Terá sido o canto do cisne do efémero grime. Showtime é o último bom disco do género que nasceu no East End londrino e que nos deu duas obras primas: A Grand Don't Come For Free dos Streets e Boy in the Corner, o primeiro de Dizzee Rascal, o miúdo que, com apenas 19 anos, venceu o Mercury Prize. Mantém-se a produção caseira, com beats que são bits, 8 bits, mas que também são sons de consolas e outras pérolas que servem perfeitamente às letras narcisistas de Rascal. Não é tão bom como o antecessor, mas augurava um futuro que não se veio a cumprir. Hoje em dia, a frescura Dizzee Rascal anda perdida algures entre a naftalina de Robbie Williams e o mau gosto de Will I Am.
domingo, 14 de setembro de 2014
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
[Semana 01-09-04] Flotation Toy Warning editam "Bluffer's Guide to the Flight Deck"
1 de Setembro de 2004: Bluffer's Guide To The Flight Deck, dos Flotation Toy Warning chega às lojas. 14 de Setembro de 2004: o mundo treme com a edição de Funeral, a estreia discográfica (perfeita, perfeita) dos Arcade Fire, e respectivo burburinho.
1 de Setembro de 2014: os Flotation Toy Warning cairam no esquecimento. Terão chegado ao fim? 14 de Setembro de 2014: os Arcade Fire são uma das maiores bandas do mundo.
A comparação é inevitável, os paralelismos óbvios: produção rica, álbum emocional, registo catártico. Na altura, os Arcade Fire ainda não era uma inspiração. Os Flotation Toy Warning fartaram-se de ser comparados a Flaming Lips e Mercury Rev (e faz todo o sentido) para, por fim, à imagem das suas referências, caírem na irrelevância.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
[Semana 01-09-04] The Prodigy editam "Always Outnumbered, Never Outgunned"
Sete anos é muito tempo. Sete anos separam o terceiro (The Fat of the Land) do quarto disco (este) dos Prodigy. Uma infinidade de controvérsias e um hiato depois, a banda regressa, mas sem fria e distante. Always Outnumbered, Never Outgunned é o St. Anger dos Prodigy, é o patinho feio de uma discografia (sobrevalorizada), mas que serviu de base para construir um presente que ainda os vai mantendo relevantes. Mesmo aquilo que mais interessa na banda de Liam Howlett, os singles, ficam a perder para o restante catálogo. Sobram apenas dois bons singles, um muito bom ("Spitfire") e outro razoável ("Girls"). Sem coincidências, são essas as duas primeiras a surgir no alinhamento de um regresso aborrecido e muito pouco humano. O grupo ainda tenta humanizar Always Outnumbered... com convidados, mas nomes como Juliette Lewis e Liam Gallagher só servem para acentuar o desnorte.
domingo, 10 de agosto de 2014
[Semana 04-08-04] Mark Lanegan Band edita "Bubblegum"
Seria difícil para Mark Lanegan ter criado um álbum mais americano do que este. Na verdade, não fosse a participação de PJ Harvey em duas canções e o sexto álbum do ex-Screaming Trees seria uma ode às terras do Tio Sam. Nesta altura, o rock voltava a ser entusiasmante. Os Strokes mantinham a chama acesa e os White Stripes criavam hinos de estádio, a vaga pós-punk (Franz Ferdinand, Futureheads, etc) dava os primeiros passos, e, acima de todos os outros, os Queens of the Stone (QOTSA), donos de um indisputável trono rock' n' roll do início do século. Não admira que, como ex-colaborador dos QOTSA, Lanegan tenha dado uso à sua lista de contactos e listado Josh Homme e Nick Oliveri - em sessões marcadas para horas e dias diferentes, presume-se - para participações, a par de Greg Dulli - que, mais tarde viria a colaborar no projecto The Gutter Twins -, Dean Ween e a já citada PJ Harvey. Blues, rock, Tom Waits, referências western, uma ode à americana.
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quarta-feira, 23 de julho de 2014
[Semana 14-07-04] Rogue Wave editam "Out of Shadow"
Em 2004, enquanto o homónimo dos Franz Ferdinand inspirava meio mundo, “Chutes Too Narrow” dos The Shins assumia-se como modelo de uma pop mais bem comportada, mais devedora do legado dos Beach Boys, com melodias cuidadas e harmonias perfeitas. Depois de “The Slow Wonder” de A.C. Newman, também “Out of Shadow” dos Rogue Wave deve muito limada da banda de James Mercer. Do psicadelismo à folk mais pastoral, a estreia de Zach Rogue veio provar, mais uma vez, que um tipo deprimido vale muito mais do que dois ou três de bem com a vida.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
[Semana 07-07-04] Futureheads editam "Futureheads"
Em 2004, a fórmula era esta: pegar nos ensinamentos pós-punk gingões dos Gang of Four e fazer as delícias dos pés mais irrequietos. Por esta altura, a receita do sucesso tinha sido posta em prática apenas pelos Franz Ferdinand, a primeira e mais entusiasmante banda desta vaga. Talvez resida aí a razão da boa recepção à estreia dos Futureheads. Nem 365 dias depois, as estreias dos Kaiser Chiefs e Maximo Park soariam mais frescas e interessantes.
terça-feira, 8 de julho de 2014
[Semana 30-06-04] The Cure editam "The Cure"
Em 2004, ao 12º disco de estúdio, os The Cure chegam ao inevitável homónimo. Mantendo a tradição estabelecida desde 1992, a banda de Robert Smith edita mais um álbum em ano de campeonato europeu de futebol e fá-lo com uma vitalidade que parecia perdida em Inglaterra 96. “The Cure” é claustrofóbico, desesperado, nervoso – atributos que poderão ser associados à escolha do produtor Ross Robinson – que trabalhou, por exemplo, com os caóticos Slipknot.
domingo, 29 de junho de 2014
[Semana 23-06-04] Dungen editam "Ta det lugnt"
Hoje, em 2014, o psicadelismo moderno foi reabilitado, fazendo parte do calendário de edições das mais prestigiadas publicações dedicadas à música. Hoje, em 2014, um novo álbum dos Tame Impala será sempre um dos mais aguardados da agenda discográfica anual. Ontem, em 2004, não era bem assim, as edições psicadélicas não eram tão corriqueiras como hoje, em 2014. Ontem, em 2004, um tipo sueco, o multi-instrumentista Gustav Estjes, que, à imagem de Kevin Parker dos Tame Impala, a única cara do projecto, edita Ta det lugnt, aquele foi provavelmente o grande disco de rock psicadélico de 2004.
quarta-feira, 25 de junho de 2014
[Semana 23-06-04] Wilco editam "A Ghost is Born"
quarta-feira, 18 de junho de 2014
[Semana 16-06-04] The Killers editam "Hot Fuss"
Cinco bons singles chegaram para criar uma ilusão que rezava assim: os Killers eram a melhor nova banda da década dos zeros a combinar indie-rock e sintetizadores a escorrer azeite. Não, nem indie, nem rock. Os Killers transformaram-se num fenómeno pop à escala global, uma máquina de singles horrendos e de "não singles" ainda piores. Uma fraude. Hot Fuss já denuncia a capacidade de apontar para as grandes arenas - a melhor canção de todas as canções dos Killers, "Mr. Brightside" escala o top britânico, entre nomes como Avril Lavigne, Mario, Eamon e Usher. É um álbum mais consensual da banda de Brandon Flowers (pinta de estrela, cabelo a mais. mas ainda assim capaz de gerar opiniões polares. Hot Fuss é a crónica de uma banda que com apenas cinco canções enganou meio mundo. O tempo deixaria claro o embuste.
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