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sábado, 23 de janeiro de 2016

O que aconteceu na semana de 18-01-2005?


Notícias: 

- Cartaz do Coachella é anunciado. Cabeças de cartaz: Depeche Mode, Tool, Daft Punk e Madonna;

- All Saints reúnem-se.

Disco da Semana: 

Cat Power - The Greatest

Como é que um disco tão inspirado nos anos 60 e 70 acabou por ganhar um estatuto de clássico de culto em 2006? Da mesma forma que os Franz Ferdinand sacaram o mais celebrado disco de 2004: com grandes canções. É claro que as letras oriundas de um coração despedaçado foram importantes e muitos terão sido os que se reviram nas letras de The Greatest. O álbum de Cat Power conservava o som da soul sulista de Memphis que celebrizou a Stax Records e foi gravado na cidade – nos Ardent Studios, onde tinham gravado Al Green e Booker T & the MG’s. Entre os colaboradores de The Greatest contavam-se Mabon “Teenie” Hodges, que tinha tocado com com Al Green, e o baixista Leroy “Flick” Hodges, que tinha trabalhado com Booker T. & the MGs. A consciência não retirou a imprevisibilidade a Cat Power em The Greatest, provavelmente o mais arriscado (diferente de tudo o que tinha feito anteriormente) e acessível disco de Chan Marshall. E talvez também o seu melhor – The Greatest.

Bonnie Prince Billy / Tortoise - The Brave and the Bold
Robert Pollard - From a Compound Eye
Richard Ashcroft - Keys To the World

Citações com dez anos:

“Os Blur foram uma coisa de miúdos. Não estou em contacto com o Damon Albarn e, até ver, não me arrependo minimamente." (Graham Coxon)

- "Vão ouvir música nova este ano." (Slash)

. "Não falo com o Slash há dez anos. Adoro-o e sempre quis que o mundo soubesse o quão incrível ele é, mas...". (Axl Rose)

- "É o Ano Chinês do cão, mas, na indústria musical, 2006 vai ser o Ano do Macaco." Gennaro Castaldo, especialista em tabelas de vendas)

Obituário: 

- Wilson Pickett, lenda soul da Stax Records.  Entre os grandes clássicos do artista encontram-se "Mustang Sally" e "In the Midnight Hour".

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

O que aconteceu na semana de 15-11-2005?


Notícias: 

- Salvatore Acquaviva, um desconhecido escritor de canções belga, ganha o caso em que acusa Madonna de o ter plagiado em "Frozen". A canção da Rainha da pop ficava então proibida de ser transmitida ou vendida na Bélgica.



- Coldplay e Busta Rhymes actuam no Pavilhão Atlântico, Sigur Rós e Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra no Coliseu dos Recreios, Mercury Rev no Centro Cultural de Belém, Donavon Frankenreiter na Aula Magna e Boney M. e Vllage People na Noite Disco Fever.

Disco da Semana:

System of a Down - Hypnotize

Em 2005, o duplo Mesmerize/Hypnotize soou a uma enorme injustiça para com Daron Malakian, ele que terá sido o grande responsável por tudo o que ouvimos aqui. Os fãs adoram-no, mas os críticos apontam: devia ter continuado de boca fechado, tem demasiado protagonismo nesta ambiciosa investida. Percebemos que prefiram ouvir Serj Tankian, claro, é incomparavelmente melhor voz, mas Malakian não se sai assim tão mal e as baboseiras que vai cuspindo acabam por contribuir para uma das características que contribui para a impressão digital dos System of a Down (SOAD): humor. Independentemente das muitas coisas políticas que são ditas em Mesmerize e Hypnotize, o humor é omnipresente. E quanto mais estapafúrdio, mais político. É o último disco dos SOAD e nem vale a pena referir o nu-metal que a determinada altura lhes foi associado. Hypnotize mistura vários estilos sim, como o punk de "Kill Rock 'n Roll" e o trash metal de "Attack", passando por baladas como "Lonely Day". O ambicioso passo acabou por ser bem medido, os dois discos separados por seis meses acabaram por lhes dar protagonismo ao longo dos 12 meses de 2005. Dominaram o ano.



Outras Edições: 

Fort Minor - The Rising Tied 
Bonnie Prince Billy - Summer in the Southeast 
Mike Ladd - Father Divine
Chamillionaire - The Sound of Revenge
Queens of the Stone Age - Over the Years and Through the Woods

Citações com dez anos:

- "Ouvi uma voz na minha cabeça que dizia: "fá-lo, fá-lo, fá-lo!". E, quando [Lennon] passou por mim, puxei a arma, apontei as costas dele e apertei o gatilho 5 vezes." (Mark Chapman, assassino de John Lennon)

- "Antes de mais, [o Pete Doherty] não faz rock. Em segundo lugar, ele só vende discos porque as pessoas têm curiosidade em saber a que soa um junkie." (Justin Hawkins, vocalista dos The Darkness)

- "Estamos a ficar sem coisas para fazer, sem sítios para tocar e sem ar para respirar. Ainda assim, sentimo-nos melhor do que nunca." (Jack White, sobre os The White Stripes)

Obituário: 

- Link Wray, o inventor do power chord, morre aos 76 anos, em Copenhaga. devido a insuficiência cardíaca.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

[Jukebox de há dez anos] Dear Telephone


Não são dez, mas sim 12. Três por cada membro dos bracarenses Dear Telephone.

Os discos mais importantes de 2003 para André Simão:

The Books - The Lemon Of Pink 


Um manifesto de liberdade formal, lirismo descontrolado e descomprometido.

Robert Wyatt - Cuckooland


O regresso inspirado deste monstro das canções. Lembro-me da imensa expectativa em torno do disco. Marcou-me especialmente pela ponte delicada entre o jazz e o singer-songwriting.

Two Banks of Four - Three Street Worlds


Do meio do turbilhão irrelevante de bandas e compilações de future jazz – como tão indigentemente lhe chamavam – despontavam estes rapazes, com um disco verdadeiramente coeso, urbano, tenso e entusiasmante.

Os discos mais importantes de 2003 para Graciela Coelho:

Gillian Welch - Soul Journey


Conjunto de viagens cruas e quentes. Beleza e rudeza, de mãos dadas.

Belle and Sebastian - Dear Catastrophe Waitress


Álbum maior da banda: melodias fortíssimas e arranjos maravilhosos. Uma espécie de encontro imediato entre Beach Boys, Stone Roses e Kronos Quartet.

Arab Strap - Monday at the Hug & Pint


Amor, sexo e relações falhadas, com sotaque escocês. Guitarras, beats maquinais, lirismo extremo à Oscar Wilde em dia mau.

Os discos mais importantes de 2003 para Pedro Oliveira:

Bonnie Prince Billy – Master and Everyone


Um dos maiores cantautores dos nossos tempos, peculiar, fazedor de canções simples e tocantes. Um dos discos que mais ouvi até hoje. Canção que destaco: "The Way".

Manitoba – Up in Flames


Inquietante, super rico rítmica e estruturalmente. Um dos discos que me fez despertar para construções fora do convencional. Abriu o meu caminho para os Manitoba e Daphni. Canção que destaco: "Jacknuggeted".

Mark Lanegan – Here comes that wierd Chill


Senhor de uma das vozes mais ímpares de rock mundial. Musicalmente duro e rude é um disco "back to the basics". Canção que destaco: "Wish you well".

Os discos mais importantes de 2003 para Ricardo Cibrão:

 Howe Gelb - The Listener




Foi o meu álbum de entrada para o mundo Gelb. Desconcertante porque é simples e excitante porque é duro e honesto.

Chris Brokaw - Wandering as Water


Este disco é discreto como o percurso de mais de 20 anos de anonimato de Brokaw na música americana. Foi o segundo álbum a solo e revelou a sua faceta mais trovadoresca.


Calexico - Feast of Wire




Talvez o álbum mais coeso de toda a discografia da banda. As canções de antologia, a mistura de géneros e de texturas e a afirmação de Burns como tenor (deixando para trás alguma da timidez que caracterizou os seus registos anteriores), fizeram deste, um disco absolutamente memorável.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

[Jukebox de há dez anos] Cão da Morte


O Verão está a acabar, mas não deixamos o cabrão morrer sem a lista daquele que em Março de 2013 anunciou o seu fim.

Os discos mais importantes de 2003 para Cão da Morte:

 1. Bonnie "Prince" Billy - Master And Everyone


2. Outkast - Speakerboxxx


3. Nick Cave and the Bad Seeds - Nocturama


4. Robert Wyatt - Cuckooland


5. Lightning Bolt - Wonderful Rainbow


6. Los Hermanos - Ventura


7. Tiago Guillul - Mais Dez Fados Religiosos


8. Yo La Tengo - Summer Sun


9. M. Ward - Transfiguration Of Vincent


10. Britney Spears - In The Zone

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

[Jukebox de há dez anos] Electric Willow

Embora os álbuns sejam gravados em formato banda, os Electric Willow são o projecto de Cláudio Mateus. A já vasta discografia preenchida por referências sulistas já cria raízes desde esse longínquo 2006 e pode ser ouvida aqui.

Os discos mais importantes de 2003 para Electric Willow:


1. John Cale – Hobosapiens


Mais um grande disco do pai do avant-garde.  A música e a melancolia da voz do John Cale sempre me tocaram muito. Estive no concerto de apresentação deste álbum na Aula Magna…memorável.

2. Bonnie “Prince” Billy – Master and everyone 


Este disco é talvez o mais delicado e intimista de um dos songwriters americanos de que mais gosto. Tive o privilégio de o ouvir a cantar as canções deste álbum num concerto inesquecível numa discoteca em Matosinhos.

3. My Morning Jacket  - It Still Moves


Este é o meu disco preferido da banda de Jim James, é um desfilar de grandes canções por uma das maiores bandas de rock da actualidade.

4. Magnolia Electric Co. - Songs: Ohia 


O primeiro disco do genial Jason Molina com os fabulosos  Magnolia Electric Co, banda que o acompanhou até ao fim. O desaparecimento de Molina aos 40 anos foi a maior das  perdas.

5. Fausto  – “A Ópera Mágica do Cantor Maldito”


Este foi o muito esperado regresso de Fausto aos discos de originais, nove anos  depois do Crónicas da Terra Ardente. Lembro-me da grande emoção que foi assistir à apresentação deste disco no Coliseu do Porto, a primeira vez que vi o nosso grande Fausto ao vivo.

6. Milton Nascimento  - Pietá


A critica dava 5 estrelas a este álbum.  Eu não conheço nenhum disco do Milton Nascimento que não mereça as 5 estrelas…é um monstro sagrado da música.

7. Neil Young and Crazy Horse – Greendale


Um dos meus músicos preferidos de sempre que se junta mais uma vez aos fiéis Crazy Horse para conceberem esta pequena ópera rock em dez canções onde  é contada história da família Green.


8. Smog – Supper


Gosto de tudo o que o Bill Callahan faz, é sem dúvida um dos músicos actuais que mais admiro e este disco um dos que mais ouço.

9. The Fall - The Real New Fall LP (Formerly Country on the Click)



Continuo um fiel seguidor de Mark E. Smith. Trinta álbuns de originais e meia centena de músicos que já passaram pela sua  banda, e a qualidade da música está sempre lá. É caso para dizer que The Fall não enganam

10. Sun Kil Moon – Ghosts of the Great Highway


É o primeiro álbum do novo projecto de Mark Kozelek, depois da extinção dos seus brilhantes Red House Painters. Este disco retoma tudo o que Mark Kozelek tem  de melhor, a voz rara, as melodias irresistíveis e a lírica perfeita.

sábado, 1 de junho de 2013

[Jukebox de há dez anos] The Joy of Nature


2003 foi o ano em que saiu o primeiro álbum de The Joy of Nature and Discipline, mas não estava a ouvir nada semelhante a esse disco (aliás, o disco foi composto, principalmente, em 1999 e 2000). Em 2003 dediquei-me essencialmente a aquarelle, o projecto musical que nunca conseguiu realmente ter as oportunidades que possivelmente merecia. Foi também um ano que ficou para sempre gravado na memória, um daqueles anos em que houve acontecimentos que haviam de marcar todos os anos subsequentes.

Os dez discos mais importantes de 2003 para The Joy of Nature: 

1. David Sylvian - Belmian


A primeira vez que ouvi o Blemish [a reacção] foi: “Mas que raio? O que está este gajo agora a fazer?”. Não foi um disco que tenha entrado à primeira, mas tornou-se num dos preferidos e ouvi-o vezes sem conta durante um Verão.

2. Swans – Forever Burned


Este disco não é nem uma reedição nem uma compilação: contém por inteiro o álbum The Burning World e algumas faixas de discos que saíram quase pela mesma altura, como a obra-prima White Light from the Mouth of Infinity. Contém a “Song for the Sun” que foi a primeira música que deles ouvi – com 15 ou 16 anos – num programa do Nuno Galopim. Swans... Há mais de 20 anos que os oiço regularmente.

3. Nurse With Wound – Salt Marie Celeste


Gosto mais dos discos de drones de Nurse With Wound do que daqueles mais ligados às colagens e ao surrealismo. Este disco é constituído por uma única faixa com cerca de uma hora de duração em que se sente e vê um navio fantasma à deriva. A história do navio Marie Celeste é extremamente interessante e este disco leva-nos lá.

4. The Shipping News – Three-Four


Foi o primeiro disco que associei a 2003. Ouvia-o vezes sem conta no trabalho, numa altura bastante especial em que não me podia queixar de monotonia emocional. E são emoções que este disco traz, como a intensidade em crescendo da “Haunted On Foot” ou o coração quase a explodir na “We Start to Drift”. É o disco que mais me transporta de regresso a 2003.

5. Espers – Espers


Ao mesmo tempo que Devendra Banhart começava a ganhar popularidade e a folk psicadélica voltava a ser reavivada por novos hippies, surge um dos melhores exemplos desta nova vaga. Foi um disco inspirado e inspirador e trouxe à luz do dia uma série de instrumentos acústicos que deviam estar escondidos em algum sótão. 

6. Dean Roberts – Be Mine Tonight


Como se faz música assim? Parece desestruturada, complexa, mas terrivelmente emocional. Aqui não há nada fingido. Ouvi muito este disco na mesma fase em que descobri o cinema dos irmãos Quay.

7. Piano Magic – The Troubled Sleep of Piano Magic


Há aqui uma canção que faz toda a diferença – “The Unwritten Law”. Sempre que ouvia o disco, colocava esta canção em repeat. Mais uma vez, a relação terrível entre a tristeza e a beleza.

8. Bonnie Prince Billy – Master and Everyone


Voz e guitarra. Com canções como “The Way” não é preciso mais nada. Todas as canções são boas, mas bastava essa, que era exactamente o que me apetecia dizer na altura.

9. Barzin - Barzin


Geralmente não gosto de música tão doce e "tristinha" como a que está neste disco. Mas as canções deste disco são demasiado boas e fazem-me esquecer isso. E versos como Are you building a house/With these broken plans diziam-me muito. E a cereja no topo do bolo é a última faixa – “Sleep” que influenciou directamente o trabalho de aquarelle.

10. The Strokes – Room On Fire


2003 foi realmente o ano dos Strokes e este disco fez-me voltar a sentir como se tivesse 16 anos novamente.