Imagens VHS avulso gastas pelo tempo, divertidas onomatopeias saídas de um comic book carregado de cores alegres e divertidas, samples cortados e colados por um ex-editor do Discovery Channel e o seu irmão, rato de estúdio - os obreiros desta auspiciosa estreia. Verdadeira pedrada no charco capaz de agradar (ou desagradar) os fãs de hip hop, soul e os indies com menos preconceitos.
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
[Semana 15-09-04] Arcade Fire editam "Funeral"
Funeral quase parece pregação, um manual ao qual podemos recorrer sempre que algo nos corre mal, uma Bíblia para os desafortunados - da miséria, do amor, da morte. Foi ajudado pelas apoteóticas actuações ao vivo - missas para os destroçados, uma banda capaz de unir o mundo, salvá-lo, anunciar a paz, ganhar um Nobel. No final do dia, não era nada disto. Era apenas um conjunto de 10 canções para melómanos atentos e impressionados com a carga emocional, a imprevisibilidade e a ausência de catalogação desta dezena incrível de faixas.
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
[Semana 15-09-04] Devendra Banhart edita "Nino Rojo"
Ouvimos Devendra Banhart a cantar sobre pardais e, mesmo que vislumbremos a metáfora inerente, não nos custa imaginar o ex de Natalie Portman a compor no meio da floresta. Não custa, pois, olhar para Banhart como um hippie fora de horas, fora do contexto que uma nova vaga de pares haveria de corrigir. Afinal havia espaço para este O.V.N.I. de letras desregradas e aspecto físico aparentemente descuidado. As canções parecem ter sido gravadas ao primeiro take, de forma despreocupada, e versam sobre macacos, caranguejos, tartarugas, corvos e porcos. Tudo muito muito bem humorado e metaforizado, apenas acompanhado com uma guitarra acústica várias vezes dedilhada. Nino Rojo é a segunda parte do projecto que havia começado com Rejoicing in the Hands, mas a exibição é boa ao longo das duas metades. Sem oscilações, como um jogador extremamente regular.
domingo, 14 de setembro de 2014
[Semana 08-09-04] Dizzee Rascal edita "Showtime"
Terá sido o canto do cisne do efémero grime. Showtime é o último bom disco do género que nasceu no East End londrino e que nos deu duas obras primas: A Grand Don't Come For Free dos Streets e Boy in the Corner, o primeiro de Dizzee Rascal, o miúdo que, com apenas 19 anos, venceu o Mercury Prize. Mantém-se a produção caseira, com beats que são bits, 8 bits, mas que também são sons de consolas e outras pérolas que servem perfeitamente às letras narcisistas de Rascal. Não é tão bom como o antecessor, mas augurava um futuro que não se veio a cumprir. Hoje em dia, a frescura Dizzee Rascal anda perdida algures entre a naftalina de Robbie Williams e o mau gosto de Will I Am.
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
[Semana 01-09-04] Flotation Toy Warning editam "Bluffer's Guide to the Flight Deck"
1 de Setembro de 2004: Bluffer's Guide To The Flight Deck, dos Flotation Toy Warning chega às lojas. 14 de Setembro de 2004: o mundo treme com a edição de Funeral, a estreia discográfica (perfeita, perfeita) dos Arcade Fire, e respectivo burburinho.
1 de Setembro de 2014: os Flotation Toy Warning cairam no esquecimento. Terão chegado ao fim? 14 de Setembro de 2014: os Arcade Fire são uma das maiores bandas do mundo.
A comparação é inevitável, os paralelismos óbvios: produção rica, álbum emocional, registo catártico. Na altura, os Arcade Fire ainda não era uma inspiração. Os Flotation Toy Warning fartaram-se de ser comparados a Flaming Lips e Mercury Rev (e faz todo o sentido) para, por fim, à imagem das suas referências, caírem na irrelevância.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
[Semana 01-09-04] The Prodigy editam "Always Outnumbered, Never Outgunned"
Sete anos é muito tempo. Sete anos separam o terceiro (The Fat of the Land) do quarto disco (este) dos Prodigy. Uma infinidade de controvérsias e um hiato depois, a banda regressa, mas sem fria e distante. Always Outnumbered, Never Outgunned é o St. Anger dos Prodigy, é o patinho feio de uma discografia (sobrevalorizada), mas que serviu de base para construir um presente que ainda os vai mantendo relevantes. Mesmo aquilo que mais interessa na banda de Liam Howlett, os singles, ficam a perder para o restante catálogo. Sobram apenas dois bons singles, um muito bom ("Spitfire") e outro razoável ("Girls"). Sem coincidências, são essas as duas primeiras a surgir no alinhamento de um regresso aborrecido e muito pouco humano. O grupo ainda tenta humanizar Always Outnumbered... com convidados, mas nomes como Juliette Lewis e Liam Gallagher só servem para acentuar o desnorte.
domingo, 10 de agosto de 2014
[Semana 04-08-04] Mark Lanegan Band edita "Bubblegum"
Seria difícil para Mark Lanegan ter criado um álbum mais americano do que este. Na verdade, não fosse a participação de PJ Harvey em duas canções e o sexto álbum do ex-Screaming Trees seria uma ode às terras do Tio Sam. Nesta altura, o rock voltava a ser entusiasmante. Os Strokes mantinham a chama acesa e os White Stripes criavam hinos de estádio, a vaga pós-punk (Franz Ferdinand, Futureheads, etc) dava os primeiros passos, e, acima de todos os outros, os Queens of the Stone (QOTSA), donos de um indisputável trono rock' n' roll do início do século. Não admira que, como ex-colaborador dos QOTSA, Lanegan tenha dado uso à sua lista de contactos e listado Josh Homme e Nick Oliveri - em sessões marcadas para horas e dias diferentes, presume-se - para participações, a par de Greg Dulli - que, mais tarde viria a colaborar no projecto The Gutter Twins -, Dean Ween e a já citada PJ Harvey. Blues, rock, Tom Waits, referências western, uma ode à americana.
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quarta-feira, 23 de julho de 2014
[Semana 14-07-04] Rogue Wave editam "Out of Shadow"
Em 2004, enquanto o homónimo dos Franz Ferdinand inspirava meio mundo, “Chutes Too Narrow” dos The Shins assumia-se como modelo de uma pop mais bem comportada, mais devedora do legado dos Beach Boys, com melodias cuidadas e harmonias perfeitas. Depois de “The Slow Wonder” de A.C. Newman, também “Out of Shadow” dos Rogue Wave deve muito limada da banda de James Mercer. Do psicadelismo à folk mais pastoral, a estreia de Zach Rogue veio provar, mais uma vez, que um tipo deprimido vale muito mais do que dois ou três de bem com a vida.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
[Semana 07-07-04] Futureheads editam "Futureheads"
Em 2004, a fórmula era esta: pegar nos ensinamentos pós-punk gingões dos Gang of Four e fazer as delícias dos pés mais irrequietos. Por esta altura, a receita do sucesso tinha sido posta em prática apenas pelos Franz Ferdinand, a primeira e mais entusiasmante banda desta vaga. Talvez resida aí a razão da boa recepção à estreia dos Futureheads. Nem 365 dias depois, as estreias dos Kaiser Chiefs e Maximo Park soariam mais frescas e interessantes.
terça-feira, 8 de julho de 2014
[Semana 30-06-04] The Cure editam "The Cure"
Em 2004, ao 12º disco de estúdio, os The Cure chegam ao inevitável homónimo. Mantendo a tradição estabelecida desde 1992, a banda de Robert Smith edita mais um álbum em ano de campeonato europeu de futebol e fá-lo com uma vitalidade que parecia perdida em Inglaterra 96. “The Cure” é claustrofóbico, desesperado, nervoso – atributos que poderão ser associados à escolha do produtor Ross Robinson – que trabalhou, por exemplo, com os caóticos Slipknot.
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