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domingo, 27 de dezembro de 2015

[Os melhores álbuns de 2005] 4º - Antony and the Johnsons - I am a Bird Now


Podemos perder-nos em eventuais metáforas relativamente ao título e identidade do artista Antony Hegarty. "Sou um artista, um animista, transgénero, ateu e um mamífero", esclareceu em entrevista à Out, sete anos depois. Mas I Am a Bird Now não é apenas um enorme desabafo de Hegarty, é o disco mais emocional desde... bem, desde Funeral dos Arcade Fire, editado meses antes. Os vários convidados - alguns andróginos, todos singulares - Boy George, Lou Reed, Rufus Wainright e Devendra Banhart - dão uma ajuda numa obra que tem muito de poética e que se baseia essencialmente na voz e piano, quase jazz, muito Nina Simone. Se não choraram ao ouvi-lo são bem capazes de não ter coração.

sábado, 31 de outubro de 2015

O que aconteceu na semana de 26-10-2005?


Notícias:

- Os MTV EMAs acontecem pela 1ª vez em Lisboa.


- Antony And The Johnsons actuam no Coliseu dos Recreios, Seu Jorge na Aula Manga e Steve Vai na Casa da Música.

- Boss AC estreia o vídeo de "Hip Hop (Sou Eu e És Tu)" na PlayStation. Podia ser encontrado no menu de opções da Playstation Portátil, da Sony.


- Green Day levam os 9 minutos de "Jesus of Suburbia" ao Top of the Pops, tornando-se esta a actuação mais longa da história do programa.


- Ryan Adams actua no Late Show with David Letterman.


- Bob Geldof é nomeado Nobel Man Of Peace 2005.

Disco da Semana:

Wolfmother - Wolfmother 

Está longe de ser uma pedrada no charco, a estreia dos Wolfmother, mas não deixa de ser um dos melhores discos rock de 2005. O potencial radiofónico de Wolfmother prometia-lhes arenas cheias, não fosse o power trio desentender-se demasiado depressa. Riffs cantaroláveis e melodias redondas que resultavam em canções pop (sim, pop) claramente influenciadas por monstros como Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath e até, de forma, arriscamos, involuntária, White Stripes. Enquanto os Darkness prometiam o melhor disco de hardrock dos últimos muitos anos, os Wolfmother lembravam-nos que a Austrália, de tempos a tempos, oferece-nos uma belíssima banda de rock' n' roll sem espinhas - AC/DC e Tame Impala à cabeça. E a verdade é que os Wolfmother parecem ter vindo de uma máquina do passado, pois ninguém faz um disco assim sem ter perfeita noção que não se pode divorciar das suas influências.


Outras Edições: 

Rammstein - Rosenrot 
Carlos Santana - All That I Am 
Slipknot - 9.0: Live
Blink 182 - Greatest Hits
Sun Kil Moon - Tiny Cities
Deep Purpke - Rapture of the Deep

Citações com dez anos: 

- “Decidi tentar o celibato, pois ouvi dizer que ajuda na meditação e tentei a meditação porque disseram-me que ajudaria com a música." (Rivers Cuomo, líder dos Weezer)

- "Será a preto e branco e um pouco estranho, o que de certa forma é normal acontecer nos meus vídeos. Terá também um toque Série B." (Anton Corbijn, sobre o vídeo de "Talk", realizado para os Coldplay)


- "Se formos os Kaiser Chiefs do próximo ano, desisto [dos Arctic Monkeys]. Suponho que tenham vendido imensos discos, mas não gosto deles. São um bocado chatos." (Alex Turner)

- "A fama é um grande mito da nossa sociedade. Quase parece uma coisa em que tens que crer [para te sentires bem]. É como creres que vai para o paraíso, como dizeres para ti mesmo: "sou famoso, tudo vai ficar bem". (Jarvis Cocker)

- "As letras têm um toque romântico." (Marilyn Manson, anunciando um novo álbum, "The Golden Age Of Grotesque") 

domingo, 6 de setembro de 2015

O que aconteceu na semana de 31-08-2005?


Notícias:

- Vários músicos tentam ajudar as vítimas do Furacão Katrina: 

Velvet Revolver actuam na Florida com 100 por cento do valor do ingresso a reverter para a Cruz Vermelha; 

Hillary Duff, na altura #1 no Top BIllboard 200, doa $200,000 à Cruz Vermelha e $50,000 à USA Harvest. 

Os Pearl Jam doam uma porção dos lucros da 1ª data da digressão - com a participação especial de Robert Plant;

- Apple apresenta o iTunes Phone, um telefone capaz de reproduzir música. Steve Jobs compara-o ao iPod Shuffle.


- Los Hermanos actuam no Clube Lua e na Casa da Música e Andrew Bird no Lux Frágil.

- "I Am a Bird Now" de Antony And The Johnsons vence o Mercury Prize 2005.

- A HMV lança o HMV DIGITAL, um novo serviço de download de música. Diz Steve Knott, o Director Administrativo da empresa: "Numa altura em que o download ainda está a dar os primeiros passos, acreditamos que esta é a altura certa para criar uma presença da HMV neste mercado."

Disco da Semana: 

The Rolling Stones - A Bigger Bang

Dez anos depois, parecem-nos obsoletas as críticas que referiam que os Stones só teriam editado A Bigger Bang para cumprir apenas calendário discográfico e assim justificar mais uma digressão. Essencialmente, por dois motivos. Um: entretanto, a banda já embalou em mais duas digressões mundiais sem qualquer objecto musical para promover. Dois: o disco é enorme, bastaria metade para despachar um álbum. E está aqui um dos grandes problemas de A Bigger Bang: a duração. O outro é a falta de ideias que não justificam esta aparição já oito anos depois de Bridges to Babylon. Ironicamente, A Bigger Bang não se fez sentir.



Outras edições:

- Gogol Bordello - Gypsy Punks: Underdog World Strike
- The Rakes - Capture/Release
- OK Go - Oh No
- Shaggy - Clothes Drop

Citações com dez anos: 

- "Odeio a forma como nos têm tratado nos media. Quando vês uma família de negros diz-se que estão a roubar, quando vês uma família de brancos, dizem que estão à procura de comida. George W. Bush não quer saber dos negros." (Kanye West na NBC, referindo-se aos incidentes que se seguiram ao Katrina)

- "Estou com o Kanye West a 100%. Isto é a América. Tens que ter a liberdade de dizer o que que te apetecer." (JAY Z, relativamente à citação de West: " George W. Bush não quer saber dos negros")


quarta-feira, 3 de junho de 2015

O que aconteceu na semana de 01-06-2005?



Notícias: 

- Na sequência de uma das mais emotivas finais da UEFA Champions League, os fãs de Elvis Costello exigem ser reembolsados. Motivo: o artista, fervoroso adepto do Liverpool FC, só tocou depois da decisão das grandes penalidades.



- More Than a Thousand fazem digressão com Papa Roach no Reino Unido.

- The Kills, Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra e K-Os são confirmados no Sudoeste tmn.

- Antony And The Johnsons actuam no Coliseu dos Recreios, Billy Corgan e 3 Doors Down na Aula Magna e Giant Sand na Casa da Música.

Disco da Semana:

The White Stripes - Get Behind Me Satan

Eis os White Stripes, ainda seis anos antes do fim, nos píncaros do rock do século XXI, numa altura em que, todos os dias, se criavam dezenas de bandas dadas a revivalismo pós-punk. Elephant, de 2003, deu-nos "Seven Nation Army", principal responsável pelas grandes expectativas que giravam à volta de Get Behind Me Satan, canção que virou hino de estádio (literalmente), e essa outra "The Hardest Button to Button", que valeu imortalidade nos Simpsons. A ressaca de Elephant deu-lhes críticas mais frias do que as merecidas. Um álbum sem singles óbvios, dizia-se, como se fosse necessariamente mau. Numa crítica mais inspirada, um rapaz do Village Voice dizia que "de Lil Jon a Thom Yorke, a pop alimenta celebridades mais cool do que Jack White, cujos ideais estéticos é mais limitada que a técnica da Meg". No lado das verdades, dizia-se que Get Behind Me... é menos sumptuoso, menos rock e menos acessível.  Os anos e as mais variadas gimmicks (bandas, instrumentos, visuais) de White viriam a defendê-lo - como se preciso fosse.



Outros Álbuns Editados:

Coldplay - X&Y
Saint Etienne - Tales from Turnpike House
Dream Theater - Octavarium
Geri Halliwell - Passion
Isolée - We Are Monster
Anastacia - Anastacia
Ry Cooder - Chavez Ravine
Ringo Starr - Choose Love
Avenged Sevenfold - City & Evil
Fear Factory - Demanufacture
Shakira - Fijación Oral Vol. 1
Black Eyed Peas - Monkey Business
MxPx - Panic
Tom Zé - Estudando o Pagode

Citações Com Dez Anos: 

- "O sapo provoca-me urticaria. Devíamos cortar-lhe as pernas e servi-lo num restaurante. O que estou eu a dizer? Adoramo-lo." (Chris Martin, relativamente a "Crazy Frog")

- "Nos 70s e 80s havia essa moda de colocar mensagens satânicas escondidas nas canções. Quisemos fazer o oposto: colocar coisas positivas escondidas nas músicas. Há uma no álbum, no início do segundo verso da «Michael»" (Alex Kapranos)

- "Percebemos que estávamos apaixonados no momento em que nos conhecemos. (Jack White, sobre o casamento com Karen Olsen)

-  "[O Glastonbury] ofereceu-nos um lugar como cabeças de cartaz, mas recusámos. Somos uma banda com pouco mais de um ano. Não merecemos, só temos um álbum." (Ronnie Vannucci, baterista dos The Killers)

- “Será um glorioso falhanço para todos os envolvidos." (Bob Geldof, antecipando as eventuais (não) mudanças provocadas pelo Live 8, no encontro dos G8, na Escócia)

sábado, 31 de janeiro de 2015

[Semana 26-01-05] Antony and the Johnsons editam "I Am a Bird Now"


Podemos perder-nos em eventuais metáforas relativamente ao título e identidade do artista Antony Hegarty. "Sou um artista, um animista, transgénero, ateu e um mamífero", esclareceu em entrevista à Out, sete anos depois. Mas I Am a Bird Now não é apenas um enorme desabafo de Hegarty, é o disco mais emocional desde... bem, desde Funeral dos Arcade Fire, editado meses antes. Os vários convidados - alguns andróginos, todos singulares - Boy George, Lou Reed, Rufus Wainright e Devendra Banhart - dão uma ajuda numa obra que tem muito de poética e que se baseia essencialmente na voz e piano, quase jazz, muito Nina Simone. Se não choraram ao ouvi-lo são bem capazes de não ter coração.