sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O que aconteceu na semana de 09-11-2005?


Notícias: 

- Underworld dão início ao The RiverRun Project, com o "Lovely Broken Thing", o primeiro de vários registos editados online. A banda refere que "a ideia será apresentar uma alternativa ao modo tradicional de editar novo material".


- Devendra Banhart actua na Aula Magna e Patrice no Coliseu dos Recreios.

Disco da Semana: 

Madonna - Confessions on a Dancefloor

Depois de, American Life, disco político relativamente falhado, Madonna "fecha-se" no estúdio caseiro de Stuart Price, homem com credenciais na área techno, que ajuda a Rainha a desenhar nova metamorfose com a máquina do tempo apontada para a década em que a artista foi mais feliz: 1980. Mas, curiosamente, arranca na de 70, com o grande acontecimento e, provavelmente, principal motivo pelo qual Confessions on a Dancefloor será lembrado: o sample de "Gimme! Gimme! Gimme!", dos Abba. O acontecimento é isso mesmo, um verdadeiro acontecimento, porque os Abba raramente cedem a este tipo de pedidos, mas a admiração é mutua e os suecos lá terão cedido à carta que a cantora fez questão de remeter para a Escandinávia. É então uma Madonna em estado de graça, uma última vez, a escalar topes, antes do bloqueio criativo que a faria imitar as novas princesinhas (ou não) da pop, as que vão capitalizando a Internet. Com o tempo, Madonna foi premeditando as suas mudanças, já aqui o fazia. Mas aqui fazia-o bem.




Outras Edições: 

- Bright Eyes - Motion Sickness
- Sun Kil Moon - Tiny Cities
- Menomena - Under an Hour
- Jack Rose - Kensington Blues
- The Mars Volta - Scrabdates
- P.O.D. - The Warriors EP, Volume 2
- Babyshambles - Down in Albion
- Green Day - Bullet in a Bible

Citações com dez anos: 

- "Comprei o nosso próprio álbum a um tipo que o estava a vender no eBay por 350 libras. Está codificado, pelo que vamos descobrir de onde vem o leak. Quem o fez, não sairá impune." (Justin Hawkins, vocalista dos The Darkness)

- "Não me interpretem mal, eu até gosto um bocadinho dos Franz Ferdinand e dos Kaiser Chiefs, mas os Bloc Party são terríveis. Nenhum deles está a tentar ser a melhor banda do mundo, é apenas lixo indie." (Noel Gallagher)

- "Temos uma relação muito boa. As pessoas gostam de me imaginar a mim e ao Paul McCartney num ringue de boxe, a destruir-nos um ao outro. De outra forma, torna-se desinteressante. As mesmas pessoas fazem-no para escapar ao mundo horroroso que habitam." (Yoko Ono)

- "Vamos levar o nosso tempo, este ano foi enorme para nós e será bom medir o que nos aconteceu, ao invés de avançar já para um novo álbum à pressa." (Billie Joe Armstrong)

- "Achamos que será um daqueles discos seminais da história musical britânica." (Drew McConnell, baixista dos Babyshambles, sobre o disco que se preparavam para editar "Down in Albion")

- “É facilmente o nosso melhor material e, paralelamente, o mais áspero. É agressivo, mostra o que é ser Americano nos dias que correm." (Eddie Vedder, sobre um novo álbum dos Pearl Jam)

terça-feira, 10 de novembro de 2015

[Jukebox de há dez anos] Lisbon Kid


A ultimar o álbum de estreia, os Lisbon Kid acabam de assinar pela histórica (21 anos é imenso tempo) Wall of Sound e tiraram uns minutos para preparar esta lista.

Os discos mais importantes de 2005 para os Lisbon Kid:

LCD Soundsystem - LCD Soundsystem



Caribou - The Milk Of Human Kindness



Gorillaz - Demon Days


The White Stripes - Get Behind Me Satan



Sigur Ros - Takk



Telepopmuzik - Angel Milk



Vitalic - OK Cowboy



M83 - Before The Dawn Heals us



Daft Punk - Human After All



The Books - Lost And Safe

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O que aconteceu na semana de 02-11-2005?


Notícias/Concertos: 

- Para combater a pirataria, a Sony usa o Extended Copy Protection (XCP), um sistema amplamente criticado por correr o risco de causar problemas aos computadores. O sistema não era detectável pelos anti-virus e não possuía "uninstall".

- The Rasmus actuam no Hard Club, The Young Gods na Aula Magna e Mike Ladd em Serralves.

Disco da Semana: 

Kate Bush - Aerial

Se dez anos é muito tempo, imaginem lá 12. Kate Bush não dava notícias desde 1993, estávamos mais ou menos no coração do grunge, ainda não tínhamos sobrevivido ao nu-metal e às girls/boys bands. Kate Bush deixa-nos no ano de In Utero, dos Nirvana, e regressa poucos meses depois de Funeral, dos Arcade Fire. É muito, muito tempo. Coincidentemente, uma das suas mais naturais descendentes, Fiona Apple, regressava de um hiato de seis anos (até no tempo que nos deixam na sala de espera têm pontos de contacto), com Extraordinary Machine. Mas do que nos queixamos? Com este épico Aerial, Bush tira a barriga de miséria aos fãs, são mais de 80 minutos e dois discos - acto de quem se está nas tintas para uma indústria discográfica que já demonizava aventuras deste género. Parece que o tempo não passou por ela. O primeiro disco é de canções, ao piano, com guitarras, não interessa, são canções de mulher feita, vivida. O segundo é um épico de 40 minutos tão onírico  e imprevisível (elogio) quanto lhe sugere o título.


Outras edições: 

A-Ha - Analogue 
Akron/Family - Akron/Family & Angels of Light 
Test Icicles - For Screening Purposes Only
Limp Bizkit - Greatest Hitz 
VA - Get Rich or Die Tryin': Music from and Inspired by the Motion Picture 
Sepultura - Live in São Paulo 
Scooter - Who's Got the Last Laugh Now?

Citações com dez anos: 

- Não quereria que usassem uma canção já escrita num anúncio, mas deram-me a oportunidade de escrever [um original e] senti-me inspirado". (Jack White, em relação à canção que escreveu para a Coca-Cola)


- "Não tenho culpa que a carreira dele a solo seja uma bosta e que fique com inveja daquilo que o Ozzy [Osbourne] fez." (Kelly Osbourne, depois de Bruce Dickinson acusar Ozzy Osbourne de sabotar o set dos Iron Maiden no Ozzfest)

- "Odeio a ideia, mesmo quando a estou a propor, mas a única maneira de lidar com a heroína é legalizando-a." (Lemmy)

- "[O segundo disco dos The Libertines?] Não tive nada a ver com isso." (Pete Doherty)

- "A "Give'er" conta com o Josh [Homme] na guitarra. É um solo que eu poderia tocar, mas nunca o poderia fazer como o Josh." (Peaches)


- A nossa estreia saiu há menos de um ano e lembramo-nos de estar a tocar num clube para apenas 20 pessoas. No dia seguinte, estamos a tocar com o David BowieI. Que ano incrível." (Win Butler)

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

[Semana 26-10-05] Los Hermanos editam "Quatro"


Quatro é o último disco dos Los Hermanos e, voltando a ele, é difícil perceber o porquê de terem sido uma banda polarizadora: não se ama ou odeia Los Hermanos, só se ama. Porque eram bons. Muito bons. Resultavam de duas personalidades distintas, mas igualmente talentosas: Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante, o primeiro mais preocupado com as melodias, o segundo mais dedicado às letras. E, olhando para as discografias pós-Los Hermanos, podemos concluir que Camelo tinha as ideias mais arrumadas. Sou, de 2008, ditou o caminho que haveria de seguir até hoje, à Banda do Mar. Rodrigo Amarante tentou o inglês dos esquecidos Little Joy, algo estranho para quem compõe tão bem em português, e só em 2013 se voltou a notabilizar com o fenómeno "Youtubiano" Cavalo. Quatro será o disco mais intimista da banda, bandeira da Nova MBP. Mas não vale a pena colá-los ao que os originais fizeram nos anos 60 e 70. O que Los Hermanos fizeram foi especial, independentemente da inspiração de mestres como Chico ou Caetano.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

[Semana 26-10-05] Arab Strap editam "The Last Romance"


A um nível temporal, os Arab Strap são um hino a este blog: duraram precisamente dez anos. Este The Last Romance tem título premonitório e seria de facto o canto do cisne dos escoceses. Terminaram numa altura em que a cena local voltava a estar nas bocas do mundo via Franz Ferdinand. E, pegando numa referência da banda de Alex Kapranos, o duo composto por Aidan Moffat e Malcolm Middleton reclamava: "Take Me Out". Deixem-me fora, da cena, do hype, da moda. Meses antes da edição, os dois Arab Strap já revelavam desentendimentos: Malcolm queria um disco mais negro, Moffat preferia-o visceral. O segundo acabou por ganhar, mas, com o desentendimento e apesar dos bons resultados deste disco, a música ficaria a perder com o fim da banda. Estas canções continuam a descrever relacionamentos falhados, de um modo cáustico. A diferença é o próprio Moffat que a nota: "é um pouco mais acelerado, mas continua a lidar com o lado negro das relações. É como o lado negro da série Star Wars - mais rápido e mais sedutor."

sábado, 31 de outubro de 2015

O que aconteceu na semana de 26-10-2005?


Notícias:

- Os MTV EMAs acontecem pela 1ª vez em Lisboa.


- Antony And The Johnsons actuam no Coliseu dos Recreios, Seu Jorge na Aula Manga e Steve Vai na Casa da Música.

- Boss AC estreia o vídeo de "Hip Hop (Sou Eu e És Tu)" na PlayStation. Podia ser encontrado no menu de opções da Playstation Portátil, da Sony.


- Green Day levam os 9 minutos de "Jesus of Suburbia" ao Top of the Pops, tornando-se esta a actuação mais longa da história do programa.


- Ryan Adams actua no Late Show with David Letterman.


- Bob Geldof é nomeado Nobel Man Of Peace 2005.

Disco da Semana:

Wolfmother - Wolfmother 

Está longe de ser uma pedrada no charco, a estreia dos Wolfmother, mas não deixa de ser um dos melhores discos rock de 2005. O potencial radiofónico de Wolfmother prometia-lhes arenas cheias, não fosse o power trio desentender-se demasiado depressa. Riffs cantaroláveis e melodias redondas que resultavam em canções pop (sim, pop) claramente influenciadas por monstros como Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath e até, de forma, arriscamos, involuntária, White Stripes. Enquanto os Darkness prometiam o melhor disco de hardrock dos últimos muitos anos, os Wolfmother lembravam-nos que a Austrália, de tempos a tempos, oferece-nos uma belíssima banda de rock' n' roll sem espinhas - AC/DC e Tame Impala à cabeça. E a verdade é que os Wolfmother parecem ter vindo de uma máquina do passado, pois ninguém faz um disco assim sem ter perfeita noção que não se pode divorciar das suas influências.


Outras Edições: 

Rammstein - Rosenrot 
Carlos Santana - All That I Am 
Slipknot - 9.0: Live
Blink 182 - Greatest Hits
Sun Kil Moon - Tiny Cities
Deep Purpke - Rapture of the Deep

Citações com dez anos: 

- “Decidi tentar o celibato, pois ouvi dizer que ajuda na meditação e tentei a meditação porque disseram-me que ajudaria com a música." (Rivers Cuomo, líder dos Weezer)

- "Será a preto e branco e um pouco estranho, o que de certa forma é normal acontecer nos meus vídeos. Terá também um toque Série B." (Anton Corbijn, sobre o vídeo de "Talk", realizado para os Coldplay)


- "Se formos os Kaiser Chiefs do próximo ano, desisto [dos Arctic Monkeys]. Suponho que tenham vendido imensos discos, mas não gosto deles. São um bocado chatos." (Alex Turner)

- "A fama é um grande mito da nossa sociedade. Quase parece uma coisa em que tens que crer [para te sentires bem]. É como creres que vai para o paraíso, como dizeres para ti mesmo: "sou famoso, tudo vai ficar bem". (Jarvis Cocker)

- "As letras têm um toque romântico." (Marilyn Manson, anunciando um novo álbum, "The Golden Age Of Grotesque") 

[Semana 19-10-05] Danger Doom editam "The Mouse and the Mask"


MF Doom vinha coleccionando alteregos, Viktor Vaugh, em 2003, o(s) magnifico(s) Madvillainy, partilhado com Madlib, em 2004, e, como MF Doom, MM...Food, álbum conceptual sobre... Comida. Danger Mouse chegava com Guetto Pop Life, álbum de estreia de 2003, e o polémico/seminal The Grey Album, importantíssimo na forma como levantou a discussão dos direitos de autor. Já em 2005 haveria de produzir Demon Days dos Gorillaz - "castigo" aplicado pela EMI para fazer esquecer a "cowboyada" de The Grey Album. Danger Doom, portanto, registo quase 100 por cento inspirado em cartoons do canal televisivo Adult Swim. Danger Mouse como especialista em música de e para bonecada. The Mouse and the Mask é uma viagem psicadélica que, como de costume no trabalho de Doom, está carregada de referências e das temáticas favoritas do rapper: cinema, séries de TV (óbvio) e comics. As colaborações, à parte de Ghostface Killah, pouco acrescentam e é certo que o disco sobreviveria perfeitamente sem elas. 

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

[Semana 19-10-05] Kiss Me Deadly edita "Misty Medley"


Não é claro o porquê dos Kiss Me Deadly (homenagem a um livro/filme noir de 1955) não terem sobrevivido. Hipótese: honestidade, é esta a palavra que descreve a banda de Misty Medley, a entusiasmante estreia da banda de Montreal. A mesma honestidade que se começa a revelar no nome do disco para se espelhar nos títulos das canções - "groove", "pop", "ballads" ou a série de quatro "dances" - e na forma óbvia como coloca as referências, com os U2 à cabeça. Um discos de guitarras, sim, mas a apontar para a anca - chegaram a ser catalogados de pós-rock, mas o selo assusta mais do que cola. Regressemos ao início deste texto, ao porquê de não terem sobrevivido, à honestidade: é que o filme a quem "roubam" o título acaba de forma dramática. Fica a obra.

sábado, 24 de outubro de 2015

O que aconteceu na semana de 19-10-2005?


Notícias: 

- "I Bet You Look Good On The Dancefloor" chega ao nº 1 do TOP de singles britânico.



- The Mission actuam Garage, em Lisboa, e no Hard Club, no Porto.

- "Playing the Angel" dos Depeche Mode destrona "D'zrt" dos D'zrt, da 1º lugar do Top de discos.

- Stevie Wonder actua no Ellen DeGeneres.



Disco da Semana:

Vashti Bunyan - Lookaftering

A grande diferença de Just Another Diamond Day, de 69, para este Lookaftering, de 2005, estará na experiência, na vida de Vashti Bunyan, e não tanto nas canções. A voz não envelheceu significativamente, as canções não mudaram, as histórias sim, são de uma mulher vivida. A história, bonita: disco editado no final da década de 60 que não vendeu, mas, no início da primeira década do século XXI, atingiu um estatuto de culto junto da afamada freak-folk, de Devendra Banhart a Joanna Newsom, passando pelos Animal Collective. São canções de uma folk sem tempo, que poderiam ser editadas hoje, há dez ou há 46 anos. Uma bonita história, a da calejada Vashti Bunyan.

Outras Edições:

Mesa - VItamina
David Fonseca - Our Heart Will Beat as One
Robbie Williams - Intensive Care
Lightning Bolt - Hypermagic Mountain
We Are Scientists - With Love and Squalor
DJ Muggs Vs. GZA - Grandmasters
The Fiery Furnaces - Rehearsing My Choir

Citações com dez anos:

- "Tive que enviar o meu mensageiro até Estocolmo, com uma carta e a canção, implorando-lhes e referindo o quanto venero a sua música." (Madonna, referindo-se ao sample de "Gimme, Gimme, Gimme" dos Abba)



- "Acho que [antes de um novo álbum] vamos editar um EP, algures no final deste ano." (Damon Albarn, sobre o futuro dos Blur)

- "O mais absurdo é que não é nada do que eles dizem ser. A canção não é sobre Isaac Luria. Não sei nada sobre Isaac Luria, nunca poderia escrever sobre ele. Chama-se "Isaac" porque o homem que a canta chama-se "Isaac". (Madonna e a polémica relativa à canção "Isaac")



- "Chegámos ao fim de duas semanas de sessões [de gravação]. É tudo uma bosta, vamos separar-nos. Estamos ultrapassados, acabados. Estou a brincar, claro. Foi divertido." (Thom Yorke)

sábado, 17 de outubro de 2015

[Semana 12-10-05] Fiona Apple edita "Extraordinary Machine"


Fazer sair Extraordinary Machine sair foi um cabo dos trabalhos. Fiona Apple não editava há meia dúzia de anos e até aqui zero surpresas pois, mais ano menos ano, esta é a regularidade com que nos oferece um disco. A novela centra-se nos últimos três, primeiro com Jon Brion, produtor do anterior registo, o do título imenso, de 444 caracteres. A editora terá rejeitado por não ser suficientemente comercial, a mais velha história de todas. Decidiu-se regravar tudo com o produtor Mike Elizondo, escolha surpreendente pois era conhecido pela sua colaboração com Dr. Dre e sus muchachos Eminem ("Just Lose It") e 50 Cent ("In Da Club"). Não podemos comparar as duas versões porque não ouvimos a primeira, mas diz quem ouviu tudo vezes sem conta que esta última, a definitiva, soa muito melhor. Enredos novelescos à parte, Extraordinary Machine é um disco de voz e piano com vários apontamentos jazz. Nada de novo, portanto, relativamente aquilo que já ouvimos há década, não fosse toda a idiossincrasia inerente Apple, personagem sui generis, que na altura se separava de Paul Thomas Anderson, seguramente inspiração para algumas das letras que aqui escutamos.