quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

[Os melhores álbuns de 2005] 6º - Devendra Banhart - Cripple Crow


Cripple Crow sucede os duplos projectos discográficos de 2002 (The Charles C. Leary e Oh Me Oh My) e 2004 (Rejoicing Hands e Niño Rojo) e confirma Devendra Banhart como um dos mais brilhantes escritores de canções da sua geração. A capa a la Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band antecipa a aventura épica de 22 canções, recheada de colaboradores e que bebe dos quatro cantos do mundo, Portugal incluído na célebre "Pensando Enti". Mais Cripple Crow é muito mais, é uma homenagem aos aos 50 (bossa nova, o Brasil) e 60 (a folk, os Beatles, Nick Drake, a pose hippie, John Fahey). É a maturidade aos 24, até ver insuperável.

[Os melhores álbuns de 2005] 7º - The Mars Volta - Frances the Mute


Não admira que Frances the Mute tenha sido recebido de forma pouco consensual - é um disco complexo, fora de tempo, diferente de tudo o que se fazia na altura e sem o efeito surpresa que acompanhou De-Loused in the Comatorium. Tanto louvores como apupos provêm do mesmo factor: complexidade técnica. Os que os defendem referem o virtuosismo, os que os atacam reclamam com a produção balofa e o puro exibicionismo. Rock sinfónico e psicadélico, música latina, música clássica e jazz. John Frusciante na guitarra, Flea no trompete e Larry Harlow, pianista de salsa nas teclas. Um disco louco, mas que ainda assim carrega a mais acessível canção do catálogo dos Mars Volta: "The Widow". Tem um refrão, imagine-se.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

[Os melhores álbuns de 2005] 8º - LCD Soundsystem - LCD Soundsystem


Em 2001, quando fundou a DFA, James Murphy virava trintão. Pouco depois, quando lança o single "Losing My Edge", tem 31. Em 2005, quando este muito antecipado homónimo chega às lojas já conta 34. Nunca encaixou nas premissas de uma estrela pop - demasiado peso, demasiado recatado e, pelo menos aparentemente, demasiado desajeitado, James Murphy é o herói indie improvável, chave mestra para aquela espécie de revolução que haveria de se seguir. O electroclash perde popularidade, a frente ofensiva da DFA tem os Rapture de "House of Jealous Lovers" em estado de graça e é a nova grande cena. LCD Soundsystem faz a ponte entre aquilo que os putos alternativos gostavam na altura - o pós-punk dos Bloc Party e Franz Ferdinand, o garage dos White Stripes e o rock dos Strokes - e a música de dança que, três anos depois, haveria de aprimorar e transformar numa obra-prima chamada Sound of Silver. Cerca de seis anos depois da estreia, Murphy, sabemos hoje, matou o projecto que "obrigou" os miúdos indie a dançar.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

[Os melhores álbuns de 2005] 9º - System of a Down - Mesmerize / Hypnotize


Mezmerize é metade de um plano que só acabaria no outono, com a edição de Hypnotize, aquele que acabaria por ser o último disco dos quatro arménio-americanos. Mezmerize é brutal, político, jocoso. Basta olhar para essa bomba que é "B.Y.O.B.", canção e vídeo - e pensar que vivíamos a reeleição de George W. Bush. O misto de influências que resulta num som genericamente catalogado de metal e a química entre Serj Tankian e Daron Malakian são impressão digital de uma banda que entra para aquele rol de poucas que conseguiu não errar. Por vezes, parece que estão a gozar, que não se levam a sério, que Mezmerize não passa de um testemunho tonto daquilo que lhes vai na cabeça. Mas não. Isto é a sério e muito sério. É uma denúncia feita por uma das mais influentes bandas da altura.

Com Hypnotize confirmava-se: o álbum duplo soou a enorme injustiça para com Daron Malakian, ele que terá sido o grande responsável por tudo o que ouvimos aqui. Os fãs adoram-no, mas os críticos apontam: devia ter continuado de boca fechado, tem demasiado protagonismo nesta ambiciosa investida. Percebemos que prefiram ouvir Serj Tankian, claro, é incomparavelmente melhor voz, mas Malakian não se sai assim tão mal e as baboseiras que vai cuspindo acabam por contribuir para uma das características que contribui para a impressão digital dos System of a Down (SOAD): humor. Independentemente das muitas coisas políticas que são ditas em Mesmerize e Hypnotize, o humor é omnipresente. E quanto mais estapafúrdio, mais político. É o último disco dos SOAD e nem vale a pena referir o nu-metal que a determinada altura lhes foi associado. Hypnotize mistura vários estilos sim, como o punk de "Kill Rock 'n Roll" e o trash metal de "Attack", passando por baladas como "Lonely Day". O ambicioso passo acabou por ser bem medido, os dois discos separados por seis meses acabaram por lhes dar protagonismo ao longo dos 12 meses de 2005. Dominaram o ano.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

[Os melhores álbuns de 2005] 10º - Okkervil River - Black Sheep Boy


A cover de Black Sheep Boy, canção blues dos anos 60, da autoria de Tim Hardin, que inspira tudo o que se segue neste magnífico terceiro álbum dos Okkervil River, eles que se confundem com o vocalista e letrista Will Sheff. Quer isto dizer que tudo o que se passa em Black Sheep Boy tem a mão de Sheff que criou Black Sheep, uma criatura do fantástico que terá passado por muito tal como está retratado na capa do álbum. Inteligente nas letras, certeiro na música, Black Sheep Boy é mais um dos dignos representantes da ascensão da folk vivida na durante a primeira década dos anos 00.

domingo, 20 de dezembro de 2015

[Os melhores álbuns de 2005] 11º - Beanie Sigel - The B. Coming


The B. Coming tem tanto de magnífico como de surpreendente. O extremo cuidado da produção, o entusiasmo com que Beanie Sigel abraça cada canção e a verdade das letras. Sigel sabe do que fala, os problemas com a lei já tinha começado em 2002 quando foi detido por posse de armas. The B. Coming foi gravado entre as semanas em que foi considerado culpado de possa de arma e drogas e a sentença de um ano que acabou por cumprir. Um ano depois, já fora da prisão, haveria de ser atingido por vários disparos durante um assalto. Os problemas continuam, a obra fica. Esta é uma obra-prima - da criteriosa escolha dos produtores às quase 100 por cento certeiras colaborações vocais.

sábado, 19 de dezembro de 2015

[Os melhores álbuns de 2005] 12º - Roisin Murphy - Ruby Blue



Ruby Blue, o disco de estreia de Roisin Murphy a solo, é também um dos mais surpreendentes do ano. Depois de quase uma década a criar hinos para as pistas de dança - hinos como este este -, Murphy baralha as expectativas e, com Matthew Herbert na produção, cria um som dançável, sim, mas também com resquícios jazz e neo-soul. É Herbert o responsável pela ponte entre os Moloko (chegou a remisturar "Sing it Back") e este projecto a solo que usa objectos do dia-a-dia e cuja principal inspiração terá sido. segundo a própria protagonista, Spearkerboxx/The Love Below dos Outkast. É um dos álbuns mais audazes do ano.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

[Os melhores álbuns de 2005] 13º - The Bravery - The Bravery


Na mesma semana de novo álbum dos New Order, a estreia dos Bravery, eles que curiosamente pegam em alguns dos ensinamentos da banda de Manchester. Também envolveram-se numa guerra de palavras com os Killers - outros obreiros dessa causa que é o revivalismo 80s, com canções recheadas a sintetizadores e um vocalista cuja voz se confunde facilmente com a de Robert Smith dos Cure. Depois disto, tantos os Bravery como os New Order, por motivos distintos, haveriam de cair no esquecimento. 

[Os melhores álbuns de 2005] 14º- Clap Your Hands and Say Yeah - Clap Your Hands and Say Yeah


Há hoje uma certa nostalgia em relação ao tempo do Myspace e dos blogs, em que bandas como os Clap Your Hands and Say Yeah (CYHASY) já o eram antes de o ser. É natural: já não existe aquela ideia de que tu, comum mortal, podes encontrar a próxima grande cena, pois, entretanto, as centenas de webzines dedicadas à música independente (?) já o fizeram. Este disco homónimo acaba por confirmar o que os mais atentos vaticinavam, uma auspiciosa estreia. A voz quase imperceptível, mas com alguns (vários) pontos de contacto com a de Thom Yorke valeram-lhes algumas comparações aos Radiohead, outros apontavam os Joy Division, outros ainda os Flaming Lips. A verdade é que as comparações não foram consensuais, ou não fosse CYHASY um álbum com voz própria. O facto de não termos tido direito a réplicas - do 2º disco quase não reza a história - levou-os a que 2015 tenha previsto uma assinalável celebração - reedição e digressão incluídas. Celebremos então.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

[Os melhores álbuns de 2005] 15º- Magic Numbers - Magic Numbers


Enquanto muitos repescavam ideias do rock do início dos 80s, bandas como os Thrills, os Clientele e estes Magic Numbers procuravam escrever a canção perfeita. As duas primeiras chegaram muito perto nas belas, magníficas colecções de canções que ambas editaram em 2003. Agora, em 2005, é a vez dos Magic Numbers. Também é rock, também é saudosista, sim, mas torna-se refrescante por negar todos os caminhos que toda uma nova carruagem de bandas londrinas seguia na altura.