sábado, 20 de dezembro de 2014

[Os melhores álbuns de 2004] 14º - Scissor Sisters - Scissor Sisters


O primeiro álbum dos Scissor Sisters, que vai dos Bee Gees a Elton John (e até aos Pink Floyd), é um clássico, sabemos hoje. Um disco bem humorado em modo greatest hits com um apelo ao público indie que infelizmente não se voltou a repetir.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

[Os melhores álbuns de 2004] 15º - The Concretes - The Concretes


The Concretes é o culminar de nove anos de trabalho - dois EPs e uma compilação - que não é mais do que a fusão desses dois EPs - dos suecos e uma carta de amor ao continente americano - aos Velvet Underground, às girl groups, aos Mazzy Star.

[Os melhores álbuns de 2004] 16º - Dungen - Ta Det Lugnt


Hoje, em 2014, o psicadelismo foi reabilitado, fazendo parte do calendário de edições das mais prestigiadas publicações dedicadas à música. Hoje, em 2014, um novo álbum dos Tame Impala será sempre um dos mais aguardados da agenda discográfica anual. Ontem, em 2004, não era bem assim, as edições psicadélicas não eram tão celebrada. Ontem, em 2004, um tipo sueco, o multi-instrumentista Gustav Estjes, que, à imagem de Kevin Parker dos Tame Impala, a única cara do projecto, edita Ta det lugnt, aquele foi provavelmente o grande disco de rock psicadélico de 2004.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

[Os melhores álbuns de 2004] 17º - Flotation Toy Warning - Bluffer's Guide to the Flight Deck



1 de Setembro de 2004: Bluffer's Guide To The Flight Deck, dos Flotation Toy Warning chega às lojas. 14 de Setembro de 2004: o mundo treme com a edição de Funeral, a estreia discográfica perfeita, perfeita dos Arcade Fire, e respectivo burburinho.  

1 de Setembro de 2014: os Flotation Toy Warning cairam no esquecimento. Terão chegado ao fim? 14 de Setembro de 2014: os Arcade Fire são uma das maiores bandas do mundo. 

A comparação é inevitável, os paralelismos óbvios: produção rica, álbum emocional, registo catártico. Na altura, os Arcade Fire ainda não era uma inspiração. Os Flotation Toy Warning fartaram-se de ser comparados a Flaming Lips e Mercury Rev (faz todo o sentido) para, por fim, à imagem das suas referências, caírem na irrelevância.

[Os melhores álbuns de 2004] 18º - A.C. Newman - The Slow Wonder


Carreira a solo após carreira a solo, os The New Pornographers têm vindo a provar que, embora também valha a pena, o todo não supera a soma das partes. Ainda antes de Dan Bejar editar o seu melhor disco como Destroyer, Kaputt, A.C. Newman lançou um magnifico disco que a geração The O.C. abraçou e que tem como grande inspiração outro magnífico álbum pop, Chutes Too Narrow dos Shins.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

[Os melhores álbuns de 2004] 19º - Devendra Banhart - Rejoicing Hands / Nino Rojo


Seria difícil situar a "New Weird America" no tempo se não fosse pela famosa capa da Wire, a de Agosto de 2003. Assim, numa das (mais de) 1001 caras da publicação de referência, David Keenan antecipava os anos de ouro do género - Devendra Banhart editaria Rejoicing Hands (primeira parte de um projecto maior que só terminaria meses depois, com Niño Rojo) e, um ano depois, a obra-prima Cripple Crow. Rejoicing Hands, que conta com Michael Gira na produção, é um dos pilares de um género que, apesar da magnifica história que o originou, nasceu com os dias contados. Ainda assim, entre 2003 e 2000 e qualquer coisa, Joanna Newsom, as CocoRosie e os Wooden Wand ainda teriam algo a acrescentar. 

[Os melhores álbuns de 2004] 20º - !!! - Louden Up Now


A experiência sempre foi melhor ao vivo do que em disco, mas nem esta premissa retira a Louden Up Now o estatuto de um dos melhores discos de dança lançados nos 00s - 66 minutos e nove temas que parecem um só. Nesta altura muito associados à DFA (The Rapture, LCD Soundsystem), a singularidade dos Chk Chk Chk (ou tʃk, tʃk, tʃk ou !!! ou o raio que os parta) começava no nome a acabava em palco, com o carismático Nic Offer louco, de um lado para o outro, de calções e a abanar a anca. No final de um manifesto punk-funk, carregado de referências políticas, um veredicto: a doença (a guerra, a de Bush e Blair, a do Iraque) e a cura: dançar, dançar durante 66 incríveis minutos.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

[Semana 01-12-04] Jay-z e Linkin Park editam "Collision Course"


O mundo precisava mesmo de um mashup entre Jay-z e Linkin Park? Não, mas as contas bancárias dos envolvidos terão achado que sim. E o tempo deu-lhes razão. Afinal de contas, se a coisa até resultou de forma ilegal com o Grey Album (White Album dos Beatles e o Black Album do próprio Jay-z) porque não tentar a coisa pelas vias legais? Jay-z sempre se soube misturar, de R. Kelly a Kanye West. Surpreendeu na escolha de um alvo fácil como os Linkin Park para uma nova colaboração. Mais uma vez, a conta bancária terá achado que valia a pena. E o tempo, claro, deu-lhe novamente razão. Mais de 5 milhões de cópias vendidas em todo o mundo. Bem bom para uma altura em que cada vez se vendiam/vendem menos discos.

Collision Course equilibra os beats e rimas de Jay-z com os riffs e a gritaria dos Linkin Park. A vantagem vai, claro, para o rapper, cujo catálogo dá 10 a 0 ao da banda de Mike Shinoda e Chester Bennington. Por vezes, Jay-z rappa sobre os instrumentais banais dos Linkin Park, noutras é a vez dos Linkin Park a tentarem à força combinar o seu material com as produções de Jay-z. Se podíamos pegar em quaisquer dois discos e fazer o mesmo? Sim, na altura saíram alguns mashups do género, a fórmula gastou-se rapidamente. Danger Mouse safou-se bem, as contas bancárias dos envolvidos neste projecto também. Voltem lá a ouvir isto e digam-nos depois se a colaboração entre Lou Reed e Metallica continua a ser assim tão má. 

   

domingo, 23 de novembro de 2014

[Semana 17-11-04] MF Doom edita "MM... Food"


A comida não é mais do que um meio para encaixar metáforas. MM... Food sucede Mudvillainy, a magnífica, perfeita, colaboração com Madlib. Doom usa praticamente os mesmos truques de produção de Madlib: referências ao cinema, séries de televisão e comics. Confirma a incapacidade do rapper/produtor de travar a sua veia criativa que, em poucos meses, para além das obras MF Doom, o levou à criação de discos sob os pseudónimos/alteregos Viktor Vaughn e King Geedorah. Ao contrário de outras obras de Doom e apesar de, de certa forma, ser um álbum conceptual, MM... Food não cria uma narrativa sólida, uma história com principio meio e fim. Ainda que, ao lado de Mudvillainy, seja um parente pobre, não deixa de ser magnífico.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

[Semana 10-11-04] Eminem edita "Encore"


É com Encore que Eminem dá início o período de declínio criativo que ainda hoje dura. Irónico, pois: um encore, se exceptuarmos um concerto de Eddie Vedder (com ou sem os Pearl Jam) tende a ser um fim. Em sua defesa podemos escrever que nem com os seus piores discos, os que não ligámos nenhuma, a dupla Relapse e Recovery, Eminem perdeu a relevância, principalmente se tivermos em conta a comercial. 

Mas não é apenas a decadência criativa que Encore anuncia. Meses antes Kanye West tinha-se estreado com The College Dropout. O plano de domínio global começava a ganhar forma. As listas anuais davam conta da ascensão de um e o declínio de outro. Relembre-se: estamos ainda no âmbito criativo, Eminem ainda hoje quebra records e a Internet garantiu-lhe a frescura mediática que lhe tem faltado em estúdio. 

Na altura, College Dropout tinha passado despercebido para grande parte do público de Eminem. Encore e How To Dismantle an Atomic Bomb dos U2 disputavam protagonismo e as apostas sucediam-se: qual dos dois blockbusters da reentrée "leakará" primeiro? Eminem ia dando nas vistas com o vídeo de "Just Lose It", os U2 chamavam atenções através de projetos como o Band Aid 20 e a gravação de uma nova versão de "Do They Know It's Christmas?". A polémica, o instrumento de propaganda favorito de Eminem, ele, sempre foi de alvos fáceis. Michael Jackson no vídeo de "Just Lose It", George W. Bush no de "Mosh" são os mais óbvios. Resultado: críticas em relação ao primeiro - Stevie Wonder chegou a dizer que "não se bate em alguém que já está no chão" - e problemas com a lei em relação ao segundo - em causa, a escolha das palavras: "Fuck money / I don't rap for dead presidents / I'd rather see the president dead / It's never been said, but I set precedents".

Encore é um rapper no topo do mundo, sem nada a provar. A falta de ideias deixaria-o cinco anos longe das edições.