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domingo, 27 de dezembro de 2015

[Os melhores álbuns de 2005] 4º - Antony and the Johnsons - I am a Bird Now


Podemos perder-nos em eventuais metáforas relativamente ao título e identidade do artista Antony Hegarty. "Sou um artista, um animista, transgénero, ateu e um mamífero", esclareceu em entrevista à Out, sete anos depois. Mas I Am a Bird Now não é apenas um enorme desabafo de Hegarty, é o disco mais emocional desde... bem, desde Funeral dos Arcade Fire, editado meses antes. Os vários convidados - alguns andróginos, todos singulares - Boy George, Lou Reed, Rufus Wainright e Devendra Banhart - dão uma ajuda numa obra que tem muito de poética e que se baseia essencialmente na voz e piano, quase jazz, muito Nina Simone. Se não choraram ao ouvi-lo são bem capazes de não ter coração.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

[Os melhores álbuns de 2005] 6º - Devendra Banhart - Cripple Crow


Cripple Crow sucede os duplos projectos discográficos de 2002 (The Charles C. Leary e Oh Me Oh My) e 2004 (Rejoicing Hands e Niño Rojo) e confirma Devendra Banhart como um dos mais brilhantes escritores de canções da sua geração. A capa a la Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band antecipa a aventura épica de 22 canções, recheada de colaboradores e que bebe dos quatro cantos do mundo, Portugal incluído na célebre "Pensando Enti". Mais Cripple Crow é muito mais, é uma homenagem aos aos 50 (bossa nova, o Brasil) e 60 (a folk, os Beatles, Nick Drake, a pose hippie, John Fahey). É a maturidade aos 24, até ver insuperável.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

[Os melhores álbuns de 2005] 29º - Vashti Bunyan - Lookaftering



A grande diferença de Just Another Diamond Day, de 69, para este Lookaftering, de 2005, estará na experiência, na vida de Vashti Bunyan, e não tanto nas canções. A voz não envelheceu significativamente, as canções não mudaram, as histórias sim, são de uma mulher vivida. A história, bonita: disco editado no final da década de 60 que não vendeu, mas, no início da primeira década do século XXI, atingiu um estatuto de culto junto da afamada freak-folk, de Devendra Banhart a Joanna Newsom, passando pelos Animal Collective. São canções de uma folk sem tempo, que poderiam ser editadas hoje, há dez ou há 46 anos. Uma bonita história, a da calejada Vashti Bunyan.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O que aconteceu na semana de 09-11-2005?


Notícias: 

- Underworld dão início ao The RiverRun Project, com o "Lovely Broken Thing", o primeiro de vários registos editados online. A banda refere que "a ideia será apresentar uma alternativa ao modo tradicional de editar novo material".


- Devendra Banhart actua na Aula Magna e Patrice no Coliseu dos Recreios.

Disco da Semana: 

Madonna - Confessions on a Dancefloor

Depois de, American Life, disco político relativamente falhado, Madonna "fecha-se" no estúdio caseiro de Stuart Price, homem com credenciais na área techno, que ajuda a Rainha a desenhar nova metamorfose com a máquina do tempo apontada para a década em que a artista foi mais feliz: 1980. Mas, curiosamente, arranca na de 70, com o grande acontecimento e, provavelmente, principal motivo pelo qual Confessions on a Dancefloor será lembrado: o sample de "Gimme! Gimme! Gimme!", dos Abba. O acontecimento é isso mesmo, um verdadeiro acontecimento, porque os Abba raramente cedem a este tipo de pedidos, mas a admiração é mutua e os suecos lá terão cedido à carta que a cantora fez questão de remeter para a Escandinávia. É então uma Madonna em estado de graça, uma última vez, a escalar topes, antes do bloqueio criativo que a faria imitar as novas princesinhas (ou não) da pop, as que vão capitalizando a Internet. Com o tempo, Madonna foi premeditando as suas mudanças, já aqui o fazia. Mas aqui fazia-o bem.




Outras Edições: 

- Bright Eyes - Motion Sickness
- Sun Kil Moon - Tiny Cities
- Menomena - Under an Hour
- Jack Rose - Kensington Blues
- The Mars Volta - Scrabdates
- P.O.D. - The Warriors EP, Volume 2
- Babyshambles - Down in Albion
- Green Day - Bullet in a Bible

Citações com dez anos: 

- "Comprei o nosso próprio álbum a um tipo que o estava a vender no eBay por 350 libras. Está codificado, pelo que vamos descobrir de onde vem o leak. Quem o fez, não sairá impune." (Justin Hawkins, vocalista dos The Darkness)

- "Não me interpretem mal, eu até gosto um bocadinho dos Franz Ferdinand e dos Kaiser Chiefs, mas os Bloc Party são terríveis. Nenhum deles está a tentar ser a melhor banda do mundo, é apenas lixo indie." (Noel Gallagher)

- "Temos uma relação muito boa. As pessoas gostam de me imaginar a mim e ao Paul McCartney num ringue de boxe, a destruir-nos um ao outro. De outra forma, torna-se desinteressante. As mesmas pessoas fazem-no para escapar ao mundo horroroso que habitam." (Yoko Ono)

- "Vamos levar o nosso tempo, este ano foi enorme para nós e será bom medir o que nos aconteceu, ao invés de avançar já para um novo álbum à pressa." (Billie Joe Armstrong)

- "Achamos que será um daqueles discos seminais da história musical britânica." (Drew McConnell, baixista dos Babyshambles, sobre o disco que se preparavam para editar "Down in Albion")

- “É facilmente o nosso melhor material e, paralelamente, o mais áspero. É agressivo, mostra o que é ser Americano nos dias que correm." (Eddie Vedder, sobre um novo álbum dos Pearl Jam)

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

[Semana 07-09-05] Devendra Banhart edita "Cripple Crow"



Cripple Crow sucede os duplos projectos discográficos de 2002 (The Charles C. Leary e Oh Me Oh My) e 2004 (Rejoicing Hands e Niño Rojo) e confirma Devendra Banhart como um dos mais brilhantes escritores de canções da sua geração. A capa a la Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band antecipa a aventura épica de 22 canções, recheada de colaboradores e que bebe dos quatro cantos do mundo, Portugal incluído na célebre "Pensando Enti". Mais Cripple Crow é muito mais, é uma homenagem aos aos 50 (bossa nova, o Brasil) e 60 (a folk, os Beatles, Nick Drake, a pose hippie, John Fahey). É a maturidade aos 24, até ver insuperável.

sábado, 12 de setembro de 2015

O que aconteceu na semana de 07-09-2005?


Notícias:

- Acontece o "ReAct Now: Music And Relief", evento de 4 horas que juntou, em várias cidades norte-americanas, artistas como Coldplay, Beck, Red Hot Chili Peppers, Green Day, Trent Reznor e Kanye West para arrecadar fundos para as vitimas do Furacão Katrina.



- O novo vídeo da Make Poverty History, que conta com personalidades como Bono, Brad Pitt, Justin Timberlake ou Jamie Foxx, é banido das televisões e rádios norte-americanas. Isto porque para a Ofcom, regulador dos media, considerou que o vídeo passava uma mensagem política.



Disco da Semana:

Sigur Ros - Takk...

Não percebemos uma palavra de Takk..., quarto disco dos islandeses Sigur Ros, mas esta música onírica, épica e emocional toca-nos, como nos tinha tocado meses antes o álbum de estreia dos Arcade Fire. Há alguns pontos de contacto: o tom emocional, as cordas, as canções em crescendo e a relação próxima da catarse que estabelecem com o público, por exemplo. Não percebemos uma palavra, não é necessário, os Sigur Ros levam-nos à Islândia gélida e aparentemente longínqua. Parece mesmo de outro mundo, que a banda vem de outro planeta. E este é o melhor elogio que lhes podemos fazer.



Outras edições:

dEUS - Pocket Revolution
Paul McCartney - Chaos and Creation in the Backyard
Devendra Banhart - Cripple Crow
Simple Minds - Black & White 050505
Damian Marley - Welcome to Jamrock
Clap Your Hands Say Yeah - Clap Your Hands Say Yeah
Soulfly - Dark AgesxThe
Dandy Warhols editam  - Odditorium or Warlords of Mars
Institute - Distort Yourself
The Fray - How To Save a Life
Pussycat Dolls - PCD
Lil' Kim - The Naked Truth
Tracy Chapman - Where You Live

Citações com dez anos:

- "Na falta de um verdadeiro líder, não nos podemos esquecer que continuamos juntos. Os corações estão doentes e são as consciências que têm que mudar. Esperamos que esta canção inspire, conforte e lembre que este negrume não resistirá se trabalharmos todos juntos." (TV On The Radio sobre a nova canção "Dry Drunk Emperor")



- "Quando as pessoas querem muito uma coisa, ela acontece. E as pessoas querem muito que eu regresse. Estou a tentar aguentar-me, mas não sei quanto mais tempo resistirei." (Jay-z)

sábado, 31 de janeiro de 2015

[Semana 26-01-05] Antony and the Johnsons editam "I Am a Bird Now"


Podemos perder-nos em eventuais metáforas relativamente ao título e identidade do artista Antony Hegarty. "Sou um artista, um animista, transgénero, ateu e um mamífero", esclareceu em entrevista à Out, sete anos depois. Mas I Am a Bird Now não é apenas um enorme desabafo de Hegarty, é o disco mais emocional desde... bem, desde Funeral dos Arcade Fire, editado meses antes. Os vários convidados - alguns andróginos, todos singulares - Boy George, Lou Reed, Rufus Wainright e Devendra Banhart - dão uma ajuda numa obra que tem muito de poética e que se baseia essencialmente na voz e piano, quase jazz, muito Nina Simone. Se não choraram ao ouvi-lo são bem capazes de não ter coração.  

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

[Os melhores álbuns de 2004] 19º - Devendra Banhart - Rejoicing Hands / Nino Rojo


Seria difícil situar a "New Weird America" no tempo se não fosse pela famosa capa da Wire, a de Agosto de 2003. Assim, numa das (mais de) 1001 caras da publicação de referência, David Keenan antecipava os anos de ouro do género - Devendra Banhart editaria Rejoicing Hands (primeira parte de um projecto maior que só terminaria meses depois, com Niño Rojo) e, um ano depois, a obra-prima Cripple Crow. Rejoicing Hands, que conta com Michael Gira na produção, é um dos pilares de um género que, apesar da magnifica história que o originou, nasceu com os dias contados. Ainda assim, entre 2003 e 2000 e qualquer coisa, Joanna Newsom, as CocoRosie e os Wooden Wand ainda teriam algo a acrescentar. 

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

[Semana 15-09-04] Devendra Banhart edita "Nino Rojo"


Ouvimos Devendra Banhart a cantar sobre pardais e, mesmo que vislumbremos a metáfora inerente, não nos custa imaginar o ex de Natalie Portman a compor no meio da floresta. Não custa, pois, olhar para Banhart como um hippie fora de horas, fora do contexto que uma nova vaga de pares haveria de corrigir. Afinal havia espaço para este O.V.N.I. de letras desregradas e aspecto físico aparentemente descuidado. As canções parecem ter sido gravadas ao primeiro take, de forma despreocupada, e versam sobre macacos, caranguejos, tartarugas, corvos e porcos. Tudo muito muito bem humorado e metaforizado, apenas acompanhado com uma guitarra acústica várias vezes dedilhada. Nino Rojo é a segunda parte do projecto que havia começado com Rejoicing in the Hands, mas a exibição é boa ao longo das duas metades. Sem oscilações, como um jogador extremamente regular.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

[Semana 05-05-04] Devendra Banhart edita "Rejoicing Hands"


Seria difícil situar a "New Weird America" no tempo se não fosse pela famosa capa da Wire, a de Agosto de 2003. Assim, numa das (mais de) 1001 caras da publicação de referência, David Keenan antecipava os anos de ouro do género - Devendra Banhart editaria este Rejoicing Hands (primeira parte de um projecto maior que só terminaria meses depois, com Niño Rojo) e, um ano depois, a obra-prima Cripple Crow, e Joanna Newsom arranjaria forma de não soar aborrecida com o excelente Vs, já em 2006. Rejoicing Hands, que conta com Michael Gira na produção, é um dos pilares de um género que, apesar da magnifica história que o originou, nasceu com os dias contados. Ainda assim, entre 2003 e 2000 e qualquer coisa, as CocoRosie e os Wooden Wand ainda teriam algo a acrescentar. 

sábado, 1 de junho de 2013

[Jukebox de há dez anos] The Joy of Nature


2003 foi o ano em que saiu o primeiro álbum de The Joy of Nature and Discipline, mas não estava a ouvir nada semelhante a esse disco (aliás, o disco foi composto, principalmente, em 1999 e 2000). Em 2003 dediquei-me essencialmente a aquarelle, o projecto musical que nunca conseguiu realmente ter as oportunidades que possivelmente merecia. Foi também um ano que ficou para sempre gravado na memória, um daqueles anos em que houve acontecimentos que haviam de marcar todos os anos subsequentes.

Os dez discos mais importantes de 2003 para The Joy of Nature: 

1. David Sylvian - Belmian


A primeira vez que ouvi o Blemish [a reacção] foi: “Mas que raio? O que está este gajo agora a fazer?”. Não foi um disco que tenha entrado à primeira, mas tornou-se num dos preferidos e ouvi-o vezes sem conta durante um Verão.

2. Swans – Forever Burned


Este disco não é nem uma reedição nem uma compilação: contém por inteiro o álbum The Burning World e algumas faixas de discos que saíram quase pela mesma altura, como a obra-prima White Light from the Mouth of Infinity. Contém a “Song for the Sun” que foi a primeira música que deles ouvi – com 15 ou 16 anos – num programa do Nuno Galopim. Swans... Há mais de 20 anos que os oiço regularmente.

3. Nurse With Wound – Salt Marie Celeste


Gosto mais dos discos de drones de Nurse With Wound do que daqueles mais ligados às colagens e ao surrealismo. Este disco é constituído por uma única faixa com cerca de uma hora de duração em que se sente e vê um navio fantasma à deriva. A história do navio Marie Celeste é extremamente interessante e este disco leva-nos lá.

4. The Shipping News – Three-Four


Foi o primeiro disco que associei a 2003. Ouvia-o vezes sem conta no trabalho, numa altura bastante especial em que não me podia queixar de monotonia emocional. E são emoções que este disco traz, como a intensidade em crescendo da “Haunted On Foot” ou o coração quase a explodir na “We Start to Drift”. É o disco que mais me transporta de regresso a 2003.

5. Espers – Espers


Ao mesmo tempo que Devendra Banhart começava a ganhar popularidade e a folk psicadélica voltava a ser reavivada por novos hippies, surge um dos melhores exemplos desta nova vaga. Foi um disco inspirado e inspirador e trouxe à luz do dia uma série de instrumentos acústicos que deviam estar escondidos em algum sótão. 

6. Dean Roberts – Be Mine Tonight


Como se faz música assim? Parece desestruturada, complexa, mas terrivelmente emocional. Aqui não há nada fingido. Ouvi muito este disco na mesma fase em que descobri o cinema dos irmãos Quay.

7. Piano Magic – The Troubled Sleep of Piano Magic


Há aqui uma canção que faz toda a diferença – “The Unwritten Law”. Sempre que ouvia o disco, colocava esta canção em repeat. Mais uma vez, a relação terrível entre a tristeza e a beleza.

8. Bonnie Prince Billy – Master and Everyone


Voz e guitarra. Com canções como “The Way” não é preciso mais nada. Todas as canções são boas, mas bastava essa, que era exactamente o que me apetecia dizer na altura.

9. Barzin - Barzin


Geralmente não gosto de música tão doce e "tristinha" como a que está neste disco. Mas as canções deste disco são demasiado boas e fazem-me esquecer isso. E versos como Are you building a house/With these broken plans diziam-me muito. E a cereja no topo do bolo é a última faixa – “Sleep” que influenciou directamente o trabalho de aquarelle.

10. The Strokes – Room On Fire


2003 foi realmente o ano dos Strokes e este disco fez-me voltar a sentir como se tivesse 16 anos novamente.