MF Doom vinha coleccionando alteregos, Viktor Vaugh, em 2003, o(s) magnifico(s) Madvillainy, partilhado com Madlib, em 2004, e, como MF Doom, MM...Food, álbum conceptual sobre... Comida. Danger Mouse chegava com Guetto Pop Life, álbum de estreia de 2003, e o polémico/seminal The Grey Album, importantíssimo na forma como levantou a discussão dos direitos de autor. Já em 2005 haveria de produzir Demon Days dos Gorillaz - "castigo" aplicado pela EMI para fazer esquecer a "cowboyada" de The Grey Album. Danger Doom, portanto, registo quase 100 por cento inspirado em cartoons do canal televisivo Adult Swim. Danger Mouse como especialista em música de e para bonecada. The Mouse and the Mask é uma viagem psicadélica que, como de costume no trabalho de Doom, está carregada de referências e das temáticas favoritas do rapper: cinema, séries de TV (óbvio) e comics. As colaborações, à parte de Ghostface Killah, pouco acrescentam e é certo que o disco sobreviveria perfeitamente sem elas.
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sábado, 31 de outubro de 2015
domingo, 23 de novembro de 2014
[Semana 17-11-04] MF Doom edita "MM... Food"
A comida não é mais do que um meio para encaixar metáforas. MM... Food sucede Mudvillainy, a magnífica, perfeita, colaboração com Madlib. Doom usa praticamente os mesmos truques de produção de Madlib: referências ao cinema, séries de televisão e comics. Confirma a incapacidade do rapper/produtor de travar a sua veia criativa que, em poucos meses, para além das obras MF Doom, o levou à criação de discos sob os pseudónimos/alteregos Viktor Vaughn e King Geedorah. Ao contrário de outras obras de Doom e apesar de, de certa forma, ser um álbum conceptual, MM... Food não cria uma narrativa sólida, uma história com principio meio e fim. Ainda que, ao lado de Mudvillainy, seja um parente pobre, não deixa de ser magnífico.
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
[Semana 23-09-03] Viktor Vaughn edita "Vaudeville Villain"
Viktor Vaughn é MF Doom que, ao longo do tempo, tem sido muitas outras coisas. Em 2003, MF Doom foi Viktor Vaughn depois de ser King Geedorah, projectos completamente diferentes que exigiram diferentes pseudónimos. Take Me to Your Leader é a perspectiva de um monstro alienígena, King Geedorah, a sua avaliação do que se passa na Terra. Vaudeville Villain é a perspectiva de um outro vilão, que tanto pode ter saído de um série B, como de um sci-fi à Star Trek ou um de um guetto do Bronx. É o primeiro disco em que Doom confia a produção a outras mãos. O leque de convidados é relativamente desconhecido, mas confere a Vaudeville Villain uma concisão que, à partida, poderia parecer difícil, tendo em conta a conceptualização de uma obra complexa mas recompensadora.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
[Jukebox de há dez anos] Ermo
"A merda é que temos um país que pensa como um rebanho sem pastor". A Cidade dos Arcebispos não está feliz. Os Ermo não se revêem naquilo que vivemos hoje e metem o dedo na ferida, seja através de uma actualização de "FMI", de José Mário Branco ou na desconstrução do hino nacional. O EP que antecipa o álbum a ser editado este ano pode ser ouvido gratuitamente aqui. Relativamente a 2003, os Ermo esclarecem: "Não são estes os melhores álbuns do ano. 2003 não foi um grande ano. Estes são os álbuns que saíram em 2003 [e que] mais me agradam hoje. Importante distinção que creio aprazer também ao blogue, dado o seu conceito. Sem qualquer ordem específica, fiquem então com o melhor de 2003 para os Ermo":
Boris - Boris at Last Feedbacker
Álbum genial de uma banda que ainda hoje lhe faz jus. Acabaram por se tornar numa das nossas bandas preferidas, não só pelo som, mas também pela forma como vêem a sua carreira, sendo um dos grupos mais versáteis do séc. XXI. Quem conhece o seu trabalho sabe do que falamos.
Viktor Vaughn - Vaudeville Villain
Um dos reis do hip-hop, em todas as suas identidades.
György Ligeti - The Ligeti Project III: Cello Concerto; Clocks and Clouds; Violin Concerto; Síppal, dobbal, nádihegedűvel
Dentro da música clássica convencional, é um dos compositor que mais nos agrada.
Melechesh - Sphynx
Não é um álbum basilar. No entanto, foi com este que os conhecemos. Lembramos-nos de na altura em que ouvimos este álbum pela primeira vez achar que eram a coisa mais original que já tínhamos ouvido no death metal. Não são, mas são bons.
Arvo Pärt - Triodion (Polyphony/Stephen Layton)
A par do Ligeti, surge o Arvo Pärt, senhor e mestre do tintinnabuli, jogando num campeonato totalmente de qualquer outro compositor contemporâneo.
Keiji Haino - ここ
Um dos artistas mais originais que conhecemos. Este é um dos lançamentos menos experimentais dele, muito a roçar os Rallizes Dénudés, mas belíssimo de qualquer maneira.
Mão Morta - Carícias e Malícias
Um dos melhores álbuns portugueses ao vivo.
Grails - The Burden of Hope
Provavelmente, o disco que menos gostamos de Grails, mas ainda assim um grande álbum
Portal - Seepia
Se os Melechesh não eram a coisa mais original no death metal, estes terão de o ser. Talvez ainda não neste Seepia, mas viriam a evoluir e a tornar-se uma das nossas bandas preferidas dentro do estilo.
Muse - Absolution
O único álbum que realmente gostamos dos Muse. Um manual de como fazer singles.
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