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terça-feira, 17 de maio de 2016

O que aconteceu na semana de 02-05-2006?


Notícias: 

- Mattafix, Jahcoustix & Dubios Neighbourhood e WhoMadeWho são confirmados no Sudoeste tmn.

- Xutos & Pontapés e espanhóis Deluxe são confirmados no Festival Vilar de Mouros.

Disco da Semana: 

Red Hot Chili Peppers - Stadium Arcadium 

Este disco esteve para ser triplo. Mais do que uma boa frase para começar um texto em que não há muito para dizer, esta afirmação é factual. A malta dos Red Hot, eles que gravaram coisas bastante interessantes ao longo de uma aqui já longa carreira, decidiu lançar o seu álbum megalómano, este Stadium Arcadium. Em 2006 era assim, sem álbuns-surpresa, sem teasers, sem blackouts nas redes sociais. A banda lutava com as armas que tinha, ou seja, bons músicos, Rick Rubin na produção e canções orelhudas, algumas funk, mas a maior parte cada vez mais pop. Então, é mais um disco dos Red Hot, sem grandes surpresas, mas com o dobro da duração. No 2º é como desempatar um jogo importante, começamos a olhar para o relógio.


Outras Edições: 

Dirty Pretty Things - Waterloo to Anywhere 
Girl Talk - Night Ripper 
Paul Simon - Surprise
Scott Walker - The Drift
Matmos - The Rose Has Teeth in the Mouth of a Beast

Citações com dez anos: 

- "Estas canções são a última declaração do Johnny [Cash], Esta é a música que queria que nós ouvíssemos." (Rick Rubin, sobre os últimos dois inéditos de Johnny Cash editados)



- "Vejo isto como algo a longo termo. Além disso, nunca tive oportunidade de gravar com um baixista nos The White Stripes." (Jack White sobre os The Raconteurs)

- "Este será um dos melhores álbuns dos últimos 20 anos." (Brandon Flowers, sobre "Sam's Town")

- “É triste que as pessoas roubem uma versão de fraca qualidade só porque um idiota a colocou na Internet." (Flea, sobre o leak de "Stadium Arcadium")

Obituário:

- Grant McLennan, fundador dos The Go-Betweens, vítima de um ataque cardíaco.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O que aconteceu na semana de 12-01-2005 ?

Notícias:


- É anunciado o iPod Shuffle.

- Mick Jagger e Dave Stewart (dos Eurythmics) vencem na categoria de "Melhor Canção Original" nos Globos de Ouro.



- Numa altura em que assinalam o 26º aniversário, os Xutos e Pontapés criam uma corrente de solidariedade para com as vítimas do tsunami na Tailândia. O contributo deveria ser feito através de uma chamada para o 760 10 13 26 ou o envio de uma SMS com a palavra xutos para o 3141.

Disco da Semana:

The Game - The Documentary

Na longa lista de mártires do hip hop não constam os nomes de 50 Cent e The Game. Ambos foram brutalmente alvejados antes de se lançarem como apostas pessoais de Dr. Dre. Afinal de contas, uma boa história é também uma excelente ferramenta de marketing. The Documentary, muito pessoal álbum de estreia, o rapper menciona vários clássicos do hip hop. De cabeça: Ready to Die de B.I.G., Reasonable Doubt de Jay-z, Doggy Style de Snoop Dogg, Death Certificate de Ice Cube, Illmatic de Nas e, claro, The Chronic de Dr. Dre - produtor, mentor e padrinho. Está na noção do legado hip hop e da vontade de criar algo que garanta o estatuto de clássico uma das grandes forças de The Documentary. O resto está numa criteriosa escolha de colaborações e produtores que vão de 50 Cent a Kanye West, passando por Timbalnd, Eminem ou Just Blaze. 

Outras edições: 

Black Mountain - Black Mountain

Citações:

-  "Ao longo do último ano, fiquei desapontado com os segundos álbuns de várias bandas que soavam a B-sides do primeiro álbum". (Nick Zinner, guitarrista dos Yeah Yeah Yeahs, defendendo uma mudança de som para o segundo disco da banda)

- "Se os Flaming Lips não podem fazer o que querem, quem poderá?" (Wayne Coyne)

- "Não acabámos, mas discutimos uns com os outros. De qualquer forma já está resolvido." (Bernard Sumner, vocalista e guitarrista dos New Order)

- "Temos algumas canções muito boas. Sei que digo sempre isto, mas acho que nunca as conseguiremos superar. (Chris Martin antecipando "X&Y")

terça-feira, 20 de maio de 2014

Os álbuns portugueses editados em 2004


A produção nacional de 2004 é sintomática - 50 por cento da música é cantada em inglês, o hip hop tuga continuava a afirmar-se, o pós-punk continuava a dar cartas, o melhor rock vinha de Coimbra e surgia o novo fado. Entre as vacas sagradas (Xutos, Mão Morta, José Mário Branco), algumas afirmações (Clã, Da Weasel e Wraygunn), estreias que viriam a não dar em nada (Loto e Plaza) e outras que deram alguns frutos (Yellow W Van e Matozoo), em 2004, Portugal ainda tentava, excepto uma ou outra excepção, imitar o que vinha de fora.

Comecemos pelos mais singulares: os Olga e os Hipnótica. Ambos ainda resistem, mas com um som radicalmente diferente. Os Olga estreiam-se com O, um álbum pós-rock via Mogwai e os Hipnótica cimentam o seu percurso (que já tinha começado há precisamente dez anos) com um registo etéreo e de referências ao jazz, à electrónica e à música ambiental. Hoje, uns dedicam-se ao rock, os outros à folk.

De Alcobaça, Armando Teixeira (produtor) apadrinha a estreia dos Loto, com um disco que é o equivalente a uma vénia aos New Order. Tivesse saído um ano depois e Loto teria valido comparações com a também estreia dos LCD Soundsystem. Também com o som apontado aos anos 80 e às ancas, os gaienses Plaza estreiam-se com singles como "(Out) On the Radio" e "In Fiction". E os Fonzie? Punk daqueles que envergonha os punks, música pop, no fundo, uma banda às aranhas que não sabe se quer ser os Blink 182 (som) ou os Foo Fighters (a estética). 

Das cinzas dos Tedio Boys, dois discos com selo conimbricense: Eclesiastes 1.11,, dos Wraygunn e Trying To Lose dos Bunnyranch. Os primeiros oferecem um caldeirão rock, soul, blues e, surpresa!, hip hop. Os segundos entregam aquilo que esperamos de uma banda de rock de Coimbra: um bom disco que justifique ainda melhores espectáculos ao vivo. Ainda no rock, os Mão Morta lançam Nus, disco conceptual que junta spoken word, samples e que chega a roçar o metal num registo que toca no absurdo e exigente, e os Xutos & Pontapés editam Mundo ao Contrário. Não será essa a intenção da banda, mas, à imagem dos Stones, parece andar a picar o ponto discográfico de forma a justificar as digressões do que pela qualidade do material. Despachemos também a secção que não se leva a sério: Ena Pá 2000 com A Luta Continua e Comme Restus com Pharmácia Ananáz. 

No hip hop, a Matarroa ataca com dois álbuns importantes: Funk Matarroês, a estreia dos Matozoo e Conhecimento de XEG. Ambos atiram-se à sátira dos lugares comuns do rap nacional: a industria musical, os críticos, a política, Casa Pia, música portuguesa e, claro, o amor. Exploram uma linguagem mais crua, fruto do contracto com uma editora independente. Nota para a participação de boa parte do núcleo duro do hip hop tuga actual no disco de XEG: Regula, NBC, New Max e Sir Scratch. Os Da Weasel atacam com aquele que talvez seja o seu melhor trabalho: Re-Defenições e a estreia dos Yellow W Van é feita através de uma major, algo que os afasta da linguagem sem filtros da Matarroa. O som fica entre os Red Hot Chili Peppers e o Rage Against the Machine. 

Por fim, os novos discos de José Mário Branco, Clã e a estreia de A Naifa. O primeiro lança um "disco de intervenção" em tempos pré-crise europeia que, a tempos, soa a premonição. Quando canta "somos lixo!", na "Canção dos Despedidos", por exemplo. É um disco que ainda hoje impressiona, prova de vitalidade suprema, visto estas palavras fazem mais sentido do que nunca. Os Clã lançam aquele que será ainda hoje o seu disco mais arriscado - emocional, orquestrado, poético - e, a fechar, A Naifa estreia-se com o som a que se convencionou chamar novo fado. Com Mitó, Luis Varatojo, João Aguardela e Vasco Vaz, Canções Subterrâneas soa a pedrada no charco com as suas referências electrónicas e batidas secas a casarem na perfeição com a voz de Mitó e o som da guitarra portuguesa.

No segundo semestre, um regresso: o dos Zen - mais nervosos, mais brutos em Rules, Jewels, Fools, segundo e último álbum da banda do Porto. Também do Porto e vindos das cinzas de outra banda que brilhou nos anos 90, os Pluto de Manel Cruz e Peixe (ambos ex-Ornatos Violeta), mas também de Eduardo Silva (ex-Jep) e Rui Lacerda (ex-Insert Coin). Acabaria por ser um acto isolado a estreia dos Pluto, projecto que hoje soa à vontade de Manel Cruz se ir afastando progressivamente do som dos Ornatos. Pouco antes de morrer, John Peel abençoou No Waves, segundo capítulo discográfico dos Micro Audio Waves. Levou-os à internacionalização. Dois suspiros discográficos a fechar o ano: The Gift e Humanos. Os primeiros, munidos de grande ambição, editam AM/FM, álbum duplo que explora novos territórios na primeira metade (AM, a menos comercial, a mais desafiante) e cimenta um percurso de muitos singles na segunda (FM, a mais vendável). Já os Humanos, ou seja, Camané, Manuela Azevedo e David Fonseca, não só não envergonham o legado de António Variações, como ainda o voltam a levar às massas. "Maria Albertina" que quase esteve para não ser incluída no disco acaba por servir de porta-estandarte a um disco surpreendente.