- Os U2 dominam a 46ª edição dos Grammys e levam 5 prémios: "Album Of The Year, "Best Rock Album", "Best Rock Song", "Song Of The Year" e "Best Vocal Rock Performance".
- Madonna e Gorillaz actuam nos Grammys.
- Jay-z, Linkin Park e Paul McCartney actuam nos Grammys.
- Deftones anunciam concerto no Super Bock Super Rock.
- Roger Waters e Red Hot Chili Peppers anunciam presença no Rock in Rio Lisboa.
- Arctic Monkeys anunciam actuação no Paradise Garage.
Edições:
The Knife - Silent Shout
Battles - EP C / B EP
Joana Machado - CRUde
Loosers - Bully Bones of Belgie
Notícias: - Cartaz do Coachella é anunciado. Cabeças de cartaz: Depeche Mode, Tool, Daft Punk e Madonna;
- All Saints reúnem-se.
Disco da Semana: Cat Power - The Greatest
Como é que um disco tão inspirado nos anos 60 e 70 acabou por ganhar um estatuto de clássico de culto em 2006? Da mesma forma que os Franz Ferdinand sacaram o mais celebrado disco de 2004: com grandes canções. É claro que as letras oriundas de um coração despedaçado foram importantes e muitos terão sido os que se reviram nas letras de The Greatest. O álbum de Cat Power conservava o som da soul sulista de Memphis que celebrizou a Stax Records e foi gravado na cidade – nos Ardent Studios, onde tinham gravado Al Green e Booker T & the MG’s. Entre os colaboradores de The Greatest contavam-se Mabon “Teenie” Hodges, que tinha tocado com com Al Green, e o baixista Leroy “Flick” Hodges, que tinha trabalhado com Booker T. & the MGs. A consciência não retirou a imprevisibilidade a Cat Power em The Greatest, provavelmente o mais arriscado (diferente de tudo o que tinha feito anteriormente) e acessível disco de Chan Marshall. E talvez também o seu melhor – The Greatest.
Bonnie Prince Billy / Tortoise - The Brave and the Bold
Robert Pollard - From a Compound Eye
Richard Ashcroft - Keys To the World
Citações com dez anos:
“Os Blur foram uma coisa de miúdos. Não estou em contacto com o Damon Albarn e, até ver, não me arrependo minimamente." (Graham Coxon)
- "Vão ouvir música nova este ano." (Slash)
. "Não falo com o Slash há dez anos. Adoro-o e sempre quis que o mundo soubesse o quão incrível ele é, mas...". (Axl Rose)
- "É o Ano Chinês do cão, mas, na indústria musical, 2006 vai ser o Ano do Macaco." Gennaro Castaldo, especialista em tabelas de vendas)
Obituário:
- Wilson Pickett, lenda soul da Stax Records. Entre os grandes clássicos do artista encontram-se "Mustang Sally" e "In the Midnight Hour".
Notícias:
- Os Grateful Dead pedem ao website archive.org para parar de disponibilizar concertos gravados pelos fãs para download gratuito. Os fãs protestam, acusando a banda de traição, recordando que os próprios Grateful Dead sempre encorajaram os fãs a gravar os concertos e a trocar cassetes e CDs de borla.
- Lil Wayne actua com Robin Thicke (pré-"Blurred Lines) no Tonight Show.
- dEUS actuam na Aula Magna e ao Pavilhão Atlântico sobem os Black Eyed Peas, que celebram a vitória do Sport Lisboa e Benfica perante o Manchester United.
Disco da Semana: Korn - See You on the Other Side
A mudança vinha sendo anunciada há algum tempo, mas só se confirmaria com este See You on the Other Side. Basta olhar para os créditos: com The Matrix (Avril Lavigne, Britney Spears, uma armada pop no CV) e Atticus Ross (Nine Inch Nails) na produção, e sem Brian "Head" Welch na guitarra. E depois, o vídeo de "Twisted Transistor", com Xzibit, Lil Jon, David Banner e Snoop Dogg como protagonistas, profanação para os fãs metaleiros, enterro com pompa e circunstância do finalmente proscrito nu-metal. Nota-se a influência dos Nine Inch Nails, os apontamentos industriais percorrem o disco que é longo, demasiado longo. É o início da fase mansa dos Korn que, mais tarde, haveria de acabar no dubstep. Percebe-se a necessidade de mudar, mas está aqui o início da caminhada para a irrelevância da banda de Jonathan Davis.
Outras Edições:
Lil Wayne - The Carter II
White Stripes - Walking With a Ghost
Eminem - Curtain Call: The Hits
Lindsay Lohan - A Little More Personal (Raw)
Citações com dez anos:
- "Acabámos de comprar uma velha igreja [Presbiteriana] a Sul de Montreal e vamos transformá-la no nosso estúdio de gravação." (Tim Kingsbury, guitarrista dos Arcade Fire)
- “O que a MTV me obrigou a cortar, destruiu por completo a narrativa do vídeo. [A censura] afectou-me de tal maneira que tive que retirar o meu nome dos créditos." (Michael Palmieri, realizador do vídeo de "Juicebox", dos The Strokes)
"Dizemos quase sempre que não. O assistente da Madonna veio à Suécia e mostrou-nos a canção. Soou-nos tão "catchy" que eu e o Benny [Andersson] dissemos logo "Sim". (Bjorn Ulvaeus, 1/4 dos ABBA)
- Salvatore Acquaviva, um desconhecido escritor de canções belga, ganha o caso em que acusa Madonna de o ter plagiado em "Frozen". A canção da Rainha da pop ficava então proibida de ser transmitida ou vendida na Bélgica.
- Coldplay e Busta Rhymes actuam no Pavilhão Atlântico, Sigur Rós e Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra no Coliseu dos Recreios, Mercury Rev no Centro Cultural de Belém, Donavon Frankenreiter na Aula Magna e Boney M. e Vllage People na Noite Disco Fever.
Disco da Semana:
System of a Down - Hypnotize
Em 2005, o duplo Mesmerize/Hypnotize soou a uma enorme injustiça para com Daron Malakian, ele que terá sido o grande responsável por tudo o que ouvimos aqui. Os fãs adoram-no, mas os críticos apontam: devia ter continuado de boca fechado, tem demasiado protagonismo nesta ambiciosa investida. Percebemos que prefiram ouvir Serj Tankian, claro, é incomparavelmente melhor voz, mas Malakian não se sai assim tão mal e as baboseiras que vai cuspindo acabam por contribuir para uma das características que contribui para a impressão digital dos System of a Down (SOAD): humor. Independentemente das muitas coisas políticas que são ditas em Mesmerize e Hypnotize, o humor é omnipresente. E quanto mais estapafúrdio, mais político. É o último disco dos SOAD e nem vale a pena referir o nu-metal que a determinada altura lhes foi associado. Hypnotize mistura vários estilos sim, como o punk de "Kill Rock 'n Roll" e o trash metal de "Attack", passando por baladas como "Lonely Day". O ambicioso passo acabou por ser bem medido, os dois discos separados por seis meses acabaram por lhes dar protagonismo ao longo dos 12 meses de 2005. Dominaram o ano.
Outras Edições:
Fort Minor - The Rising Tied
Bonnie Prince Billy - Summer in the Southeast
Mike Ladd - Father Divine
Chamillionaire - The Sound of Revenge
Queens of the Stone Age - Over the Years and Through the Woods
Citações com dez anos:
- "Ouvi uma voz na minha cabeça que dizia: "fá-lo, fá-lo, fá-lo!". E, quando [Lennon] passou por mim, puxei a arma, apontei as costas dele e apertei o gatilho 5 vezes." (Mark Chapman, assassino de John Lennon)
- "Antes de mais, [o Pete Doherty] não faz rock. Em segundo lugar, ele só vende discos porque as pessoas têm curiosidade em saber a que soa um junkie." (Justin Hawkins, vocalista dos The Darkness)
- "Estamos a ficar sem coisas para fazer, sem sítios para tocar e sem ar para respirar. Ainda assim, sentimo-nos melhor do que nunca." (Jack White, sobre os The White Stripes)
Obituário:
- Link Wray, o inventor do power chord, morre aos 76 anos, em Copenhaga. devido a insuficiência cardíaca.
- Underworld dão início ao The RiverRun Project, com o "Lovely Broken Thing", o primeiro de vários registos editados online. A banda refere que "a ideia será apresentar uma alternativa ao modo tradicional de editar novo material".
- Devendra Banhart actua na Aula Magna e Patrice no Coliseu dos Recreios.
Disco da Semana: Madonna - Confessions on a Dancefloor
Depois de, American Life, disco político relativamente falhado, Madonna "fecha-se" no estúdio caseiro de Stuart Price, homem com credenciais na área techno, que ajuda a Rainha a desenhar nova metamorfose com a máquina do tempo apontada para a década em que a artista foi mais feliz: 1980. Mas, curiosamente, arranca na de 70, com o grande acontecimento e, provavelmente, principal motivo pelo qual Confessions on a Dancefloor será lembrado: o sample de "Gimme! Gimme! Gimme!", dos Abba. O acontecimento é isso mesmo, um verdadeiro acontecimento, porque os Abba raramente cedem a este tipo de pedidos, mas a admiração é mutua e os suecos lá terão cedido à carta que a cantora fez questão de remeter para a Escandinávia. É então uma Madonna em estado de graça, uma última vez, a escalar topes, antes do bloqueio criativo que a faria imitar as novas princesinhas (ou não) da pop, as que vão capitalizando a Internet. Com o tempo, Madonna foi premeditando as suas mudanças, já aqui o fazia. Mas aqui fazia-o bem.
Outras Edições:
- Bright Eyes - Motion Sickness
- Sun Kil Moon - Tiny Cities
- Menomena - Under an Hour
- Jack Rose - Kensington Blues
- The Mars Volta - Scrabdates
- P.O.D. - The Warriors EP, Volume 2
- Babyshambles - Down in Albion
- Green Day - Bullet in a Bible
Citações com dez anos:
- "Comprei o nosso próprio álbum a um tipo que o estava a vender no eBay por 350 libras. Está codificado, pelo que vamos descobrir de onde vem o leak. Quem o fez, não sairá impune." (Justin Hawkins, vocalista dos The Darkness)
- "Não me interpretem mal, eu até gosto um bocadinho dos Franz Ferdinand e dos Kaiser Chiefs, mas os Bloc Party são terríveis. Nenhum deles está a tentar ser a melhor banda do mundo, é apenas lixo indie." (Noel Gallagher)
- "Temos uma relação muito boa. As pessoas gostam de me imaginar a mim e ao Paul McCartney num ringue de boxe, a destruir-nos um ao outro. De outra forma, torna-se desinteressante. As mesmas pessoas fazem-no para escapar ao mundo horroroso que habitam." (Yoko Ono)
- "Vamos levar o nosso tempo, este ano foi enorme para nós e será bom medir o que nos aconteceu, ao invés de avançar já para um novo álbum à pressa." (Billie Joe Armstrong)
- "Achamos que será um daqueles discos seminais da história musical britânica." (Drew McConnell, baixista dos Babyshambles, sobre o disco que se preparavam para editar "Down in Albion")
- “É facilmente o nosso melhor material e, paralelamente, o mais áspero. É agressivo, mostra o que é ser Americano nos dias que correm." (Eddie Vedder, sobre um novo álbum dos Pearl Jam)
- "I Bet You Look Good On The Dancefloor" chega ao nº 1 do TOP de singles britânico.
- The Mission actuam Garage, em Lisboa, e no Hard Club, no Porto.
- "Playing the Angel" dos Depeche Mode destrona "D'zrt" dos D'zrt, da 1º lugar do Top de discos.
- Stevie Wonder actua no Ellen DeGeneres.
Disco da Semana: Vashti Bunyan - Lookaftering
A grande diferença de Just Another Diamond Day, de 69, para este Lookaftering, de 2005, estará na experiência, na vida de Vashti Bunyan, e não tanto nas canções. A voz não envelheceu significativamente, as canções não mudaram, as histórias sim, são de uma mulher vivida. A história, bonita: disco editado no final da década de 60 que não vendeu, mas, no início da primeira década do século XXI, atingiu um estatuto de culto junto da afamada freak-folk, de Devendra Banhart a Joanna Newsom, passando pelos Animal Collective. São canções de uma folk sem tempo, que poderiam ser editadas hoje, há dez ou há 46 anos. Uma bonita história, a da calejada Vashti Bunyan.
Outras Edições:
Mesa - VItamina
David Fonseca - Our Heart Will Beat as One
Robbie Williams - Intensive Care
Lightning Bolt - Hypermagic Mountain
We Are Scientists - With Love and Squalor
DJ Muggs Vs. GZA - Grandmasters
The Fiery Furnaces - Rehearsing My Choir
Citações com dez anos:
- "Tive que enviar o meu mensageiro até Estocolmo, com uma carta e a canção, implorando-lhes e referindo o quanto venero a sua música." (Madonna, referindo-se ao sample de "Gimme, Gimme, Gimme" dos Abba)
- "Acho que [antes de um novo álbum] vamos editar um EP, algures no final deste ano." (Damon Albarn, sobre o futuro dos Blur)
- "O mais absurdo é que não é nada do que eles dizem ser. A canção não é sobre Isaac Luria. Não sei nada sobre Isaac Luria, nunca poderia escrever sobre ele. Chama-se "Isaac" porque o homem que a canta chama-se "Isaac". (Madonna e a polémica relativa à canção "Isaac")
- "Chegámos ao fim de duas semanas de sessões [de gravação]. É tudo uma bosta, vamos separar-nos. Estamos ultrapassados, acabados. Estou a brincar, claro. Foi divertido." (Thom Yorke)
"Será que daqui a 10 anos Robyn vai ser um belíssimo franchise de Madonna ou de Kylie [Minogue]?", perguntava James Hunter no Village Voice, em Abril de 2008, numa análise ao trabalho da sueca. E completava: "é difícil antecipar estas coisas". É, de facto, quase impossível antecipar estas coisas ou este blogue nem sequer teria razão para existir. E a resposta é: não. Robyn não se tornou numa imitação de Madonna - em 2015 é aquilo que já era em 2005 e em 2008, uma cantora pop para o ouvido dos indies, dos alternativos - não terá sido por acaso que a Pitchfork a adoptou como "a sua" artista pop nem terá sido acidente a contribuição dos conterrâneos The Knife com sintetizadores em "Who's That Girl". Não queremos com isto dizer que o grande público é esquecido - há aqui hinos pop tremendos, foram extraídos cinco singles que colocaram Robyn nos topes.