quinta-feira, 11 de julho de 2013

[Semana 8-07-03] Kings of Leon editam "Youth and Young Manhood"



Nunca tendo sido essenciais, os Kings of Leon que sobem esta semana ao palco principal do Optimus Alive, conseguiam, em 2003, ser espontâneos e intensos. O rock sulista de Youth and Young Manhood era lascivo sem a necessidade gritar "sexo" dezenas de vezes ao longo de um grande refrão. 

Até Because of the Times, o melhor dos seis álbuns, a família Followill foi fazendo crescer um culto que lhe conferia alguma credibilidade indie. A partir de Only By the Night e "Sex on Fire" e "Use Somebody" e outras canções com os olhos postos nos estádios, os Kings of Leon tornaram-se apenas num produto de massas. raízes cristãs Se cresceram? Sim, tornaram-se previsíveis. 








segunda-feira, 8 de julho de 2013

[Jukebox de há dez anos] Sr. Inominável


As canções do primeiro EP de Sr. Inominável (Ricardo Lemos e Pedro Rio-Tinto) são sobre relacionamentos, mas podiam ser (in)directas à indústria musical. Exemplos: "Fora de Prazo", "Corre Por Aí" ou "És Assim, És Assado". 

Os dez discos mais importantes de 2003 para os Sr. Inominável:

1. The Strokes - Room On Fire


2. Radiohead - Hail To The Thief


3. Animal Collective - Here Comes the Indian 


4. Belle & Sebastian - Dear Catastrophe Waitress


5. Black Rebel Motorcycle Club - Take Them On, On Your Own 


6. PJ Harvey - Stories From the City, Stories From the Sea


7. Cat Power - You Are Free


8. The National - Sad Songs For Dirty Lovers 


9. Mesa - Mesa

10. Sufjan Stevens  - Greetings from Michigan: The Great Lake State


quinta-feira, 4 de julho de 2013

[Semana 1-07-03] Sufjan Stevens edita "Michigan"


Já conhecemos a história de trás para a frente. 2003 é o ano de Michigan, o primeiro álbum dedicado a um dos 50 estados norte-americanos, o ano do primeiro registo do chamado 50 States Project. Dois anos depois, Stevens editaria o maravilhoso Illnois e deita fora o megalómano projeto.

De Michigan a The Age of Adz, Sufjan Stevens passou os últimos dez anos a provar que a música não tem que ser raquitica para tocar um mundo em que tudo acontece a uma velocidade avassaladora. É a quantidade louca de coisas/recursos/instrumentos que Stevens coloca em cada álbum que lhe conferem identidade.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

[Jukebox de há dez anos] Ermo


"A merda é que temos um país que pensa como um rebanho sem pastor". A Cidade dos Arcebispos não está feliz. Os Ermo não se revêem naquilo que vivemos hoje e metem o dedo na ferida, seja através de uma actualização de "FMI", de José Mário Branco ou na desconstrução do hino nacional. O EP que antecipa o álbum a ser editado este ano pode ser ouvido gratuitamente aqui. Relativamente a 2003, os Ermo esclarecem: "Não são estes os melhores álbuns do ano. 2003 não foi um grande ano. Estes são os álbuns que saíram em 2003 [e que] mais me agradam hoje. Importante distinção que creio aprazer também ao blogue, dado o seu conceito. Sem qualquer ordem específica, fiquem então com o melhor de 2003 para os Ermo": 

Boris - Boris at Last Feedbacker


Álbum genial de uma banda que ainda hoje lhe faz jus. Acabaram por se tornar numa das nossas bandas preferidas, não só pelo som, mas também pela forma como vêem a sua carreira, sendo um dos grupos mais versáteis do séc. XXI. Quem conhece o seu trabalho sabe do que falamos.

Viktor Vaughn - Vaudeville Villain


Um dos reis do hip-hop, em todas as suas identidades.

György Ligeti - The Ligeti Project III: Cello Concerto; Clocks and Clouds; Violin Concerto; Síppal, dobbal, nádihegedűvel


Dentro da música clássica convencional, é um dos compositor que mais nos agrada.

Melechesh - Sphynx 


Não é um álbum basilar. No entanto, foi com este que os conhecemos. Lembramos-nos de na altura em que ouvimos este álbum pela primeira vez achar que eram a coisa mais original que já tínhamos ouvido no death metal. Não são, mas são bons.

Arvo Pärt - Triodion (Polyphony/Stephen Layton) 


A par do Ligeti, surge o Arvo Pärt, senhor e mestre do tintinnabuli, jogando num campeonato totalmente de qualquer outro compositor contemporâneo.

Keiji Haino - ここ


Um dos artistas mais originais que conhecemos. Este é um dos lançamentos menos experimentais dele, muito a roçar os Rallizes Dénudés, mas belíssimo de qualquer maneira.

Mão Morta - Carícias e Malícias


Um dos melhores álbuns portugueses ao vivo.

Grails - The Burden of Hope 


Provavelmente, o disco que menos gostamos de Grails, mas ainda assim um grande álbum

Portal - Seepia


Se os Melechesh não eram a coisa mais original no death metal, estes terão de o ser. Talvez ainda não neste Seepia, mas viriam a evoluir e a tornar-se uma das nossas bandas preferidas dentro do estilo.

Muse - Absolution


O único álbum que realmente gostamos dos Muse. Um manual de como fazer singles.

sábado, 29 de junho de 2013

[Semana 24-06-03] É editado "Movimentos Perpétuos Música Para Carlos Paredes"


2003, ano de Carlos Paredes - premonição de uma perda gigante que se consumaria em 2004. Fruto de uma investida feliz e pouco habitual, o mestre é homenageado pelos seus disciplos ainda em vida. 150 artistas das mais variadas vertentes - escrita, pintura, teatro, cinema e, claro, música - numa enorme vénia ao herói da guitarra portuguesa.

Não é um disco de versões, mas sim um álbum que busca inspiração na obra do génio. Movimentos Perpétuos Música Para Carlos Paredes tem o mérito de juntar no mesmo conjunto de canções variadas linguagens, umas mais longe do universo Carlos Paredes - Sam the Kid, Bullet, etc -, outras mais próximas - Ricardo Rocha, Ana Sadio, etc. É uma homenagem em que os convidados potenciam os seus pontos fortes - Sam sampla o mestre e junta-lhe um beat, os embrionários Dead Combo colocam em destaque a guitarra eléctrica de Trips, Rodrigo Leão não larga o violino e por aí fora. 

Independentemente dos resultados, o mais bonito é Paredes ter tido tempo para aproveitar tudo isto. Imaginamos-lhe um sorriso nos lábios.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

[Semana 24-06-03] The Mars Volta editam "De-Loused in the Comatorium"


A história dá muitas voltas e acaba em motivo para blogues como este. Em 2001, na ressaca do muito aclamado Relationship of Command, os At-Drive In anunciam o fim. Dois anos depois, há precisamente dez anos, os Mars Volta, ou seja, Omar Rodriguez-Lopez e Cedric Bixler-Zavala, estreiam-se com o incatalogável De-Loused in the Comatorium. Meses antes, os Sparta, os restos dos At-Drive In que  menos interessam, lançam Wiretap Scars, um álbum que segue as pisadas da banda que se tinha acabado de desmantelar. O diagnóstico do fim dos At-Drive In é traçado: diferenças criativas, claro.

O álbum de estreia dos Mars Volta é um chuto no rabo dos velhos e um ataque a potenciais novos fãs. É notória a necessidade de se afastarem do som dos At-Drive In, algo que nos faz acreditar que as razõe$ para a recente reunião não tenham $ido a$ melhore$. 

Ainda hoje é difícil decifrar De-Loused in the Comatorium. Álbum conceptual baseado numa short story escrita por Cedric, autor de letras complexas e indecifráveis? Disco meramente pirotécnico para encher o ouvido? Complexo objecto conceptual que gira à volta da história de auto-destruição de Julio Venegas, amigo de Cedric falecido em 1996?  Ficam as certezas: A recepção crítica de De-Loused não se voltou a repetir; A mesma funcionou com força motriz para dedicar o álbum ao recém-falecido Jeremy Ward; Dez anos depois, os Mars Volta chegaram ao fim e os At-Drive In andam por aí.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

[Jukebox de há dez anos] Corsage


São canções que se confundem com algumas das coisas mais entusiasmantes que o rock nacional tem oferecido via Amor Fúria, Flor Caveira, Chifre e etceteras, talvez porque algumas das suas origens provêm dos anos 80 - Os Corsage reúnem elementos dos More República Masónica e Pop dell'Arte, por exemplo. Música Bipolar Portuguesa, o terceiro e mais recente álbum, é um extraordinário compêndio que parte de Lisboa para retratar um país amarrado num colete de forças, com recurso a um humor inteligente.

Os dez discos mais importantes de 2003 para os Corsage:

1. Richard Hawley – Lowedges


2. Blur - Think Tank


3. The Coral  – Magic and Medicine


4. Cello - Après_midi


5. Tindersticks  -  Waiting for the moon


6. Relaxed Muscle - A heavy nite with...


7. Calexico - Feast of wire


8. And Also The Trees - Further from the truth



9. Nick Cave And The Bad Seeds - Nocturama


10. Benjamin Biolay - Negatif

quinta-feira, 20 de junho de 2013

[Semana 17-06-03] Animal Collective editam "Here Comes the Indian"


Here Comes the Indian é o quarto álbum dos Animal Collective, mas é como se fosse o primeiro. É o primeiro a ser assinado com o nome que os colocaria no mapa. É o primeiro gravado por todos os actuais elementos. E é o primeiro de uma escalada que cumpre a transformação desta OVNI numa das bandas mais influentes dos nossos tempos. 

Gravado ao vivo em apenas três dias, Here Comes the Indian está a milhas da linguagem pop dos últimos mui aclamados álbuns. Não seria escandaloso se tivessem sido associados à New Weird America - o contacto com a natureza, estranhas harmonias, a liberdade -, mas não, preferiram antes ser responsáveis por uma nova linguagem que colocou Brooklyn em centro do mundo.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

[Jukebox de há dez anos] noiserv


Diz-nos noiserv que está a preparar o regresso aos álbuns marcado para Outubro: É engraçado que foi mais ou menos há dez anos que comecei a escrever as canções que mais tarde, 2004, fariam nascer o projecto noiserv. Em termos de discos, muita coisa ouvia na altura, destacando o que mais vezes se repetia na minha cabeça, e muitos deles até aos dias de hoje. 

1. Explosions in the Sky - The Earth Is Not a Cold Dead Place


2. Radiohead - Hail to the Thief


3. Cat Power - You Are Free


4. Mogwai – Happy Songs for Happy People


5. The Decemberists - Castaways e Cutouts


6. Blur - Think Tank


7. Josh Rouse - 1972


8. The Shins – Chutes too Narrow


9. The Strokes – Room on Fire


10. Massive Attack - 100th Window


segunda-feira, 17 de junho de 2013

[Jukebox de há dez anos] Rute Correia


É a primeira convidada que não se dedica à produção musical, mas que não pode viver sem ela. Amiga e ex-colega na ETIC (o curso era Jornalismo e Crítica Musical), passou pela Rádio Zero, Cidade FM, Oxigénio, Música no Coração, Dance Club e é agora dona de um programa na Rádio MEO Sudoeste, o Hip Hop Don't Stop que alimenta a partir da Alemanha. Rute Correia, agora na primeira pessoa:

No alto dos meus 14 anos, vivia embebida no que a praticamente recém-nascida MTV Portugal tinha para me oferecer (o que, na altura, ainda envolvia muita música), ainda não tinha ultrapassado completamente a minha fase de devoção a boysband (muito suspirei pelos Blue…) e começava a fazer os meus primeiros downloads à séria (KaZaA e eMule, tenho muitas saudades vossas, sim?). O Sol Música ainda existia (para gáudio generalizado da população adolescente, ainda que os estudos dissessem o contrário), mantendo uma postura diária que desafiava toda e qualquer consistência editorial, e comprei a minha primeira revista exclusivamente dedicada a esta cena que é “a música” (ainda por cima, uma virada para um nicho!). Sem saber bem como, deixei que €5 mudassem completamente a minha vida: queria trabalhar com música.*


* Ironia do destino, o meu primeiro trabalho jornalístico pago acabaria por ser feito para a Dance Club, revista com a qual colaborei regularmente entre Setembro de 2010 e Abril de 2011.

Os dez discos mais importantes de 2003 para Rute Correia:


1. Loopless - Loopless


2. Spaceboys - Sonic Fiction


3. Massive Attack - 100th Window


4. David Fonseca - Sing Me Somethig New


5.  Movimentos Perpétuos - Música Para Carlos Paredes


6. Expensive Soul - B.I. [Na verdade, B.I. foi editado em 2004]


7.  Kaos Records - 10 anos (Dance Clube Preview)


8. Jamie Cullum - Twentysomething


9. Joss Stone - The Soul Sessions


10. Norah Jones - Come Away With Me