Na mesma semana, o regresso dos Television Personalities (TP) de Dan Treacy e o álbum de estreia de Eef Barzelay, 15 anos depois de ter arrancado a sua carreira como músico (de suporte). Barzelay tem idade para ter vivido a primeira vida dos TP - na adolescência, nos verdes anos 80. São, de certo modo, contemporâneos e, entre outras coisas que terão em comum, está o facto de serem donos de um refinado humor e escreverem canções que relatam as histórias do seu miserável dia-a-dia - no caso de Treacy, existem provas que, caso fosse necessário, o validam: no final dos anos 90 pensou-se morto. Andou desaparecido, devido a problemas com drogas e criminalidade. O humor de mãos dadas com a auto-comiseração, portanto. Quando a isto tudo se juntam referências hip hop, ficamos uma ideia em relação ao foco do sarcasmo dos escritores de canções da década passada. Se em "Ballad of Bitter Honey", Barzelay goza: "That was my ass you saw bouncing / Next to Ludacris / It was only on screen for a second / But it was kinda hard to miss", em "Ex-Girlfriend Club", Treacy canta/fala: "Don't be fooled by looks! / I'm still daddy from the block / What time is it? / Now I can't love / We can still remember can't we / I got an email today from puff daddy". As diferenças? É a abordagem é que os distingue. Enquanto Treacy é músico de quarto antes de existirem músicos de quarto, Barzelay encosta-se escandalosamente à obra de Dylan.
segunda-feira, 7 de março de 2016
domingo, 6 de março de 2016
O que aconteceu na semana de 29-02-2006?
Concertos:
- HIM actuam no Coliseu dos Recreios.
- DJ Premier & MC Big Shug actuam no Clube Mercado.
Disco da Semana:
Isobel Campbell & Mark Lanegan - Ballad of the Broken Seas
Outras edições:
- White Rose Movement - Kick
- Questlove - Babies Makin' Babies 2: Misery Strikes Back...No More Babies
- Buzzcocks - Flat-Pack Philosophy
- Neko Case - Fox Confessor Brings the Flood
- Mogwai - Mr. Beast
- Mudhoney - Under a Billion Suns
- David Gilmour - On an Island
Citações com dez anos:
- "Algumas canções rock, algumas baladas - não inventámos a roda." (Stone Gossard, guitarrista dos Pearl Jam sobre o novo álbum da banda)
- “Soa-me a inveja, tenho uma colecção de chapéus maior, o melhor bigode e um sentido de humor mais desenvolvido." (Billy Childish sobre Jack White)
- HIM actuam no Coliseu dos Recreios.
- DJ Premier & MC Big Shug actuam no Clube Mercado.
Disco da Semana:
Isobel Campbell & Mark Lanegan - Ballad of the Broken Seas
Percebe-se alguma estranheza/surpresa da imprensa na altura da edição de Ballad Of The Broken Seas: a suave, bela, angelical ex-voz dos Belle And Sebastian, Isobel Campbell, casada com a áspera e cavernosa do ex-vocalista dos Screaming Trees, Mark Lanegan. Longe estaria essa mesma imprensa de imaginar que o projeto duraria sete anos e mais dois álbuns, cada um melhor que o outro. É um disco de outro tempo, mas que funcionou em 2006, em 2008 e em 2010. Continuaria a funcionar hoje pois estes dois ensinaram-nos que não falham.
Outras edições:
- White Rose Movement - Kick
- Questlove - Babies Makin' Babies 2: Misery Strikes Back...No More Babies
- Buzzcocks - Flat-Pack Philosophy
- Neko Case - Fox Confessor Brings the Flood
- Mogwai - Mr. Beast
- Mudhoney - Under a Billion Suns
- David Gilmour - On an Island
Citações com dez anos:
- "Algumas canções rock, algumas baladas - não inventámos a roda." (Stone Gossard, guitarrista dos Pearl Jam sobre o novo álbum da banda)
- “Soa-me a inveja, tenho uma colecção de chapéus maior, o melhor bigode e um sentido de humor mais desenvolvido." (Billy Childish sobre Jack White)
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O que aconteceu na semana de 22-02-2006?
Notícias:
- Tool, Korn, Placebo e Within Temptation são confirmados no Super Bock Super Rock.
- Alice in Chains reúnem-se.
Disco da Semana:
Corinne Bailey Rae - Corinne Bailey Rae
Ouvimos a estreia homónima de Corinne Bailey Rae, longe de imaginar que o passado a dava como fervorosa fã dos Led Zeppelin, L7 e Veruca Salt e que o CV apontava para a presença numa banda riot grrrrl nos seus verdes anos. É difícil acreditar que esta miúda de voz doce e aspeto singelo já foi (ou ainda é) do rock. E a música que se espraia entre a soul e o jazz ainda nos acumula mais a desconfiança. O burburinho à volta de Bailey Rae foi muito, com comparações a Norah Jones e, nas mais arrojadas investidas, a Billy Holiday. O resultado acabou por provocar indiferença generalizada. Nos créditos vemos oito produtores espalhados pelas 11 canções do álbum. Tanto produtor poderia ter resultado numa coisa pouco homogénea, mas não. Soa coerentemente a aborrecido. Alguma confusão poderia ter dissipado alguma da indiferença generalizada.
Citações com dez anos:
- "Se tivessem feito um episódio do programa da VH1, "Behind the Music", seria um episódio perfeito, carregado de divórcios e todo o tipo de porcaria. Felizmente, foi só uma falha de comunicação." (Abe Cunningham, baterista dos Deftones sobre a gravação de "Saturday Night Wrist")
- "Não oiço rádio, mas, se o fizesse, era assim que queria que soasse. Isto é a minha versão de música pop." (Mike Patton sobre o álbum de estreia do projecto Peeping Tom)
- "Ao lado dos Sex Pistols, o Rock and Roll Hall l of fame é uma mancha de mijo." (Comunicado dos próprios Pistols)
- "Acho que vamos fazer umas datas com o Kanye West. Não sei se está confirmado, mas acho e espero que aconteça. É um artista incrível" (Flea)
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domingo, 21 de fevereiro de 2016
O que aconteceu na semana de 15-02-2006?
Notícias:
- Bauhaus actum no Coliseu do Porto e Tiga no Lux Frágil,
- Shakira é Guns N' Roses confirmados no Rock in Rio Lisboa.
- The Rolling Stones dão concerto gratuito na Praia de Copacabana no Rio de Janeiro.
Disco da Semana
Liars - Drum's Not Dead
O título pode ser uma ironia. De uma banda chamada Liars, há desculpa para a hesitação. Mas mais importante é perceber que a banda foi preparando a mutação que consumou com este Drum’s Not Dead. Depois da estreia apelidada de punk dançável, They threw us all in a Trench and Struck a Monument on Top, e do já muito diferente They Were Wrong, so we Drowned, muito mais aventureiro e focado na percussão (ah!), um terceiro álbum sinistro, críptico e mais focado no ruído. Drones (comparações aos Black Dice), harmonias (comparações aos Animal Collective), krautrock (provável fruto da gravação em Berlim, num antigo estúdio de rádio) e palavras quase imperceptíveis, um disco conceptual que tem nas personagens Drum e Mt. Heart Attack (estão em todos os títulos das canções) dois protagonistas: o primeiro dinâmico, o segundo estático. Faz sentido. Drum’s Not Dead e, dez anos depois, os Liars também não.
Outras Edições:
The Weatherman - Cruisin' Alaska
Destroyer - Destroyer's Rubies
Isolée - Western Store
Citações com dez anos:
- “Os Kaiser Chiefs ganharam o "best rock act", o que é perturbador. Pelo simples facto de não ser uma banda de rock." (Barry Burns, guitarrista dos Mogwai)
- “Tendo em conta que este tipo chamado Rick [Rubin] é ainda inexperiente, achámos que seria um gesto bonito ajudá-lo a entrar no mundo da industria musical. Pedimos-lhe para produzir o nosso próximo álbum. Por outras palavras, estamos muito contentes por partilhar convosco que Rick Rubin produzirá o novo álbum dos Metallica!" (Comunicado no site oficial dos Metallica)
- “As pessoas estão fartas dos Coldplay. Não nos vão ver por aí durante muitos anos." (Chris Martin)
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domingo, 14 de fevereiro de 2016
O que aconteceu na semana de 08-02-2006?
Notícias:
- Os U2 dominam a 46ª edição dos Grammys e levam 5 prémios: "Album Of The Year, "Best Rock Album", "Best Rock Song", "Song Of The Year" e "Best Vocal Rock Performance".
- Madonna e Gorillaz actuam nos Grammys.
- Jay-z, Linkin Park e Paul McCartney actuam nos Grammys.
- Deftones anunciam concerto no Super Bock Super Rock.
- Roger Waters e Red Hot Chili Peppers anunciam presença no Rock in Rio Lisboa.
- Arctic Monkeys anunciam actuação no Paradise Garage.
Edições:
The Knife - Silent Shout
Battles - EP C / B EP
Joana Machado - CRUde
Loosers - Bully Bones of Belgie
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[Semana 08-02-06] Man Man editam "Six Demon Bag"
Os Man Man são pela diversão. E continuam vivos mesmo que lhes tenhamos perdido o rasto, se é que alguma vez o alcançámos. Surgem infiltrados naquela onda de bandas que declarava o seu amor pelo leste: Gogol Bordello, Beirut, DeVotchKa. Pois para o resto do mundo não era mais do que paixão e todos estes projectos são hoje mais pequenos do que na primeira década do Século XXI. À imagem dos Gogol Bordello, era mais celebrados em palco do que em disco. Não é que se tornasse medíocre, mas O efeito surpresa perdia-se. De qualquer forma, os Man Man não são como os Gogol Bordello, nem são tão bons como os Gogol Bordello. São melhores que os Gogol Bordello.
sábado, 13 de fevereiro de 2016
[Semana 08-02-06] Jason Collett edita "Idols of Exile"
Disco injustamente esquecido de um colaborador dos canadianos Broken Social Scene que conta com a colaboração de vários colaboradores dos... Broken Social Scene. O que muda? A abordagem de Jason Collett, claro. Aproveita a baixa forma de dois dos mais importantes artistas do século XXI na categoria a que se convencionou chamar de escritores de canções ou cantautores: Josh Rouse e Ryan Adams, ambos imensamente proliferos -e talvez seja mesmo esse "o mal". Pelo menos meio disco tem que ser unanimemente composto por grandes canções, vale?
[Semana 02-02-06] Belle and Sebastian edita "The Life Persuit"
É curioso que, na mesma semana, os She Wants Revenge tenham fugido do sol da Califórnia para se refugiarem no som negro de Manchester, e os Belle & Sebastian tenham optado por um percurso inverso: para gravar The Life Persuit, os britânicos fugiram do frio escocês para gravar em Los Angeles, no sol dessa mesma Califórnia. O resultado: melodias solarengas e elementos soul e funk herdados das terras do Tio Sam E assim continuavam a provar que havia vida para lá das saídas de Stuart David e Isobel Campbell. Magnífico disco pop.
sábado, 6 de fevereiro de 2016
O que aconteceu na semana de 01-02-2006?
Notícias:
- The Rolling Stones actuam no intervalo do Super Bowl.
- Gentleman é o 1º nome confirmado no Sudoeste tmn.
- Depeche Mode e The Bravery (na 1ª parte) actuam no Pavilhão Atlântico.
Disco da Semana:
J Dilla - Donuts
A história tem tendência a repetir-se. Há coisa de um mês, escrevi sobre Blackstar, o derradeiro disco de David Bowie, referindo que era uma obra ímpar na história da industria fonográfica, um puzzle, um testamento, o enterro da derradeira personagem de Bowie – o próprio. A minha ignorância levou-me a supor que nunca um artista tinha feito algo assim. Mentira. Corrijo-o agora: J Dilla fez algo muito similar em fevereiro de 2006. Tal como Bowie, editou este Donuts praticamente no dia do seu aniversário e, apenas três dias depois, deixa-nos de forma surpreendente. Diagnóstico: nefrite lúpica e púrpura trombocitopénica trombótica.
Terá sido no hospital, algures no verão de 2005, que criou quase tudo o que se passa em Donuts. Ao contrário de Bowie, Dilla tornou-se mais conhecido morto do que em vida, tornou-se num dos artistas mais influentes do século XXI. Basta olhar para a crítica da Pitchfork na altura em que o disco foi editado – pontuação: 7,9. Olhemos, depois, para a crítica de 2013: um perfeito 10. E esse é um dos grande temas do álbum, a falta de reconhecimento crítico e comercial. O músico terá indicado que colocou mensagens entre as letras e os samples. Conseguimos sugerir algumas:
– Dionne Warwick – “You’re Gonna Need Me” – em “Stop”, em relação à sua ausência;
– Gene & Jerry – “You Just Can’t Win” – em “Glazed”, relativamente à luta contra o cancro;
– L V Johnson – “I Don’t Really Care” – em “Airworks”, alusão à sua subvalorização;
– Smokey Robinson & the Miracles – “A Legend In Its Own Time” – em “One Eleven”, registo claramente sarcástico;
– The Escorts – “I Can’t Stand (To See You Cry)” – em “Don’t Cry”, alusão à sua morte.
Os Donuts a que o título se refere serão os vinis. Aqueles que sampla ao longo destas 31 faixas e os objetos que marcaram a sua obra, a sua vida. Discos soul, hip hop, rock, psicadélicos, bollyhood e de compositores clássicos. Um mundo de referências que só encontrará paralelo em Madlib. A capa dá-nos um J Dilla com um sorriso e, aparentemente, a fazer aquilo que mais gostava: a comer Donuts, como no vídeo de “Last Donut Of The Night”. Refere-se aos vinis, claro. Clássico.
Outras Edições:
P.O.S. - Audition
Train - For Me, It's You
In Flames - Come Clarity
Beth Orton - Comfort of Strangers
Belle and Sebastian - The Life Pursuit
She Wants Revenge - She Wants Revenge
KT Tunstall - Eye to the Telescope
Citações com dez anos:
- “Aqui estamos nós com o Spike Stent [o produtor] no nosso estúdio que agora parece a NASA. Sem mais tretas, sem telefones, sem desculpas para abandonar o edifício." (Thom Yorke)
- "Haverá um novo álbum no início do Verão." (Pete Townshend, anunciando o 1º disco dos The Who desde 1982)
- "Pelo que percebo, o Billy [Corgan] deve estar prestes a gravar um novo disco. Todos sabemos que ele não precisa de muito mais do que o Jimmy Chamberlin para avançar para um novo disco dos The Smashing Pumpkins. E este já está a bordo." (Melissa Auf Der Maur)
- "A banda? Acabou. A reunião aconteceu por uma boa causa, para passarmos por cima das nossas más relações e não para nos virmos a arrepender." (David Gilmour, em relação a uma eventual reunião dos Pink Floyd)
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domingo, 31 de janeiro de 2016
O que aconteceu na semana de 25-01-2005?
Notícias:
- "Whatever People Say That I Am, That's What I'm Not", a estreia dos Arctic Monkeys, torna-se no álbum britânico mais vendido de sempre na durante a 1ª semana, com 363,735 cópias vendidas.
Disco da Semana:
Arctic Monkeys - Whatever People Say That I Am, That's What I'm Not
Em 2006, esta semana foi dominada pela estreia dos Arctic Monkeys. Dez anos depois, tentamos dar alguma ordem a Whatever People Say That I Am, That’s What I’m Not. O que significou? Olhemos para a atitude, o contexto e o momento da mais celebrada banda britânica da última década. A atitude.
A espontaneidade de quatro miúdos de Sheffield que surgiam em palco vestidos com roupas normais, longe da indumentária cool dos rapazes que os teriam inspirado em primeiro lugar: The Strokes. Se para a banda de Nova Iorque tudo era pose, no caso dos Arctic Monkeys a atitude parece ser de sabotagem constante. A ausência de editora, a partilha de canções na Internet e a escolha de uma Domino que em 2006 era os Franz Ferdinand, The Kills e pouco mais falam por si. No vídeo de “I Bet You Look Good On The Dancefloor”, um tímido Alex Turner atira: “don’t believe the hype”. Estes elementos de auto-sabotagem, de autoflagelação eram comuns: por exemplo, logo a abrir o disco, em “The View of the Afternoon”, cospe-se: “Anticipation has a habit to set you up for disappointment”.
O contexto. Whatever People Say That I Am, That’s What I’m Not é um daqueles álbuns que corta o tempo ao meio – foi o primeiro disco a aproveitar-se de forma óbvia da Internet, no geral, e da rede social do momento (o MySpace) em particupar. Bateu recordes de vendas – quase 120 mil cópias no primeiro dia (mais do que todos os restantes 19 do top 20… todos juntos) e mais de 360 mil na primeira semana, números ainda por superar. Não será ousado referir que o mundo mudou.
O momento. Pete Doherty andava a saltar entre clínicas de reabilitação, Amy Winehouse ainda não tinha acontecido (Back to Black só chegaria meses depois) e o NME, na sua eterna adolescência, procurava uma referência para substituir uns acabados Libertines. Os Arctic Monkeys eram perfeitos: a maturidade das letras, a forma como Turner captava os hábitos do adolescente britânico – miúdas e noitadas, basicamente – e uma energia capaz de unir uma geração. Os primeiros anos do milénio surgem impecavelmente retratados nestas 14 canções. Portanto, se nasceram algures entre 1983 e 1990, digam-nos, quanto tempo passaram a repetir estas letras no AZLyrics?
Outras Edições:
Gossip - Standing in the Way of Control
The Kooks - Inside In/Inside Out
P.O.D. - Testify
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