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terça-feira, 24 de março de 2015

O que aconteceu na semana de 23-03-2005?


Notícias:

- Black Eyed Peas são confirmados no Super Bock Super Rock.

- Josephine Foster actua na Galeria Zé Dos Bois e Cradle of Filth e Moonspell nos Coliseus.

- Joss Stone é confirmada no Festival Vilar de Mouros.

Discos da semana: 

New Order - "Waiting For the Sirens Call" / The Bravery - "The Bravery"

É interessante perceber que os New Order (ou os Joy Division) resistiram muito bem à perda de Ian Curtis, mas com o aproximar do século XX não conseguiram acompanhar os tempos, ao ponto de terem implodido. Waiting For the Sirens Call não adianta nada ao que está para trás e o que Peter Hook tem feito é reciclar os bons velhos tempos. É o último verdadeiro discos dos New Order - Lost Sirens, de 2013, já é gravado com base naquilo que Peter Hook tinha deixado nestas gravações -, depois disto os três ex-Joy Division chateiam-se, mais de 30 anos depois do início. Os sinais iam sendo dados há algum tempo, Get Ready, de 2001, foi editado oito (!) anos - ritmo Malickiano - depois. É um disco de um trio sem nada a provar, expressão que é chamada à baila quando o objecto em análise não é mais do que razoável.

Na mesma semana, a estreia dos Bravery, eles que curiosamente pegam em alguns dos ensinamentos dos New Order. Envolveram-se numa guerra de palavras com os Killers - outros obreiros dessa causa que é o revivalismo 80s, ou seja, canções recheadas a sintetizadores, muitos - e com um vocalista cuja voz se confunde facilmente com a de Robert Smith dos Cure. Depois disto, tantos os New Order como os Bravery, por motivos distintos, haveriam de cair no esquecimento.




Outras edições:

Beck - Guero
Morrissey - Live at Earls Court
Three 6 Mafia - Choices II: The Setup
Porcupine Tree - Deadwing
Lifehouse - Lifehouse
Will Smith - Lost And Found

Citações com dez anos: 

- "Para que não pensem que o primeiro álbum foi um acidente, neste precisávamos de expandir o som". (Jesse Hughes, vocalista dos Eagles Of Death Metal)

- "A interpretação do título ["Demon Days"] só é completa pelo instinto do ouvinte. Por um lado, o demónio é uma doença e uma doença é a ausência de pensamento. É o inimigo invisível: o regresso do ogre, a ascensão da besta." (Noodle, guitarrista dos Gorillaz)

- "Não posso jogar videjogos quando estou em digressão ou no estúdio porque ficaria viciado. E se há coisa de que não preciso é de mais um vício." (Josh Homme, ao revelar que está a gravar para um videojogo)

- "Isto foi mil vezes melhor do que ganhar o Big Brother. (Bez, dançarino dos Happy Mondays, após a reunião da banda num concerto na O2 Academy Brixton)

- "Estou completamente inocente. Quero que saibam que há um enorme conspiração a acontecer enquanto falo." (Michael Jackson)

- "Podíamos ter feito trinta novas «Luz Vaga», mas optámos por fazer coisas novas." (João Pedro Coimbra, teclista e baterista dos Mesa)

- "A DFA é responsável pelo trabalho de produção mais interessante do momento." (Trent Reznor, mentor dos Nine Inch Nails)

- "A Def Jam é a Motown Records dos nossos dias." (DJ Spooky)

Obituário:

- Paul Hester, baterista fundador dos Crowded House. Suicídio. Tinha 46 anos.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

[Semana 29-07-03] Patrick Wolf edita "Lycanthropy"


2003, o ano de Adam Green, Joss Stone e Patrick Wolf, putos maravilha que não se viriam a tornar assim tão maravilhosos. Neste campeonato, a música não andava assim tão longe do futebol. Por norma, um talento começa a dar nas vistas aos 16 e atinge a maturidade aos 20 e qualquer coisa - com o advento da Internet, as coisas estarão um pouco diferentes, mas essa é conversa para outras núpcias. Os três exemplos apresentados no início deste texto são jogadores de segunda linha, aqueles que percorreram tudo o que é selecção sub-qualquer coisa, mas que só são chamados ao plantel principal em particulares. 

Lycanthropy é Patrick Wolf a brincar na areia, a enveredar pelo virtuosismo individual e a sacrificar o todo. Como qualquer talento com tendência para a individualidade, Wolf é inconstante, sendo capaz do melhor e do pior. 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

[Jukebox de há dez anos] Rute Correia


É a primeira convidada que não se dedica à produção musical, mas que não pode viver sem ela. Amiga e ex-colega na ETIC (o curso era Jornalismo e Crítica Musical), passou pela Rádio Zero, Cidade FM, Oxigénio, Música no Coração, Dance Club e é agora dona de um programa na Rádio MEO Sudoeste, o Hip Hop Don't Stop que alimenta a partir da Alemanha. Rute Correia, agora na primeira pessoa:

No alto dos meus 14 anos, vivia embebida no que a praticamente recém-nascida MTV Portugal tinha para me oferecer (o que, na altura, ainda envolvia muita música), ainda não tinha ultrapassado completamente a minha fase de devoção a boysband (muito suspirei pelos Blue…) e começava a fazer os meus primeiros downloads à séria (KaZaA e eMule, tenho muitas saudades vossas, sim?). O Sol Música ainda existia (para gáudio generalizado da população adolescente, ainda que os estudos dissessem o contrário), mantendo uma postura diária que desafiava toda e qualquer consistência editorial, e comprei a minha primeira revista exclusivamente dedicada a esta cena que é “a música” (ainda por cima, uma virada para um nicho!). Sem saber bem como, deixei que €5 mudassem completamente a minha vida: queria trabalhar com música.*


* Ironia do destino, o meu primeiro trabalho jornalístico pago acabaria por ser feito para a Dance Club, revista com a qual colaborei regularmente entre Setembro de 2010 e Abril de 2011.

Os dez discos mais importantes de 2003 para Rute Correia:


1. Loopless - Loopless


2. Spaceboys - Sonic Fiction


3. Massive Attack - 100th Window


4. David Fonseca - Sing Me Somethig New


5.  Movimentos Perpétuos - Música Para Carlos Paredes


6. Expensive Soul - B.I. [Na verdade, B.I. foi editado em 2004]


7.  Kaos Records - 10 anos (Dance Clube Preview)


8. Jamie Cullum - Twentysomething


9. Joss Stone - The Soul Sessions


10. Norah Jones - Come Away With Me