domingo, 10 de agosto de 2014

[Semana 04-08-04] Mark Lanegan Band edita "Bubblegum"


Seria difícil para Mark Lanegan ter criado um álbum mais americano do que este. Na verdade, não fosse a participação de PJ Harvey em duas canções e o sexto álbum do ex-Screaming Trees seria uma ode às terras do Tio Sam. Nesta altura, o rock voltava a ser entusiasmante. Os Strokes mantinham a chama acesa e os White Stripes criavam hinos de estádio, a vaga pós-punk (Franz Ferdinand, Futureheads, etc) dava os primeiros passos, e, acima de todos os outros, os Queens of the Stone (QOTSA), donos de um indisputável trono rock' n' roll do início do século. Não admira que, como ex-colaborador dos QOTSA, Lanegan tenha dado uso à sua lista de contactos e listado Josh Homme e Nick Oliveri - em sessões marcadas para horas e dias diferentes, presume-se - para participações, a par de Greg Dulli - que, mais tarde viria a colaborar no projecto The Gutter Twins -, Dean Ween e a já citada PJ Harvey. Blues, rock, Tom Waits, referências western, uma ode à americana. 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

[Semana 14-07-04] Rogue Wave editam "Out of Shadow"


Em 2004, enquanto o homónimo dos Franz Ferdinand inspirava meio mundo, “Chutes Too Narrow” dos The Shins assumia-se como modelo de uma pop mais bem comportada, mais devedora do legado dos Beach Boys, com melodias cuidadas e harmonias perfeitas. Depois de “The Slow Wonder” de A.C. Newman, também “Out of Shadow” dos Rogue Wave deve muito limada da banda de James Mercer. Do psicadelismo à folk mais pastoral, a estreia de Zach Rogue veio provar, mais uma vez, que um tipo deprimido vale muito mais do que dois ou três de bem com a vida.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

[Semana 07-07-04] Futureheads editam "Futureheads"


Em 2004, a fórmula era esta: pegar nos ensinamentos pós-punk gingões dos Gang of Four e fazer as delícias dos pés mais irrequietos. Por esta altura, a receita do sucesso tinha sido posta em prática apenas pelos Franz Ferdinand, a primeira e mais entusiasmante banda desta vaga. Talvez resida aí a razão da boa recepção à estreia dos Futureheads. Nem 365 dias depois, as estreias dos Kaiser Chiefs e Maximo Park soariam mais frescas e interessantes.


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terça-feira, 8 de julho de 2014

[Semana 30-06-04] The Cure editam "The Cure"


Em 2004, ao 12º disco de estúdio, os The Cure chegam ao inevitável homónimo. Mantendo a tradição estabelecida desde 1992, a banda de Robert Smith edita mais um álbum em ano de campeonato europeu de futebol e fá-lo com uma vitalidade que parecia perdida em Inglaterra 96. “The Cure” é claustrofóbico, desesperado, nervoso – atributos que poderão ser associados à escolha do produtor Ross Robinson – que trabalhou, por exemplo, com os caóticos Slipknot.


domingo, 29 de junho de 2014

[Semana 23-06-04] Dungen editam "Ta det lugnt"


Hoje, em 2014, o psicadelismo moderno foi reabilitado, fazendo parte do calendário de edições das mais prestigiadas publicações dedicadas à música. Hoje, em 2014, um novo álbum dos Tame Impala será sempre um dos mais aguardados da agenda discográfica anual. Ontem, em 2004, não era bem assim, as edições psicadélicas não eram tão corriqueiras como hoje, em 2014. Ontem, em 2004, um tipo sueco, o multi-instrumentista Gustav Estjes, que, à imagem de Kevin Parker dos Tame Impala, a única cara do projecto, edita Ta det lugnt, aquele foi provavelmente o grande disco de rock psicadélico de 2004.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

[Semana 23-06-04] Wilco editam "A Ghost is Born"


A ambição dos Wilco sempre os levou a fabricar edições diferentes - discos bónus, álbuns duplos, álbuns enormes - em duração e qualidade. Não é por isso de admirar que A Ghost Is Born inclua uma canção de mais de 10 minutos e outra com mais de 15. Nostálgicos como sempre, mais adultos que noutros momentos (Being There, obra-prima), sempre inteligentes e com vontade de arriscar. Dizem as más línguas que essa vontade é a grande responsável pelo adiar de um verdadeiro reconhecimento.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

[Semana 16-06-04] The Killers editam "Hot Fuss"


Cinco bons singles chegaram para criar uma ilusão que rezava assim: os Killers eram a melhor nova banda da década dos zeros a combinar indie-rock e sintetizadores a escorrer azeite. Não, nem indie, nem rock. Os Killers transformaram-se num fenómeno pop à escala global, uma máquina de singles horrendos e de "não singles" ainda piores. Uma fraude. Hot Fuss já denuncia a capacidade de apontar para as grandes arenas - a melhor canção de todas as canções dos Killers, "Mr. Brightside" escala o top britânico, entre nomes como Avril Lavigne, Mario, Eamon e Usher. É um álbum mais consensual da banda de Brandon Flowers (pinta de estrela, cabelo a mais. mas ainda assim capaz de gerar opiniões polares. Hot Fuss é a crónica de uma banda que com apenas cinco canções enganou meio mundo. O tempo deixaria claro o embuste.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

[Semana 16-06-04] A.C. Newman edita "The Slow Wonder"


Carreira a solo após carreira a solo, os The New Pornographers têm vindo a provar que, embora também valha a pena, o todo não supera a soma das partes. Ou seja, há na banda de "Moves" demasiado talento para que tudo fique concentrado num só projecto. Ainda antes de Dan Bejar editar o seu melhor disco como Destroyer, o último, já de 2011, Kaputt, A.C. Newman lançou um magnifico disco que a geração The O.C. abraçou e que tem como grande inspiração noutro magnífico álbum pop, Chutes Too Narrow dos Shins. 

sábado, 14 de junho de 2014

[Semana 09-06-04] Sonic Youth editam "Sonic Nurse"


Peguemos nos últimos três álbuns dos Sonic Youth, este Sonic Nurse, Rather Ripped (2006) e The Eternal (2009). À primeira audição, parece que os Sonic Youth andaram os últimos anos da sua longa carreira a gravar o mesmo disco. Na verdade, se ouvirmos toda a discografia dos nova-iorquinos, serão poucas as diferenças que vamos encontrar, de registo para registo. O mais incrível é que, seguindo esta premissa da imutabilidade, Kim Gordon, Thurston Moore e companhia mantiveram uma notável relevância. Sonic Nurse é mais um disco dos Sonic Youth, portanto, a eterna exploração do ruído que permitiu que a imprensa não mais largasse o rótulo de "experimental". A variantes relativamente à restante discografia estará no facto deste ser o segundo e ultimo álbum que conta com a colaboração de Jim O'Rourke. 

domingo, 8 de junho de 2014

[Semana 02-06-04] !!! editam "Louden Up Now"


A experiência sempre foi melhor ao vivo do que em disco, mas nem esta premissa tira a Louden Up Now o estatuto de um dos melhores discos de dança lançados nos 00s - 66 minutos e nove temas que parecem um só. Nesta altura muito associados à DFA (The Rapture, LCD Soundsystem), a singularidade dos Chk Chk Chk ou tʃk, tʃk, tʃk ou !!! ou o reio que os parta começava no nome a acabava em palco, com o carismático Nic Offer louco, de um lado para o outro, de calções e a abanar a anca em palco. No final de um manifesto punk-funk, carregado de referências políticas, um veredicto: a doença - a guerra, a de Bush e Blair, a do Iraque - e a cura - dançar, dançar durante 66 incríveis minutos.