domingo, 2 de março de 2014

[Semana 17-02-04] The Ponys editam "Laced with Romance"


Os miúdos não sabiam bem no que se estavam a meter. Afinal de contas, isto era só o bom e velho rock 'n' roll que eles adoravam. Uma forma de homenagear os seus heróis (Stones, The Cure, The Clash), um disco sem gorduras, sem "baladuchas" chatas, um registo sujo, gravado na garagem dos pais. Ano e meio depois, desafiados a gravar um segundo disco chegaram a invocar a palavra exaustão. O último registo é um EP e data já de 2010. Se tivermos em conta que Mick Jagger e Robert Smith ainda aí andam, lá devem ter chegado à conclusão: isto não é para todos.

[Semana 17-02-04] Air editam "Talkie Walkie"


O sucessor do mal amado 10 000 Hz Legend equilibra um som essencialmente digital e futurista, com guitarras acústicas e até um banjo. Hoje, num 2014 em que ainda se sonha com um mundo de personagens que se apaixonam por vozes de computador, continua a soar pertinente.




sábado, 22 de fevereiro de 2014

[Semana 10-02-04] Kanye West edita "The College Dropout"


The College Dropout marca o início de uma era, a era Kanye West, do excêntrico, do paranóico, do omnipresente, do génio. Num mundo dominado por um Jay-z, Eminem e, vá, 50 Cent, a estreia de Kanye não é uma pedrada no charco, mas chega para abanar os alicerces. Demorou anos a ser terminado, os mesmos em que Kanye foi dominando a produção de boa parte das melhores coisas que o hip hop fabricou no início da década dos zeros. A novidade aqui é o protagonismo que o produtor e agora rapper ganha no microfone, ainda que, de forma inteligente, tenha chamado muito boa gente para o ajudar nesse arte de cuspir palavras e rimas. É um Kanye diferente, globalmente respeitado, mas menos exposto. Confiante, mas sem excessos. De The College Droupout a Yeezus, apenas um problema: o facto de não conseguir comunicar para além das canções. Qual génio incompreendido.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

[Semana 10-02-04] Scissor Sisters editam "Scissor Sisters"


A capa substitui a Cidade Esmeralda de The Wizard of Oz pelo mundo dos Scissor Sisters, um mundo cheio de cores e não gera consensos, mas deixa os mais descomprometidos com um sorriso de orelha a orelha. O primeiro álbum dos Scissor Sisters, que vai dos Bee Gees a Elton John, é um clássico, sabemos hoje. Um disco bem humorado em modo greatest hits com um apelo ao público indie que infelizmente não se voltou a repetir.







sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

[Semana 03-02-04] Stereolab editam "Margerine Eclipse"


Margerine Eclipse é um dos álbuns mais importantes da discografia dos Stereolab. É o primeiro que sucede a morte de Mary Hansen, unidade importantíssima do núcleo duro da banda. Margerine Eclipse e é também a prova que a unidade do grupo é mais forte que a soma das partes. Se alguma vez existiu um trauma, este disco dissipa-o. É um triunfo da identidade, mesmo não estando ao nível de um Emperor Tomato Ketchup.

[Jukebox de há dez anos] Morgan Delt


O regresso da Jukebox de há dez anos faz-se com Morgan Delt, homem que se estreou em Janeiro com um álbum homónimo em que o psicadelismo sessentista dos Velvet Underground serve a banda sonora para um western gravado por baixo do sol da Califórnia. "Só me consigo lembrar de seis", confessa-nos.

Os discos mais importantes de 2004 para Morgan Delt:

Of Montreal - Satanic Panic in the Attic


Circle - Forest


Animal Collective - Sung Tongs


Deerhoof - Milk Man


Dungen - Ta det lugnt




Ariel Pink - Doldrums

sábado, 1 de fevereiro de 2014

[Semana 20-01-04] Amel Larrieux edita "Bravebird"


Bravebird é o primeiro álbum de Amel Larrieux que conta com o selo da Blisslife, a editora que criou na tentativa de se manter relevante, depois do fim do acordo com a Epic. Infelizmente, não conseguiu e hoje em dia, quase não damos por ela. Este segundo disco de Larrieux diz-nos muito acerca do fim do acordo com a major. Bravebird é uma obra demasiado arriscada para garantir airplay. Erykah Badu e Minnie Riperton assombram um excelente registo que se passeia pela neo soul e o r&b. 

sábado, 25 de janeiro de 2014

[Semana 20-01-04] The Black Keys editam "The Moan"


O óbvio: os Black Keys nem sempre esgotaram estádios. Este EP antecipa Rubber Factory e é pouco mais que uma brincadeira. Duas versões, um original e um take alternativo. A pouca fidelidade e a atitude "garageira" denunciam a pouca atenção que nesta altura davam à melodia.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

[Semana 13-01-04] Phantom Planet editam "Phantom Planet"


À segunda temporada de The O.C., os Phantom Planet, responsáveis pela canção do genérico da série, mudam de direcção. Agora querem enveredar pelo rock desalinhado dos muito badalados Strokes. De banda pop bem comportada para a distorção, para a garagem, à procura de crédito indie com o produtor Dave Fridmann, o homem que trabalhou com os Flaming Lips e com os Mercury Rev. A ideia que dá é que os Phantom Planet se viram na direcção que o vento sopra e não admira que este álbum homónimo soe tão forçado.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

[Jukebox de há dez anos] Dear Telephone


Não são dez, mas sim 12. Três por cada membro dos bracarenses Dear Telephone.

Os discos mais importantes de 2003 para André Simão:

The Books - The Lemon Of Pink 


Um manifesto de liberdade formal, lirismo descontrolado e descomprometido.

Robert Wyatt - Cuckooland


O regresso inspirado deste monstro das canções. Lembro-me da imensa expectativa em torno do disco. Marcou-me especialmente pela ponte delicada entre o jazz e o singer-songwriting.

Two Banks of Four - Three Street Worlds


Do meio do turbilhão irrelevante de bandas e compilações de future jazz – como tão indigentemente lhe chamavam – despontavam estes rapazes, com um disco verdadeiramente coeso, urbano, tenso e entusiasmante.

Os discos mais importantes de 2003 para Graciela Coelho:

Gillian Welch - Soul Journey


Conjunto de viagens cruas e quentes. Beleza e rudeza, de mãos dadas.

Belle and Sebastian - Dear Catastrophe Waitress


Álbum maior da banda: melodias fortíssimas e arranjos maravilhosos. Uma espécie de encontro imediato entre Beach Boys, Stone Roses e Kronos Quartet.

Arab Strap - Monday at the Hug & Pint


Amor, sexo e relações falhadas, com sotaque escocês. Guitarras, beats maquinais, lirismo extremo à Oscar Wilde em dia mau.

Os discos mais importantes de 2003 para Pedro Oliveira:

Bonnie Prince Billy – Master and Everyone


Um dos maiores cantautores dos nossos tempos, peculiar, fazedor de canções simples e tocantes. Um dos discos que mais ouvi até hoje. Canção que destaco: "The Way".

Manitoba – Up in Flames


Inquietante, super rico rítmica e estruturalmente. Um dos discos que me fez despertar para construções fora do convencional. Abriu o meu caminho para os Manitoba e Daphni. Canção que destaco: "Jacknuggeted".

Mark Lanegan – Here comes that wierd Chill


Senhor de uma das vozes mais ímpares de rock mundial. Musicalmente duro e rude é um disco "back to the basics". Canção que destaco: "Wish you well".

Os discos mais importantes de 2003 para Ricardo Cibrão:

 Howe Gelb - The Listener




Foi o meu álbum de entrada para o mundo Gelb. Desconcertante porque é simples e excitante porque é duro e honesto.

Chris Brokaw - Wandering as Water


Este disco é discreto como o percurso de mais de 20 anos de anonimato de Brokaw na música americana. Foi o segundo álbum a solo e revelou a sua faceta mais trovadoresca.


Calexico - Feast of Wire




Talvez o álbum mais coeso de toda a discografia da banda. As canções de antologia, a mistura de géneros e de texturas e a afirmação de Burns como tenor (deixando para trás alguma da timidez que caracterizou os seus registos anteriores), fizeram deste, um disco absolutamente memorável.