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sexta-feira, 26 de junho de 2015

O que aconteceu na semana de 22-06-2005?

Notícias:

- Coldplay fazem versão de "Can't Get You Out Of My Head", de Kylie Minogue, no Glastonbury Festival (official), em homenagem à cantora que foi obrigada a cancelar a actuação devido ao diagnóstico de cancro da mama.



- "Re-Definições", dos Da Weasel recebe tripla platina.

- Sean Paul e Showcase da DFA RECORDS são confirmados no Sudoeste tmn.

- Acontece a última edição do Festival Ilha do Ermal.

- Tom Zé actua no Palácio de Cristal e Aula Magna, os Humanos no Coliseu dos Recreios, Moodymann no Lux Frágil e Adriana Calcanhotto no Pavilhão Multiusos de Guimarães.

Disco da Semana:

Roisin Murphy - Ruby Blue

Ruby Blue, o disco de estreia de Roisin Murphy a solo, é também um dos mais surpreendentes do ano. Depois de quase uma década a criar hinos para as pistas de dança - hinos como este e este -, Murphy baralha as expectativas e, com Matthew Herbert na produção, cria um som dançável, sim, mas também com resquícios jazz e  neo-soul. É Herbert o responsável pela ponte entre os Moloko (chegou a remisturar "Sing it Back") e este projecto a solo que usa objectos do dia-a-dia e cuja principal inspiração terá sido. segundo a própria protagonista, Spearkerboxx/The Love Below dos Outkast. É um dos álbuns mais audazes do ano. 


Outras Edições:

Röyksopp - The Understanding
Bow Wow - Wanted

Citações com dez anos:

- "Sabem porque é que eu gostava de participar? Para ganhar o espectáculo apenas com 4 canções e piscar o olho ao Robbie Williams enquanto lhe digo: "agora faz melhor, idiota"." (Liam Gallagher, sobre o Live 8)

- "Quero a minha banda, as minhas canções e os meus sonhos de volta." (Billy Corgan, relativamente aos The Smashing Pumpkins)

- "Não quero saber o que os outros pensam. Fico contento por gostarem, mas continuo a fazer música para manter a minha sanidade mental." (Madlib)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

O que aconteceu na semana de 16-02-2005 ?


Notícias:

- Da Weasel esgotam Coliseu dos Recreios.

- Joe Cocker é confirmado no Festival Vilar de Mouros.

- Rufus Wainwright visita o Late Night With Conan O'Brien, para interpretar "Stairway To Paradise", tema da banda sonora de The Aviator.


- TMN lança o "TMN Garage Sessions". O vencedor teria direito a gravar um registo fonográfico, presença assegurada numa das campanhas da TMN e a actuação no Festival Sudoeste.

Discos da Semana:

M. Ward . Transistor Radio / Josh Rouse - Nashville

Depois de Andrew Bird, M. Ward e Josh Rouse. Folk, a nova grande cena. Nos anos seguintes, M. Ward haveria de se juntar à estrela pop Zooey Deschanel nos She & Him e formar um super grupo do género com Jim James e Conor Oberst, os muito apropriadamente nomeados Monsters of Folk. Josh Rouse haveria de semi-desaparecer do mapa. Se os colocarmos em confronto directo, pese as diferenças, M. Ward safa-se bem melhor. Não que Nashville seja mau, é apenas um disco folk nada de especial com muito de Being There dos Wilco mas em pior e aqui e ali uns toques de Smiths. Transistor Radio já é de outro calibre, é o disco em que Ward mais denúncia a influência dos seus heróis, de forma óbvia em "Sweethearts on Parade", original de Louis Armstrong, e "You Still Believe Me", instrumental de um original dos Beach Boys, e de forma menos óbvia no fingerpicking à John Fahey ou nos apontamentos western. A partir daqui, assistiremos a uma queda do revivalismo pós-punk e à ascensão da folk americana.

Outros álbuns editados:

- The Howling Hex - All-Night Fox 
- Tori Amos - The Beekeeper 
- Steve Vai - Real Illusions: Reflections

Citações com dez anos:

- "Muitos pensam que a "Everybody Knows That You're Insane" é sobre o Nick Oliveri, mas não é." (Troy Van Leeuwen, guitarrista dos Queens of the Stone Age)

- "Sei que há grupos nas tabelas de vendas que são recebidos como salvadores do rock'n'roll, mas não passam de amadores. Não sabem de onde vem a música que tocam. Se tivesse nascido nos tempos de hoje, não teria sido músico. Teria tido interesse por arquitectura ou algo do género.". (Bob Dylan)

- "[O novo álbum] é bastante rock, motivo pelo qual já não fazemos clubes. Para fazeres parte de uma género musical tens que estar envolvido com ele." (Bernard Sumner, baterista dos New Order)

- "O título do álbum é "Demon Days". Já o terminámos. A Noodle e o DangerMouse estão só a dar os últimos toques". (Russell, baterista dos Gorillaz)

Obituário: 

- Chris Curtis, baterista original dos The Searchers, com 64 anos.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Os álbuns portugueses editados em 2004


A produção nacional de 2004 é sintomática - 50 por cento da música é cantada em inglês, o hip hop tuga continuava a afirmar-se, o pós-punk continuava a dar cartas, o melhor rock vinha de Coimbra e surgia o novo fado. Entre as vacas sagradas (Xutos, Mão Morta, José Mário Branco), algumas afirmações (Clã, Da Weasel e Wraygunn), estreias que viriam a não dar em nada (Loto e Plaza) e outras que deram alguns frutos (Yellow W Van e Matozoo), em 2004, Portugal ainda tentava, excepto uma ou outra excepção, imitar o que vinha de fora.

Comecemos pelos mais singulares: os Olga e os Hipnótica. Ambos ainda resistem, mas com um som radicalmente diferente. Os Olga estreiam-se com O, um álbum pós-rock via Mogwai e os Hipnótica cimentam o seu percurso (que já tinha começado há precisamente dez anos) com um registo etéreo e de referências ao jazz, à electrónica e à música ambiental. Hoje, uns dedicam-se ao rock, os outros à folk.

De Alcobaça, Armando Teixeira (produtor) apadrinha a estreia dos Loto, com um disco que é o equivalente a uma vénia aos New Order. Tivesse saído um ano depois e Loto teria valido comparações com a também estreia dos LCD Soundsystem. Também com o som apontado aos anos 80 e às ancas, os gaienses Plaza estreiam-se com singles como "(Out) On the Radio" e "In Fiction". E os Fonzie? Punk daqueles que envergonha os punks, música pop, no fundo, uma banda às aranhas que não sabe se quer ser os Blink 182 (som) ou os Foo Fighters (a estética). 

Das cinzas dos Tedio Boys, dois discos com selo conimbricense: Eclesiastes 1.11,, dos Wraygunn e Trying To Lose dos Bunnyranch. Os primeiros oferecem um caldeirão rock, soul, blues e, surpresa!, hip hop. Os segundos entregam aquilo que esperamos de uma banda de rock de Coimbra: um bom disco que justifique ainda melhores espectáculos ao vivo. Ainda no rock, os Mão Morta lançam Nus, disco conceptual que junta spoken word, samples e que chega a roçar o metal num registo que toca no absurdo e exigente, e os Xutos & Pontapés editam Mundo ao Contrário. Não será essa a intenção da banda, mas, à imagem dos Stones, parece andar a picar o ponto discográfico de forma a justificar as digressões do que pela qualidade do material. Despachemos também a secção que não se leva a sério: Ena Pá 2000 com A Luta Continua e Comme Restus com Pharmácia Ananáz. 

No hip hop, a Matarroa ataca com dois álbuns importantes: Funk Matarroês, a estreia dos Matozoo e Conhecimento de XEG. Ambos atiram-se à sátira dos lugares comuns do rap nacional: a industria musical, os críticos, a política, Casa Pia, música portuguesa e, claro, o amor. Exploram uma linguagem mais crua, fruto do contracto com uma editora independente. Nota para a participação de boa parte do núcleo duro do hip hop tuga actual no disco de XEG: Regula, NBC, New Max e Sir Scratch. Os Da Weasel atacam com aquele que talvez seja o seu melhor trabalho: Re-Defenições e a estreia dos Yellow W Van é feita através de uma major, algo que os afasta da linguagem sem filtros da Matarroa. O som fica entre os Red Hot Chili Peppers e o Rage Against the Machine. 

Por fim, os novos discos de José Mário Branco, Clã e a estreia de A Naifa. O primeiro lança um "disco de intervenção" em tempos pré-crise europeia que, a tempos, soa a premonição. Quando canta "somos lixo!", na "Canção dos Despedidos", por exemplo. É um disco que ainda hoje impressiona, prova de vitalidade suprema, visto estas palavras fazem mais sentido do que nunca. Os Clã lançam aquele que será ainda hoje o seu disco mais arriscado - emocional, orquestrado, poético - e, a fechar, A Naifa estreia-se com o som a que se convencionou chamar novo fado. Com Mitó, Luis Varatojo, João Aguardela e Vasco Vaz, Canções Subterrâneas soa a pedrada no charco com as suas referências electrónicas e batidas secas a casarem na perfeição com a voz de Mitó e o som da guitarra portuguesa.

No segundo semestre, um regresso: o dos Zen - mais nervosos, mais brutos em Rules, Jewels, Fools, segundo e último álbum da banda do Porto. Também do Porto e vindos das cinzas de outra banda que brilhou nos anos 90, os Pluto de Manel Cruz e Peixe (ambos ex-Ornatos Violeta), mas também de Eduardo Silva (ex-Jep) e Rui Lacerda (ex-Insert Coin). Acabaria por ser um acto isolado a estreia dos Pluto, projecto que hoje soa à vontade de Manel Cruz se ir afastando progressivamente do som dos Ornatos. Pouco antes de morrer, John Peel abençoou No Waves, segundo capítulo discográfico dos Micro Audio Waves. Levou-os à internacionalização. Dois suspiros discográficos a fechar o ano: The Gift e Humanos. Os primeiros, munidos de grande ambição, editam AM/FM, álbum duplo que explora novos territórios na primeira metade (AM, a menos comercial, a mais desafiante) e cimenta um percurso de muitos singles na segunda (FM, a mais vendável). Já os Humanos, ou seja, Camané, Manuela Azevedo e David Fonseca, não só não envergonham o legado de António Variações, como ainda o voltam a levar às massas. "Maria Albertina" que quase esteve para não ser incluída no disco acaba por servir de porta-estandarte a um disco surpreendente.