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quarta-feira, 13 de maio de 2015

O que aconteceu na semana de 11-05-2005?


Notícias: 

- Oasis, Kasabian e Josh Rouse são confirmados no Festival Sudoeste.

- Faithless são confirmados no Festival Vilar de Mouros.

- É diagnosticado cancro da mama a Kylie Minogue.

Disco da Semana:

System of a Down - Mezmerize

Há dez anos, o rock entusiasmava-se com uma nova vaga de bandas que se estendia já desde 2001, altura em que os Strokes e os White Stripes editaram discos seminais. 2005 é um ano de estreias que entusiasmam: Bloc Party, Kaiser Chiefs, Maximo Park, citando apenas alguns. Paralelamente, o metal era uma dos géneros mais relevantes, muito graças a coisas refrescantes como os System of a Down, mas também a coisas medonhas como o nu-metal, a que a banda acabou de forma injusta por ficar associada. Não é difícil provar a relevância do metal e do rock mais pesado em 2005, basta olhar para os cartazes dos festivais: Queens of the Stone Age, Foo Fighters, Korn, Audioslave, Marilyn Manson, Iggy Pop & The Stooges e Slayer, só para citar alguns exemplos, eram cabeças de cartaz dos principais eventos nacionais.  

Mezmerize é metade de um plano que só acabaria no outono, com a edição de Hypnotize, aquele que acabaria por ser o último disco dos quatro arménio-americanos. Mezmerize é brutal, político, jocoso. Basta olhar para essa bomba que é "B.Y.O.B.", canção e vídeo - e pensar que vivíamos a reeleição de George W. Bush. O misto de influências que resulta num som genericamente catalogado de metal e a química entre Serj Tankian e Daron Malakian são impressão digital de uma banda que entra para aquele rol de poucas que conseguiu não errar. Por vezes, parece que estão a gozar, que não se levam a sério, que Mezmerize não passa de um testemunho tonto daquilo que lhes vai na cabeça. Mas não. Isto é a sério e muito sério. É uma denúncia feita por uma das mais influentes bandas da altura. 



Outros álbuns editados:

Toranja - Segundo 
Maximo Park - A Certain Trigger
Electrelane - Axes
Scout Niblett - Kidnapped By Neptune
WHY? - Sanddollars
Quasimoto - The Further Adventures of Lord Quasi

Citações com dez anos:

- "Por tradição, os três maiores "choninhas" em qualquer banda, são o vocalista, teclista e baterista. Nem preciso dizer mais nada." (Noel Gallagher sobre os Keane)

- "Chamou-nos de "choninhas"? Não importa. [O Noel Gallagher] é um otário. Pertence a uma banda que foi brilhante nos anos 90, mas que hoje ninguém quer saber." (Tim Rice-Oxley, teclista dos Keane em resposta a Noel Gallagher)

- "Só apoiei a candidatura de John Kerry porque George W. Bush estava a usar uma das nossas canções para a dele. Isto mostra o quão alienado ele anda." (Dave Grohl)

- "Quando [Kurt] Cobain morreu, gerou-se um intenso fascínio pelos seus últimos dias. Foi um daqueles suicídios, como o de Hunter S Thompson ou o do Elliot Smith." (Gus Van Sant, justificando a pertinência de "Last Days", filme que acompanha precisamente os últimos dias de Kurt Cobain)

- "Estou à espera que o Graham Coxon me volte a falar. Gostava de perceber se conseguimos gravar mais um disco. Sinto falta de tocar ao vivo com a banda em que cresci." (Damon Albarn)

- "Na superfície é uma canção festiva, mas lida com a minha perplexidade perante a forma a administração George W. Bush reage e lida perante os direitos homossexuais, os direitos da mulher e as liberdades civis em geral." (Shirley Manson, vocalista dos Garbage, sobre "Why Do You Love Me")

 

Obituário: 

 - Monica Zetterland, cantora jazz sueca que actuou, entre outros, com Bill Evans.

terça-feira, 3 de março de 2015

O que aconteceu na semana de 02-03-2005 ?


Notícias: 

- Hoobastank actuam no Coliseu dos Recreios e Hard Club e Jarvis Cocker sobe ao palco do Lux.

- Um incêndio destrói o histórico Easley McCain, o estúdio onde Jeff Buckley gravava quando morreu. Também os Sonic Youth, os The White Stripes, os Wilco e os Guided By Voices gravaram ali.

- Peter Murphy e The Charlatans são confirmados no Festival Vilar de Mouros.

- Festival Galp Energia anuncia cartaz: Seal, Skank, Skin e Toranja.

- Incubus e Moby são confirmados no Super Bock Super Rock. Hoobastank cancelam a actuação.

- Franz Ferdinand e Keane são anunciados para a 1ª parte do concerto dos U2 no Alvalade XXI.

Disco da Semana: 

Kaiser Chiefs - Employment

Dois meses depois de Silent Alarm, nova folgorosa estreia num mercado britânico que tentava prolongar à força o momentum que a magnífica estreia dos Franz Ferdinand havia encetado cerca de 12 meses antes. O revivalismo pós-punk a produzir bandas como cogumelos e a imprensa britânica sob os comandos do New Musical Express com hype atrás de hype numa altura em que o termo ainda fazia sentido. A estreia dos Kaiser Chiefs é bem simpática, mas foi elevada a um estatuto que não é o seu. Foi um dos álbuns do ano para muito boa publicação que quis ver aqui os sucessores de uns Blur que estavam à beira do hiato que se prolongou até esta década. A verdade é que, mais quatro álbuns depois, os Kaiser Chiefs são encarados como a banda de um carismático Ricky Wilson que virou jurado de um talent show, o The Voice, que o alcunha de Mr. Puppy Dog Eyes. 


Outros álbuns editados:

50 Cent - The Massacre
Black Label Society - Mafia
Ash - Meltdown
50 Foot Wave - Golden Ocean
Flaming Lips - LateNightTales

Citações com dez anos: 

- "Não nos vemos como um grupo diferente [dos Joy Division] só por não termos o Ian [Curtis] connosco fisicamente. Ele continua lá espiritualmente." (Peter Hook)

- "Já ouvi ["Lullabies to Paralyze"] e é um bom disco. Mas estava à espera que fosse um regresso às origens - um disco de guitarras mais pesadas". (Nick Oliveri, ex-baixista dos Queens of the Stone Age sobre o novo álbum da banda)

- "Consigo perceber que os The Strokes e os Franz Ferdinand são verdadeiros, mas não o consigo ver nos The Bravery." (Brandon Flowers)

- "Nunca imaginámos o impacto que o filme podia ter nas nossas vidas." (Lars Ulrich, relativamente ao documentário "Some Kind of a Monster")

terça-feira, 11 de junho de 2013

[Jukebox de há dez anos] Alex D'Alva Teixeira


Faz apenas um ano, mais coisa menos coisa, que ouvimos "3 Tempos" (do EP Isto não é um Projecto) pela primeira vez e é como se já tivesse passado uma eternidade.  O seguinte TOP 10 é resultado democrático das escolhas de Alex, Ben Monteiro e Vítor Hugo Azevedo.

Os dez discos mais importantes de 2003 para Alex D'Alva Teixeira: 

1. Linkin Park - Meteora


2. Radiohead - Hail to the Thief


3. Toranja - Esquissos


4. Thursday - War all the time


5. Placebo - Sleeping With Ghosts


6. Guano Apes - Walking On a Thin Line


7. The Mars Volta - De-Loused in the comatorium


8. Yeah  Yeah Yeahs - Fever To Tell


9. Muse - Absolution


10. Deftones - Deftones

terça-feira, 21 de maio de 2013

[A Rubrica do Canoilas] Há dez anos, como foi em Portugal?



Aviso prévio: este artigo foi escrito por alguém que tinha 16 anos em 2003. Mas boa memória. Mas só ouvia merda. E ainda hoje ouve.

2003 foi o ano do "estrala-a-bomba". O foguete vai no ar e o grupo Adiafa (não consegui escrever banda, senti-me que estava a enganar os senhores) dominava o TOP português de vendas. Foi ouvir até cansar. (Nota: 2003 também foi o ano em que se descobriu o imenso talento das Las Ketchup). No fim do ano, a Direcção-Geral de Saúde publicava o relatório anual "Risco de morrer em Portugal 2003" e dava conta da duplicação da taxa de suicídios nos últimos 10 anos, com especial incidência no Alentejo. Não há coincidências, já dizia o outro.

"Fixe, fizeste uma analogia idiota e ligeiramente ofensiva. E música a sério?"

Bem, Mariza passou de mera side-kick do Herman, entre momentos ridículos de médiuns de cagalhões na tola e gajas descascadas (sdds Hermanias) e lançou o segundo disco, Fado Curvo, que vendeu meia dúzia de cópias (seis platinas). Relembramos mais uma razão pela qual a morte do Bernardo Sassetti foi uma merda do caralho, com o grande disco em colaboração com o Mário Laginha. Old Jerusalem estreia-se em longa duração.

Mas nem tudo é bom. Os Toranja lançam Esquissos e temos de levar com a puta da "Carta" durante meses. E com o Tiago Bettencourt durante anos. Ainda agora foi anunciado para o Sudoeste.

“Boa, as minhas expectativas estavam baixas, mas mesmo assim consegues não dizer uma merda de jeito até agora. Arruma lá com o assunto.”

2003, para mim, foi o ano do Irmão do Meio. Um excelente álbum do Sérgio Godinho, pejado de convidados de luxo. Destaques para "Quatro Quadras Soltas", com os Gaiteiros de Lisboa (que convidaram os Adiafa para o Avis Rara, do ano passado) e "Lisboa Que Amanhece" Caetano Veloso. Mas a pérola aparece mesmo no fim do disco, a última faixa. Melhor canção do ano, cantada em português, sem merdas: "Dancemos no Mundo", com os Clã.

P.S.: Isto é tudo muito giro, mas 2003 é o ano da edição do Deloused in the Comatorium, dos Mars Volta. Alto discão e até tem uma música em português ("Cicatriz ESP"), por isso posso meter este P.S. sem stress, certo?

Dez Anos é Muito Tempo no Facebook.