segunda-feira, 27 de abril de 2015

[Semana 20-04-05] Robyn edita "Robyn"


"Será que daqui a 10 anos Robyn vai ser um belíssimo franchise de Madonna ou de Kylie [Minogue]?", perguntava James Hunter no Village Voice, em Abril de 2008, numa análise ao trabalho da sueca. E completava: "é difícil antecipar estas coisas". É, de facto, quase impossível antecipar estas coisas ou este blogue nem sequer teria razão para existir. E a resposta é: não. Robyn não se tornou numa imitação de Madonna - em 2015 é aquilo que já era em 2005 e em 2008, uma cantora pop para o ouvido dos indies, dos alternativos - não terá sido por acaso que a Pitchfork a adoptou como "a sua" artista pop nem terá sido acidente a contribuição dos conterrâneos The Knife com sintetizadores em "Who's That Girl". Não queremos com isto dizer que o grande público é esquecido - há aqui hinos pop tremendos, foram extraídos cinco singles que colocaram Robyn nos topes.




quarta-feira, 22 de abril de 2015

O que aconteceu na semana de 20-04-2005?



Notícias:

- Pelo 2º ano consecutivo, a Love Parade de Berlim é cancelada. Os organizadores referem que a grande razão é a "doente economia alemã".

- Jamie Cullum actua no Freeport Alcochete, Colleen na Galeria Zé dos Bois, Rufus Wainwright nos Coliseus e Nina Nastasia sobe ao palco da Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão.

Disco da Semana:

Bruce Springsteen - Devils And Dust

Não é um álbum de protesto, mas é um disco patriota. Sim, é mais um disco de Bruce Springsteen carregado de referências à América, à administração Bush, à Guerra do Iraque, mas também à Bíblia - são várias as referências e as tangentes ao gospel. Isto numa altura em que uma nova vaga de bandas liderada pelos Hold Steady começava a aparecer. O Boss voltava ao uso exclusivo da guitarra acústica, à imagem do que fizera nas duas décadas anteriores - em Nebraska de 82 e The Ghost of Tom Joad de 95 - picando o ponto nos anos 00. Num pormenor paradoxal, muitas destas canções já estavam escritas há mais de dez anos.  



Outros Álbuns Editados:

Robert Plant and the Strange Sensation - Mighty ReArranger
The Mountain Goats - The Sunset Tree
Robyn - Robyn
Data Rock - Data Rock

Citações com dez anos:

-  "Lembro-me que quando os The Strokes apareceram, as repercussões já tinham começado, as pessoas passaram do «eles são tão fixes» para o «odeio-os tanto» e o álbum ainda nem tinha chegado." (Sam Endicott, vocalista dos The Bravery)

- "Quando és prolífico deves aproveitar e mandar cá para fora. Nos 60s e 70s, por vezes, eram editados três álbuns por ano. Isso seria perfeito para nós que adoramos escrever e torar coisas novas." (Brandon Flowers)

- "Gosto de trabalhar com gente talentosa." (Steve Lyon, produtor que trabalhou com Paul McCartney, The Cure, Suzanne Vega e Depeche Mode, justificando a produção de um álbum dos Polo Norte)

- "Se eu roubasse um Opel, um Lancia ou um Audi, iria para a prisão." (Tom Waits, relativamente ao polémico anúncio da OPEL que terá utilizado uma canção música e uma voz semelhante a sua, sem autorização)

domingo, 19 de abril de 2015

[Semana 13-04-05] Vitalic edita "OK Cowboy" e Caribou edita "The Milk of Human Kindness"


Dois contemporâneos, autores de dois dos discos de música de dança mais importantes do ano. Um, Vitalic, cujo B.I. aponta para a nacionalidade francesa, o que é dizer muito, o outro, Caribou, canadiano que, para evitar os tribunais tinha acabado de mudar para o nome com que hoje é bem conhecido. 

A estreia do primeiro vem na sombra do que uma certa dupla conterrânea tinha acabado de editar - Human After All, essa bomba que os Daft Punk tinham acabado de soltar era-o tanto a nível comercial, com vários êxitos das pistas de dança, como junto da crítica, que basicamente o destruiu. O álbum sucede um EP e celebrados sets de DJ e é pedra basilar do electroclash e é bem provável que tenha sido uma das grande influências da estreia dos Justice, dois anos depois. 

Caribou rouba o título de The Milk of Human Kindness a Shakespeare, mas não terá tido essa intenção quando baptizou o seu projecto a solo de Manitoba - Richard "Handsome Dick" Manitoba assim não terá pensado assim e obrigou-o a mudar para este Caribou que hoje anima playlists radiofónicas mundo fora. Ao terceiro álbum, Caribou ainda não era o Caribou que é hoje, notava-se a declarada admiração pelos Animal Collective num álbum entre psicadélico, mas com tangentes ao hip hop e à folk e que privilegia em muito a percussão. Contas feitas, muitos poucos se lembrarão de Vitalic, mas Caribou faz parte do dia-a-dia de muito boa gente.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

O que aconteceu na semana de 13-04-2005?


Notícias:

- As editoras independentes e as "majors" debatem a fusão entre o mercado físico e o digital e a sua contabilização para os topes de vendas. As independentes defendem estar em desvantagem referindo que sites como o iTunes e o Napster estejam a vender música independente suficiente para retirar conclusões precisas.

- Robert Plant é confirmado no Festival Vilar de Mouros.

- Slunt, Flipside e Wednesday 13 fecham cartaz do Super Bock Super Rock.

- É inaugurada a Casa da Música.

- Trent Reznor, mentor dos Nine Inch Nails, coloca o novo single, "The Hand That Feeds," no site oficial, de modo a que pudesse ser manipulada por uma programa da Apple, o Garageband. A ideia seria os fãs criarem as suas próprias versões.

Discos da Semana:

Eels - "Blinking Lights and Other Revelations" / Ryan Adams - Cold Roses

Dois discos duplos, na mesma semana, de dois songwriters de culto? Apenas uma coincidência, sim, mas um ponto em comum: ambos separam os registos com critério. Mark Everett, "E" para os amigos, sempre usou as suas canções para expurgar os seus demónios. E são tantos aqueles que foi fazendo sair: o suicidio da irmã, a derrota perante o cancro da mãe e o primo que estava num dos dois aviões que embateram nas Torres Gémeas. Mais tarde viria a editar um álbum triplo, na sequência de um divórcio. Este Blinking Lights and Other Revelations é o disco mais intimo editado por Eels até 2005. O registo, à imagem do de Ryan Adams, guarda os momentos mais pesados para a primeira metade e a esperança para a segunda. Ryan que até aqui ia editando um disco por ano, mas, não satisfeito planeou três álbuns para 2005. Este, Cold Roses, é o primeiro e mais ambicioso - embora a ambição se fique pela duração, pois a música é bastante modesta, apresentando uma instrumentação básica e letras humildes. Nada mal para quem sempre foi acusado de ser um "poser". Mais do mesmo, portanto: country alternativo, como o rotularam. Seja.



Outros Álbuns Editados:

Caribou - The Milk of Human Kindness
The Cat Empire - Two Shoes
Autechre - Untitled

Citações com dez anos: 

- "Odeio vídeos. Não criei uma banda para estar num palco o dia todo e fingir que estou a cantar a canção umas 500 vezes e, chegar ao fim da 499ª tentativa, a odiar a canção." (Noel Gallagher)

- "Quando alguém vem ter contigo e pergunta: «qual o teu álbum favorito dos Led Zeppelin», a resposta deveria ser: "Physical Graffiti. Daqui a 20 anos, quando vos perguntarem que disco dos Foo Fighters devem comprar, quero que respondam: "In Your Honor". (Dave Grohl)

- "É tudo sobre ser um adulto, deixar as tretas da adolescência e ser responsável. Estou mais velho." (Matt Berninger, sobre "Alligator")

- "As pessoas querem conhecer as tuas lutas. Tenho a certeza que foi isso que fez do 8 Mile do Eminem um sucesso tremendo. Toda a gente quer saber como é que era a tua mãe e a tua casa antes de entrares na indústria musical." (Missy Elliott)

Obituário: 

- Johnnie Johnson, o músico que inspirou o clássico "Johnny B. Goode" de Chuck Berry. Mais tarde viria a colaborar com Berry nos clássicos "Roll Over Beethoven" e "No Particular Place To Go".

 

domingo, 12 de abril de 2015

[Semana 06-04-05] The National editam "Alligator"


O verdadeiro culto começa aqui, com este Alligator - muitas destas canções (duas, vá, "Abel" e "Mr. November", sendo que esta última continua a anunciar um apoteótico final) continuam a ser das mais celebradas em concertos. As comparações com os Tindersticks e Joy Division ainda se faziam sentir, a bateria de Bryan Devendorf começava a destacar-se (nota-se de forma particular em "Friend of Mine") e as letras eram já regadas a vinho e desilusões amorosas. Um álbum editado por uma editora europeia e que, paradoxalmente, debruça-se sobre a América.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

O que aconteceu na semana de 06-04-2005?


Notícias:

- The Roots são confirmados no Festival Paredes de Coura.

- Einsturzende Neubauten actuam no Centro Cultural de Belém, Judas Priest no Pavilhão Atlântico, Radio 4 no Lux Frágil e Lou Reed na inauguração da Casa da Música.

- A Federação Internacional da Indústria Discográfica (IFPI) lança novo ataque à pirataria com mais de 900 novos processos judiciais em 11 países que afectam utilizadores de programas como o Kazaa, eDonkey e eMule.

- N.E.R.D. desmentem fim e confirmam concerto no 24h TMN, evento que decorreu ao longo de 24 horas, entre Lisboa (Doca de Santos) e o Porto (Estádio do Dragão). O objectivo era assinalar os 5 milhões de clientes da rede móvel.

- Os recém-reunidos Dinosaur Jr tocam pela primeira vez na televisão.



Disco da Semana:

The National - Alligator

O verdadeiro culto começa aqui, com este Alligator - muitas destas canções (duas, vá, "Abel" e "Mr. November", sendo que esta última continua a anunciar um apoteótico final) continuam a ser das mais celebradas em concertos. As comparações com os Tindersticks e Joy Division ainda se faziam sentir, a bateria de Bryan Devendorf começava a destacar-se (nota-se de forma particular em "Friend of Mine") e as letras eram já regadas a vinho e desilusões amorosas. Um álbum editado por uma editora europeia e que, paradoxalmente, debruça-se sobre a América.

Outros álbuns editados:

Mariah Carey  - The Emancipation of Mimi
Garbage - Bleed Like Me
Dirty Projectors - The Getty Adress
Of Montreal - The Sunlandic Twins
Magnolia Electric Co. What Comes After the Blues
Gang Gang Dance - God's Money
Akron Family - Akron Family

Citações com dez anos:

- The Bravery respondem aos The Killers:

"Pobre rapaz, [o Brandon Flowers] está cheio de medo. Sinto-me mal ao estar aqui a falar dele, é como se estivesse a bater numa miúda." (Sam Endicott, vocalista)
"Ao vivo parecem bonecos de cera” (Michael Zacharin, guitarrista)
"Um dos tipos [o baixista] parece uma rapariga holandesa com barba". (Sam Endicott)

- "Mockingbird" é para a [minha filha] Hailie e para a [minha sobrinha] Alaina. Diz muito sobre elas e é provavelmente a canção mais emocional que já escrevi." (Eminem)

- "Apertei-lhe a mão e disse: «Sinto que acabei de ver toda a história do rock & roll»." (Brandon Flowers, sobre o momento em que conheceu David Bowie)

segunda-feira, 6 de abril de 2015

[Semana 30-03-05] Fantômas editam "Suspended Animation"


Este é o último álbum dos Fantômas, supergrupo (Buzz Osborne, Trevor Dunn e Dave Lombardo) e projecto que melhor resume a atitude de Patton perante a sua carreira como músico: o shuffle, a mudança constante de projectos, dos Faith No More a Mr. Bungle, dos Tomahawk a Peeping Tom e à colaboração com John Zorn. Esse shuffle constante permite que Suspended Animation balance entre sons jazz "cartoonescos" e toadas mais violentas, por vezes a fazer tangentes ao metal mais extremo. Ou seja, uma viagem que tanto é uma série de animação para crianças como um filme de terror gore. Voltariam apenas em 2013 para gravar um álbum com os Melvins. 

[Semana 30-03-05] Architecture in Helsinki editam "In Case We Die"


O segundo álbum dos australianos Architecture in Helsinki só não é mais surpreendente porque os Fiery Furnaces tinham largado esse belo Blueberry Boat e os Arcade Fire acabavam de editar uma obra-prima - tudo numa questão de meses. In Case We Die envereda  por todas as direcções possíveis, o que resulta em algo que pode ser considerado caótico e imberbe, inocente e entusiasmante. Mas, ao contrário dos álbuns acima citados, nesta altura, o octeto australiano não se levava muito a sério. E ainda bem.

sábado, 4 de abril de 2015

[Semana 30-03-05] Okkervil River editam "Black Sheep Boy"


A cover de "Black Sheep Boy", canção blues dos anos 60, da autoria de Tim Hardin, que inspira tudo o que se segue neste magnífico terceiro álbum dos Okkervil River, eles que se confundem com o vocalista e letrista Will Sheff. Quer isto dizer que tudo o que se passa em Black Sheep Boy tem a mão de Sheff que criou Black Sheep, uma criatura do fantástico que terá passado por muito tal como está retratado na capa do álbum. Inteligente nas letras, certeiro na música, Black Sheep Boy é mais um dos dignos representantes da ascensão da folk vivida na durante a primeira década dos anos 00.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

[Semana 23-03-05] Beannie Sigel edita "The B. Coming"


The B. Coming tem tanto de magnífico como de surpreendente. O extremo cuidado da produção, o entusiasmo com que Beanie Sigel abraça cada canção e a verdade das letras. Sigel sabe do que fala, os problemas com a lei já tinha começado em 2002 quando foi detido por posse de armas. The B. Coming foi gravado entre as semanas em que foi considerado culpado de possa de arma e drogas e a sentença de um ano que acabou por cumprir. Um ano depois, já fora da prisão, haveria de ser atingido por vários disparos durante um assalto. Os problemas continuam, a obra fica. Esta é uma obra-prima - da criteriosa escolha dos produtores às quase 100 por cento certeiras colaborações vocais.