de um carro. Rejeitei continua e repetidamente esta dúbia honra." (Tom Waits)
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domingo, 6 de setembro de 2015
O que aconteceu na semana de 31-08-2005?
Notícias:
- Vários músicos tentam ajudar as vítimas do Furacão Katrina:
Velvet Revolver actuam na Florida com 100 por cento do valor do ingresso a reverter para a Cruz Vermelha;
Hillary Duff, na altura #1 no Top BIllboard 200, doa $200,000 à Cruz Vermelha e $50,000 à USA Harvest.
Os Pearl Jam doam uma porção dos lucros da 1ª data da digressão - com a participação especial de Robert Plant;
- Apple apresenta o iTunes Phone, um telefone capaz de reproduzir música. Steve Jobs compara-o ao iPod Shuffle.
- Los Hermanos actuam no Clube Lua e na Casa da Música e Andrew Bird no Lux Frágil.
- "I Am a Bird Now" de Antony And The Johnsons vence o Mercury Prize 2005.
- A HMV lança o HMV DIGITAL, um novo serviço de download de música. Diz Steve Knott, o Director Administrativo da empresa: "Numa altura em que o download ainda está a dar os primeiros passos, acreditamos que esta é a altura certa para criar uma presença da HMV neste mercado."
Disco da Semana:
The Rolling Stones - A Bigger Bang
Dez anos depois, parecem-nos obsoletas as críticas que referiam que os Stones só teriam editado A Bigger Bang para cumprir apenas calendário discográfico e assim justificar mais uma digressão. Essencialmente, por dois motivos. Um: entretanto, a banda já embalou em mais duas digressões mundiais sem qualquer objecto musical para promover. Dois: o disco é enorme, bastaria metade para despachar um álbum. E está aqui um dos grandes problemas de A Bigger Bang: a duração. O outro é a falta de ideias que não justificam esta aparição já oito anos depois de Bridges to Babylon. Ironicamente, A Bigger Bang não se fez sentir.
Outras edições:
- Gogol Bordello - Gypsy Punks: Underdog World Strike
- The Rakes - Capture/Release
- OK Go - Oh No
- Shaggy - Clothes Drop
Citações com dez anos:
- "Odeio a forma como nos têm tratado nos media. Quando vês uma família de negros diz-se que estão a roubar, quando vês uma família de brancos, dizem que estão à procura de comida. George W. Bush não quer saber dos negros." (Kanye West na NBC, referindo-se aos incidentes que se seguiram ao Katrina)
- "Estou com o Kanye West a 100%. Isto é a América. Tens que ter a liberdade de dizer o que que te apetecer." (JAY Z, relativamente à citação de West: " George W. Bush não quer saber dos negros")
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sábado, 29 de agosto de 2015
O que aconteceu na semana de 24-08-2005?
Notícias:
- A Warner cria uma nova editora, uma e-label criada para editar um pequeno número de canções de cada vez e apenas na Internet.
- Os Green Day vencem 7 categorias nos MTV Video Music Awards.
- CBGB e casa onde Jimi Hendrix passou infância correm risco de ser demolidas, devido a atrasos nos pagamentos das respectivas rendas.
- "11:33" dos The Gift é escolhida para fazer parte da banda sonora do jogo FIFA 2006.
'Disco da Semana:
Kanye West - Late Registration
Com Late Registration, Kanye consegue aquilo que nem Jay-z, nem Nas conseguiram: um segundo álbum ao nível da estreia. West admitira: "College Dropout tem coisas que foram feitas à pressa". Este não, seria à prova de bala, não fosse o magnífico produtor um rapper mediano. Em 2005, o ego já se manifestava, mas este é um Kanye mais humano - "Roses", por exemplo, é sobre a quase morte da avó e "Hey Mama" é um agradecimento à mãe. Lembramo-nos dos discos mais recentes e da forma como West vai potenciando as suas colaborações, Late Registration já tem isso: os versos do estreante Lupe Fiasco, do chefe Jay-z e do ex-arqui-inimigo Nas são pérolas ao nível da produção do West. "Sempre quis fazer um som que parecesse que estou a rappar do alto de uma montanha", dizia, como no vídeo de "Touch the Sky", com Pamela Anderson, em que a personagem de West acaba por se despenhar. Não é mais do que isso, um vídeo, pois Kanye, o polarizador, continua lá no alto da montanha.
Outras edições:
Opeth - Ghost Reveries
Rihanna - Music of the Sun
Death Cab for Cutie – Plans
Eric Clapton - Back HomeChris Rea - Blue Guitars
Journey - Generations
Bloc Party - Silent Alarm Remixed
Citações com dez anos:
- "Só editaremos um Best Of quando nos separarmos." (Noel Gallagher)
- "Teremos um novo álbum de Dr Dre, sem dúvida. Ele quer chocar o mundo e editar algo que ninguém alguma vez achou ser possível." (Mike Elizondo, produtor e colaborador de Dr. Dre)
- "Sempre quis fazer um som que parecesse que estou a "rappar" do alto de uma montanha. Quero mudar o som da música no geral." (Kanye West)
- "Vi-os [U2] quando tinha 16 e foi um dos melhores concertos da minha vida." (Win Butler, na sequência do convite da banda de Bono para os Arcade Fire fazerem alguns concertos de abertura, em Montreal)
- ""Be Here Now" foi feito à pressa, "Standing On the Shoulder of Giants" idem. E se tivermos que levar 5 anos para fazer um novo disco, assim será." (Noel Gallagher)
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quinta-feira, 16 de julho de 2015
O que aconteceu na semana de 13-07-2005?
Notícias:
- Maria Bethânia actua 4 noites seguidas no Coliseu dos Recreios.
- Robert Plant actua no Tonight Show, duas semanas antes do concerto no Festival Vilar de Mouros.
Disco da Semana:
The Juan Maclean - Less Than Human
Chama-se Less Than Human, a estreia de Juan Maclean, e chega no mesmo ano de Human After All, o mediático terceiro disco dos Daft Punk. Título jocoso? Talvez. Mas, ao contrário dos Daft Punk de 2005, Maclean investe em material maioritariamente orgânico. O momentum da DFA (Rapture, LCD Soundsystem) e o ligeiro apelo indie desta música que é, sem sombra de dúvidas, de dança, garantem-lhe alguma atenção.
Outras edições:
Frank Black - Honeycomb
Imogen Heap - Speak for Yourself
UB40 - Who You Fighting For?
Citações com dez anos:
- "Por vezes, sinto que que carrego o peso de todo o hip hop nos meus ombros." (Kanye West)
"Acho que as novas canções são bem melhores que as do "Silent Alarm"." (Russell Lissack, guitarrista dos Bloc Party)
- "Em vez de usarmos o dinheiro que a editora nos deu para o aluguer de um estúdio, comprámos todo o material e, agora, temo-lo de forma permanente. Já não sentimos a guilhotina prestes a cair, o que nos permite explorar mais." (Fabrizio Moretti, baterista dos The Strokes)
"Ultimamente, temos discutido sobre a gravação de um novo álbum. Queremos fazê-lo pelas razões certas, seja um sucesso comercial ou não." (Black Francis, a cara dos Pixies)
- "O Em[inem] está num nível em que sente que já fez tudo o que podia ser feito no rap." (Proof, membro dos D12)
- “No outro dia, peguei num macaco embalsamado e incendiei-o na piscina. Filmei tudo e foi lindo. Parecia o Titanic, o Hindenburg e o King Kong - tudo num só." (Marilyn Manson)
"Acho que nunca disse isto a ninguém, mas houve um momento em que o Kurt [Cobain] estava insatisfeito com a forma como eu tocava. Conseguia ouvi-lo falar com o Krist [Novoselic] e a dizer que eu não prestava." (Dave Grohl sobre Kurt Cobain)
Outras edições:
Frank Black - Honeycomb
Imogen Heap - Speak for Yourself
UB40 - Who You Fighting For?
Citações com dez anos:
- "Por vezes, sinto que que carrego o peso de todo o hip hop nos meus ombros." (Kanye West)
"Acho que as novas canções são bem melhores que as do "Silent Alarm"." (Russell Lissack, guitarrista dos Bloc Party)
- "Em vez de usarmos o dinheiro que a editora nos deu para o aluguer de um estúdio, comprámos todo o material e, agora, temo-lo de forma permanente. Já não sentimos a guilhotina prestes a cair, o que nos permite explorar mais." (Fabrizio Moretti, baterista dos The Strokes)
"Ultimamente, temos discutido sobre a gravação de um novo álbum. Queremos fazê-lo pelas razões certas, seja um sucesso comercial ou não." (Black Francis, a cara dos Pixies)
- "O Em[inem] está num nível em que sente que já fez tudo o que podia ser feito no rap." (Proof, membro dos D12)
- “No outro dia, peguei num macaco embalsamado e incendiei-o na piscina. Filmei tudo e foi lindo. Parecia o Titanic, o Hindenburg e o King Kong - tudo num só." (Marilyn Manson)
"Acho que nunca disse isto a ninguém, mas houve um momento em que o Kurt [Cobain] estava insatisfeito com a forma como eu tocava. Conseguia ouvi-lo falar com o Krist [Novoselic] e a dizer que eu não prestava." (Dave Grohl sobre Kurt Cobain)
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
O que aconteceu na semana de 09-02-2005 ?
Notícias:
- A 47ª cerimónia dos Grammys é dedicada a Ray Charles, e a recém-falecida lenda arrecada 8 prémios;
- Nouvelle Vague sobem ao palco do Lux Frágil e Kate Walsh actua no Santiago Alquimista.
Álbuns editados:
Laurent Garnier - The Cloud Making Machine
The Doves - Some Cities
Destroyer - Notorious Lightning and Other Works
Final Fantasy - Has a Good Home
Shearwater - Thieves
The Wedding Present - Take Fountain
Sharon Jones & the Dap-Kings - Naturally
Thievery Corporation - The Cosmic Game
Ian Brown - Solarized
Citações com dez anos:
- "Se acham que vão odiar, não venham." (Brian May, relativamente ao regresso dos Queen aos palcos, com Paul Rodgers)
- "Toquei-a para o Quentin Tarantino há duas semanas, quando ele estava no estúdio e a reacção dele foi: "'Man, tive arrepios na espinha!".(RZA relativamente a "Life Changes", a canção inspirada no recém-falecido rapper e membro dos Wu-Tang Clan, Ol' Dirty Bastard)
- "Sei que toda a gente tem a mesma pergunta na cabeça, todos vocês querem saber o que teria feito se não tivesse ganhado o Grammy. Bom, acho que nunca vão saber." ( Kanye West nos Grammys)
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sábado, 17 de janeiro de 2015
[Semana 12-01-05] The Game edita "The Documentary"
Na longa lista de mártires do hip hop não constam os nomes de 50 Cent e The Game. Ambos foram brutalmente alvejados antes de se lançarem como apostas pessoais de Dr. Dre. Afinal de contas, uma boa história é também uma excelente ferramenta de marketing. The Documentary, muito pessoal álbum de estreia, o rapper menciona vários clássicos do hip hop. De cabeça: Ready to Die de B.I.G., Reasonable Doubt de Jay-z, Doggy Style de Snoop Dogg, Death Certificate de Ice Cube, Illmatic de Nas e, claro, The Chronic de Dr. Dre - produtor, mentor e padrinho. Está na noção do legado hip hop e da vontade de criar algo que garanta o estatuto de clássico uma das grandes forças de The Documentary. O resto está numa criteriosa escolha de colaborações e produtores que vão de 50 Cent a Kanye West, passando por Timbaland, Eminem ou Just Blaze.
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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
[Os melhores álbuns de 2004] 3º - Kanye West - The College Dropout
The College Dropout marca o início de uma era, a era Kanye West, do excêntrico, do paranóico, do omnipresente, do génio. Num mundo dominado por um Jay-z, Eminem e, vá, 50 Cent, a estreia de Kanye não é uma pedrada no charco, mas chega para abanar os alicerces. É um Kanye diferente, globalmente respeitado, mas menos exposto. Confiante, mas sem excessos. De The College Droupout a Yeezus, apenas um problema: o facto de não conseguir comunicar para além das canções. Qual génio incompreendido.
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
[Semana 01-12-04] Jay-z e Linkin Park editam "Collision Course"
O mundo precisava mesmo de um mashup entre Jay-z e Linkin Park? Não, mas as contas bancárias dos envolvidos terão achado que sim. E o tempo deu-lhes razão. Afinal de contas, se a coisa até resultou de forma ilegal com o Grey Album (White Album dos Beatles e o Black Album do próprio Jay-z) porque não tentar a coisa pelas vias legais? Jay-z sempre se soube misturar, de R. Kelly a Kanye West. Surpreendeu na escolha de um alvo fácil como os Linkin Park para uma nova colaboração. Mais uma vez, a conta bancária terá achado que valia a pena. E o tempo, claro, deu-lhe novamente razão. Mais de 5 milhões de cópias vendidas em todo o mundo. Bem bom para uma altura em que cada vez se vendiam/vendem menos discos.
Collision Course equilibra os beats e rimas de Jay-z com os riffs e a gritaria dos Linkin Park. A vantagem vai, claro, para o rapper, cujo catálogo dá 10 a 0 ao da banda de Mike Shinoda e Chester Bennington. Por vezes, Jay-z rappa sobre os instrumentais banais dos Linkin Park, noutras é a vez dos Linkin Park a tentarem à força combinar o seu material com as produções de Jay-z. Se podíamos pegar em quaisquer dois discos e fazer o mesmo? Sim, na altura saíram alguns mashups do género, a fórmula gastou-se rapidamente. Danger Mouse safou-se bem, as contas bancárias dos envolvidos neste projecto também. Voltem lá a ouvir isto e digam-nos depois se a colaboração entre Lou Reed e Metallica continua a ser assim tão má.
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
[Semana 10-11-04] Eminem edita "Encore"
É com Encore que Eminem dá início o período de declínio criativo que ainda hoje dura. Irónico, pois: um encore, se exceptuarmos um concerto de Eddie Vedder (com ou sem os Pearl Jam) tende a ser um fim. Em sua defesa podemos escrever que nem com os seus piores discos, os que não ligámos nenhuma, a dupla Relapse e Recovery, Eminem perdeu a relevância, principalmente se tivermos em conta a comercial.
Mas não é apenas a decadência criativa que Encore anuncia. Meses antes Kanye West tinha-se estreado com The College Dropout. O plano de domínio global começava a ganhar forma. As listas anuais davam conta da ascensão de um e o declínio de outro. Relembre-se: estamos ainda no âmbito criativo, Eminem ainda hoje quebra records e a Internet garantiu-lhe a frescura mediática que lhe tem faltado em estúdio.
Na altura, College Dropout tinha passado despercebido para grande parte do público de Eminem. Encore e How To Dismantle an Atomic Bomb dos U2 disputavam protagonismo e as apostas sucediam-se: qual dos dois blockbusters da reentrée "leakará" primeiro? Eminem ia dando nas vistas com o vídeo de "Just Lose It", os U2 chamavam atenções através de projetos como o Band Aid 20 e a gravação de uma nova versão de "Do They Know It's Christmas?". A polémica, o instrumento de propaganda favorito de Eminem, ele, sempre foi de alvos fáceis. Michael Jackson no vídeo de "Just Lose It", George W. Bush no de "Mosh" são os mais óbvios. Resultado: críticas em relação ao primeiro - Stevie Wonder chegou a dizer que "não se bate em alguém que já está no chão" - e problemas com a lei em relação ao segundo - em causa, a escolha das palavras: "Fuck money / I don't rap for dead presidents / I'd rather see the president dead / It's never been said, but I set precedents".
Encore é um rapper no topo do mundo, sem nada a provar. A falta de ideias deixaria-o cinco anos longe das edições.
sexta-feira, 21 de março de 2014
[Jukebox de há dez anos] MGDRV
Os discos mais importantes de 2004 para os MGDRV:
1. Mos Def - The New Danger
2. The Roots - Tipping Point
3. Sagespectro - Sagespectro
4. Kanye West - The College Dropout
5. The Streets - A Grand Don't Come For Free
6. Dizzee Rascal - Showtime
7. Aïr - Talkie Walkie
8. Humanos - Humanos
9. Pluto - Bom Dia
10. Prodigy - Always Outnumbered, Never Outgunned
sábado, 22 de fevereiro de 2014
[Semana 10-02-04] Kanye West edita "The College Dropout"
The College Dropout marca o início de uma era, a era Kanye West, do excêntrico, do paranóico, do omnipresente, do génio. Num mundo dominado por um Jay-z, Eminem e, vá, 50 Cent, a estreia de Kanye não é uma pedrada no charco, mas chega para abanar os alicerces. Demorou anos a ser terminado, os mesmos em que Kanye foi dominando a produção de boa parte das melhores coisas que o hip hop fabricou no início da década dos zeros. A novidade aqui é o protagonismo que o produtor e agora rapper ganha no microfone, ainda que, de forma inteligente, tenha chamado muito boa gente para o ajudar nesse arte de cuspir palavras e rimas. É um Kanye diferente, globalmente respeitado, mas menos exposto. Confiante, mas sem excessos. De The College Droupout a Yeezus, apenas um problema: o facto de não conseguir comunicar para além das canções. Qual génio incompreendido.
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