quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

[Os melhores álbuns de 2005] 22º - M83 - Before the Dawn Heals Us


A discografia dos M83 sempre se pautou por uma evolução tanto sonora como estética. Se M83 e Dead Cities, Red Seas & Lost Ghosts são álbuns pouco humanos e centrados nos sintetizadores, este Before the Dawn Heals Us aponta numa direcção mais orgânica, com guitarras shoegaze e um som atmosférico e onírico. É o álbum da saída de Nicolas Fromageau e da emancipação de Anthony Gonzalez, material facilmente confundível com algo escrito para o cinema, não sendo raras as referências ao cinema de terror ou a um thriller. É o ínicio de uma equilibrada caminhada até Hurry Up, We're Dreaming e respectivo airplay na Cidade FM.

[Os melhores álbuns de 2005] 23º - Andrew Bird - Andrew Bird - The Mysterious Production of Eggs


É o sexto álbum, mas soa a primeiro. Até The Mysterious Production of Eggs, quase nove anos depois do debutante Music of Hair, Andrew Bird foi modelando uma identidade. Percebe-se que é aqui que a alcança e daí que, dez anos depois, pareça o primeiro. Até aqui, Bird andou pelo country e o bluegrass e, acima de tudo, pelo jazz, na companhia dos Bowl of Fire. O anterior Weather Systems já dava algumas pistas relativamente ao passo seguinte - assobiador profissional e mudança para um som folk - mas até aqui, a formação clássica parecia condicionar as composições e escolhas do músico. Ei-lo então diferente, em 2005, mais ambicioso e a fazer sombra a Rufus Wainright com um dos mais celebrados discos do ano. E a folk era a nova grande cena.

[Os melhores álbuns de 2005] 24º - Arab Strap - The Last Romance


A um nível temporal, os Arab Strap são um hino a este blog: duraram precisamente dez anos. Este The Last Romance tem título premonitório e seria de facto o canto do cisne dos escoceses. Terminaram numa altura em que a cena local voltava a estar nas bocas do mundo via Franz Ferdinand. E, pegando numa referência da banda de Alex Kapranos, o duo composto por Aidan Moffat e Malcolm Middleton reclamava: "Take Me Out". Deixaram-nos fora, da cena, do hype, da moda. Meses antes da edição, os dois Arab Strap já revelavam desentendimentos: Malcolm queria um disco mais negro, Moffat preferia-o visceral. O segundo acabou por ganhar, mas, com o desentendimento e apesar dos bons resultados deste disco, a música ficaria a perder com o fim da banda. Estas canções continuam a descrever relacionamentos falhados, de um modo cáustico. A diferença é o próprio Moffat que a nota: "é um pouco mais acelerado, mas continua a lidar com o lado negro das relações. É como o lado negro da série Star Wars - mais rápido e mais sedutor.”

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

[Os melhores álbuns de 2005] 25º - Deerhoof - The Runners Four


Sete discos noutros tantos anos e, por fim, os Deerhoof são uma banda de canções pop. Não deixam de praticar a auto-sabotagem, mas estas canções são mesmo a sério. The Runners Four são duas dezenas de canções curtas, mas que ocupam o dobro da duração dos registos anteriores. Muitas canções não têm um arranque ou um final óbvio, lembrando material dos Guided By Voices, mas é dos Sonic Youth que temos como referência ao longo de um dos mais desafiantes discos de guitarras do ano.

[Os melhores álbuns de 2005] 26º - Los Hermanos - Quatro


Quatro é o último disco dos Los Hermanos e, voltando a ele, é difícil perceber o porquê de terem sido uma banda polarizadora: não se ama ou odeia Los Hermanos, só se ama. Porque eram bons. Muito bons. Resultavam de duas personalidades distintas, mas igualmente talentosas: Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante, o primeiro mais preocupado com as melodias, o segundo mais dedicado às letras. E, olhando para as discografias pós-Los Hermanos, podemos concluir que Camelo tinha as ideias mais arrumadas. Sou, de 2008, ditou o caminho que haveria de seguir até hoje, à Banda do Mar. Rodrigo Amarante tentou o inglês dos esquecidos Little Joy, algo estranho para quem compõe tão bem em português, e só em 2013 se voltou a notabilizar com o fenómeno "Youtubiano" Cavalo. Quatro será o disco mais intimista da banda, bandeira da Nova MBP. Mas não vale a pena colá-los ao que os originais fizeram nos anos 60 e 70. O que Los Hermanos fizeram foi especial, independentemente da inspiração de mestres como Chico ou Caetano.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

[Os melhores álbuns de 2005] 27º - Gorillaz - Demon Days


Por alturas do segundo álbum, os Gorillaz ainda eram encarados como o projecto que Damon Albarn alternava com os Blur. Demon Days vem dois anos depois de Think Thank, o sétimo da banda de "Parklife", e quatro anos depois do homónimo dos Gorillaz - uma grande ideia, uma pedrada no charco que correu bem a todos os níveis. Algumas diferenças do primeiro para o segundo álbum. Se a bonecada de Jamie Helett veio para ficar, na produção sai Dan the Automator e entra Danger Mouse - contrapartida acordada entre o produtor e a EMI na sequência do processo de The Grey Album, o controverso mashup entre White Album dos Beatles e Black Album de Jay-z. Ao ser menos acessível e festivo do que a estreia, Demon Days prova que os Gorillaz sobrevivem a humores e produtores. O caldeirão hip hop, funk, soul, ajudado por convidados, muitos - Neneh Cherry, Roots Manuva, Ike Turner, Martina Topley-Bird, De La Soul, entre outros - mantém-se e, embora diferentes, os Gorillaz triunfam num segundo excelente álbum.

[Os melhores álbuns de 2005] 28º - Queens of the Stone Age - Lullabyes to Paralyze


Peguemos nas palavras de Nick Oliveri, pouco antes da edição de Lullabies to Paralyze: "já o ouvi e é um bom álbum, mas estava à espera de um regresso às origens - um disco de guitarras mais pesadas". Assim sendo, caso Oliveri não tivesse sido despedido da banda por mal comportamento, os dois elementos mais importantes dos Queens of the Stone Age, colegas, amigos, irmãos, o próprio Oliveri e Josh Homme, teriam provavelmente chegado ao ponto das diferenças criativas. Que disco seria Lullabies to Paralyze, caso Oliveri tivesse feito parte do processo? Provavelmente, mais linha de baixo, menos linha de baixo, seria o mesmo - por mais que a soma das parte fizesse um todo magnífico, Homme sempre foi o cérebro da banda. Até "I Never Came", ou seja, durante as oito primeiras faixas, a linha é, mais coisa menos coisa, a de Songs for the Deaf. A partir de "Someone's Wolf" explora algum psicadelismo assegurando uma das linhas que sempre orientou Homme: a constante mudança de som.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

[Os melhores álbuns de 2005] 29º - Vashti Bunyan - Lookaftering



A grande diferença de Just Another Diamond Day, de 69, para este Lookaftering, de 2005, estará na experiência, na vida de Vashti Bunyan, e não tanto nas canções. A voz não envelheceu significativamente, as canções não mudaram, as histórias sim, são de uma mulher vivida. A história, bonita: disco editado no final da década de 60 que não vendeu, mas, no início da primeira década do século XXI, atingiu um estatuto de culto junto da afamada freak-folk, de Devendra Banhart a Joanna Newsom, passando pelos Animal Collective. São canções de uma folk sem tempo, que poderiam ser editadas hoje, há dez ou há 46 anos. Uma bonita história, a da calejada Vashti Bunyan.

[Os melhores álbuns de 2005] 30º - The Rosebuds - Birds Make Good Neighbours


Há coros à Funeral dos Arcade Fire logo na canção de abertura, "Hold Hands and Fight", mas este casal (Ivan Howard e Kelly Crisp) indie é de outra estirpe. Birds Make Good Neighbors procura a perfeição, mas é mais negro que a estreia dos Rosebuds, o explicito The Rosebuds Make Out. Assumamos então que na estreia, ainda se estavam a conhecer e agora, casados, encontram as dificuldades a que o matrimónio obriga. Bem resolvidos estavam neste segundo disco.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

O que aconteceu na semana de 30-11-2005?


Notícias: 

- Os Grateful Dead pedem ao website archive.org para parar de disponibilizar concertos gravados pelos fãs para download gratuito. Os fãs protestam, acusando a banda de traição, recordando que os próprios Grateful Dead sempre encorajaram os fãs a gravar os concertos e a trocar cassetes e CDs de borla.

- Lil Wayne actua com Robin Thicke (pré-"Blurred Lines) no Tonight Show.



- dEUS actuam na Aula Magna e ao Pavilhão Atlântico sobem os Black Eyed Peas, que celebram a vitória do Sport Lisboa e Benfica perante o Manchester United.


Disco da Semana: 

Korn - See You on the Other Side

A mudança vinha sendo anunciada há algum tempo, mas só se confirmaria com este See You on the Other Side. Basta olhar para os créditos: com The Matrix (Avril Lavigne, Britney Spears, uma armada pop no CV) e Atticus Ross (Nine Inch Nails) na produção, e sem Brian "Head" Welch na guitarra. E depois, o vídeo de "Twisted Transistor", com Xzibit, Lil Jon, David Banner e Snoop Dogg como protagonistas, profanação para os fãs metaleiros, enterro com pompa e circunstância do finalmente proscrito nu-metal. Nota-se a influência dos Nine Inch Nails, os apontamentos industriais percorrem o disco que é longo, demasiado longo. É o início da fase mansa dos Korn que, mais tarde, haveria de acabar no dubstep. Percebe-se a necessidade de mudar, mas está aqui o início da caminhada para a irrelevância da banda de Jonathan Davis.



Outras Edições:

Lil Wayne - The Carter II
White Stripes - Walking With a Ghost 
Eminem - Curtain Call: The Hits
Lindsay Lohan - A Little More Personal (Raw)

Citações com dez anos: 

- "Acabámos de comprar uma velha igreja [Presbiteriana] a Sul de Montreal e vamos transformá-la no nosso estúdio de gravação." (Tim Kingsbury, guitarrista dos Arcade Fire)

- “O que a MTV me obrigou a cortar, destruiu por completo a narrativa do vídeo. [A censura] afectou-me de tal maneira que tive que retirar o meu nome dos créditos." (Michael Palmieri, realizador do vídeo de "Juicebox", dos The Strokes)



"Dizemos quase sempre que não. O assistente da Madonna veio à Suécia e mostrou-nos a canção. Soou-nos tão "catchy" que eu e o Benny [Andersson] dissemos logo "Sim". (Bjorn Ulvaeus, 1/4 dos ABBA)