Em 2001, quando fundou a DFA, James Murphy virava trintão. Pouco depois, quando lança o single "Losing My Edge", tem 31. Em 2005, quando este muito antecipado homónimo chega às lojas já conta 34. Nunca encaixou nas premissas de uma estrela pop - demasiado peso, demasiado recatado e, pelo menos aparentemente, demasiado desajeitado, James Murphy é o herói indie improvável, chave mestra para aquela espécie de revolução que haveria de se seguir. O electroclash perde popularidade, a frente ofensiva da DFA tem os Rapture de "House of Jealous Lovers" em estado de graça e é a nova grande cena. LCD Soundsystem faz a ponte entre aquilo que os putos alternativos gostavam na altura - o pós-punk dos Bloc Party e Franz Ferdinand, o garage dos White Stripes e o rock dos Strokes - e a música de dança que, três anos depois, haveria de aprimorar e transformar numa obra-prima chamada Sound of Silver. Cerca de seis anos depois da estreia, Murphy, sabemos hoje, matou o projecto que "obrigou" os miúdos indie a dançar.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
[Os melhores álbuns de 2005] 9º - System of a Down - Mesmerize / Hypnotize
Mezmerize é metade de um plano que só acabaria no outono, com a edição de Hypnotize, aquele que acabaria por ser o último disco dos quatro arménio-americanos. Mezmerize é brutal, político, jocoso. Basta olhar para essa bomba que é "B.Y.O.B.", canção e vídeo - e pensar que vivíamos a reeleição de George W. Bush. O misto de influências que resulta num som genericamente catalogado de metal e a química entre Serj Tankian e Daron Malakian são impressão digital de uma banda que entra para aquele rol de poucas que conseguiu não errar. Por vezes, parece que estão a gozar, que não se levam a sério, que Mezmerize não passa de um testemunho tonto daquilo que lhes vai na cabeça. Mas não. Isto é a sério e muito sério. É uma denúncia feita por uma das mais influentes bandas da altura.
Com Hypnotize confirmava-se: o álbum duplo soou a enorme injustiça para com Daron Malakian, ele que terá sido o grande responsável por tudo o que ouvimos aqui. Os fãs adoram-no, mas os críticos apontam: devia ter continuado de boca fechado, tem demasiado protagonismo nesta ambiciosa investida. Percebemos que prefiram ouvir Serj Tankian, claro, é incomparavelmente melhor voz, mas Malakian não se sai assim tão mal e as baboseiras que vai cuspindo acabam por contribuir para uma das características que contribui para a impressão digital dos System of a Down (SOAD): humor. Independentemente das muitas coisas políticas que são ditas em Mesmerize e Hypnotize, o humor é omnipresente. E quanto mais estapafúrdio, mais político. É o último disco dos SOAD e nem vale a pena referir o nu-metal que a determinada altura lhes foi associado. Hypnotize mistura vários estilos sim, como o punk de "Kill Rock 'n Roll" e o trash metal de "Attack", passando por baladas como "Lonely Day". O ambicioso passo acabou por ser bem medido, os dois discos separados por seis meses acabaram por lhes dar protagonismo ao longo dos 12 meses de 2005. Dominaram o ano.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
[Os melhores álbuns de 2005] 10º - Okkervil River - Black Sheep Boy
A cover de Black Sheep Boy, canção blues dos anos 60, da autoria de Tim Hardin, que inspira tudo o que se segue neste magnífico terceiro álbum dos Okkervil River, eles que se confundem com o vocalista e letrista Will Sheff. Quer isto dizer que tudo o que se passa em Black Sheep Boy tem a mão de Sheff que criou Black Sheep, uma criatura do fantástico que terá passado por muito tal como está retratado na capa do álbum. Inteligente nas letras, certeiro na música, Black Sheep Boy é mais um dos dignos representantes da ascensão da folk vivida na durante a primeira década dos anos 00.
domingo, 20 de dezembro de 2015
[Os melhores álbuns de 2005] 11º - Beanie Sigel - The B. Coming
The B. Coming tem tanto de magnífico como de surpreendente. O extremo cuidado da produção, o entusiasmo com que Beanie Sigel abraça cada canção e a verdade das letras. Sigel sabe do que fala, os problemas com a lei já tinha começado em 2002 quando foi detido por posse de armas. The B. Coming foi gravado entre as semanas em que foi considerado culpado de possa de arma e drogas e a sentença de um ano que acabou por cumprir. Um ano depois, já fora da prisão, haveria de ser atingido por vários disparos durante um assalto. Os problemas continuam, a obra fica. Esta é uma obra-prima - da criteriosa escolha dos produtores às quase 100 por cento certeiras colaborações vocais.
sábado, 19 de dezembro de 2015
[Os melhores álbuns de 2005] 12º - Roisin Murphy - Ruby Blue
Ruby Blue, o disco de estreia de Roisin Murphy a solo, é também um dos mais surpreendentes do ano. Depois de quase uma década a criar hinos para as pistas de dança - hinos como este este -, Murphy baralha as expectativas e, com Matthew Herbert na produção, cria um som dançável, sim, mas também com resquícios jazz e neo-soul. É Herbert o responsável pela ponte entre os Moloko (chegou a remisturar "Sing it Back") e este projecto a solo que usa objectos do dia-a-dia e cuja principal inspiração terá sido. segundo a própria protagonista, Spearkerboxx/The Love Below dos Outkast. É um dos álbuns mais audazes do ano.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
[Os melhores álbuns de 2005] 13º - The Bravery - The Bravery
Na mesma semana de novo álbum dos New Order, a estreia dos Bravery, eles que curiosamente pegam em alguns dos ensinamentos da banda de Manchester. Também envolveram-se numa guerra de palavras com os Killers - outros obreiros dessa causa que é o revivalismo 80s, com canções recheadas a sintetizadores e um vocalista cuja voz se confunde facilmente com a de Robert Smith dos Cure. Depois disto, tantos os Bravery como os New Order, por motivos distintos, haveriam de cair no esquecimento.
[Os melhores álbuns de 2005] 14º- Clap Your Hands and Say Yeah - Clap Your Hands and Say Yeah
Há hoje uma certa nostalgia em relação ao tempo do Myspace e dos blogs, em que bandas como os Clap Your Hands and Say Yeah (CYHASY) já o eram antes de o ser. É natural: já não existe aquela ideia de que tu, comum mortal, podes encontrar a próxima grande cena, pois, entretanto, as centenas de webzines dedicadas à música independente (?) já o fizeram. Este disco homónimo acaba por confirmar o que os mais atentos vaticinavam, uma auspiciosa estreia. A voz quase imperceptível, mas com alguns (vários) pontos de contacto com a de Thom Yorke valeram-lhes algumas comparações aos Radiohead, outros apontavam os Joy Division, outros ainda os Flaming Lips. A verdade é que as comparações não foram consensuais, ou não fosse CYHASY um álbum com voz própria. O facto de não termos tido direito a réplicas - do 2º disco quase não reza a história - levou-os a que 2015 tenha previsto uma assinalável celebração - reedição e digressão incluídas. Celebremos então.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
[Os melhores álbuns de 2005] 15º- Magic Numbers - Magic Numbers
Enquanto muitos repescavam ideias do rock do início dos 80s, bandas como os Thrills, os Clientele e estes Magic Numbers procuravam escrever a canção perfeita. As duas primeiras chegaram muito perto nas belas, magníficas colecções de canções que ambas editaram em 2003. Agora, em 2005, é a vez dos Magic Numbers. Também é rock, também é saudosista, sim, mas torna-se refrescante por negar todos os caminhos que toda uma nova carruagem de bandas londrinas seguia na altura.
[Os melhores álbuns de 2005] 16º - Bloc Party - Silent Alarm
Janeiro de 2005. O termo hype ainda era muito (demasiado) usado para descrever aquelas bandas que com um single ou um EP prometiam ser a próxima grande cena. Foi assim que os Union, ou seja, os Bloc Party antes de serem os Bloc Party - foram promovidos à Premier League do rock britânico, à boleia de um EP cujo som, dizia-se, dançava entre os Strokes e os Gang of Four. E é aqui que Silent Alarm resolve-se: afasta-se do som dos Gang of Four e, mesmo não oferecendo nada de novo, apresentam um som singular, com os mais variados truques de produção (Radiohead) e o entusiasmo que não haveria de se repetir.
domingo, 13 de dezembro de 2015
[Os melhores álbuns de 2005] 17º - Kaiser Chiefs - Employment
Dois meses depois de Silent Alarm, nova folgorosa estreia num mercado britânico que tentava prolongar à força o momentum que a magnífica estreia dos Franz Ferdinand havia encetado cerca de 12 meses antes. O revivalismo pós-punk a produzir bandas como cogumelos e a imprensa britânica sob os comandos do New Musical Express com hype atrás de hype numa altura em que o termo ainda fazia sentido. A estreia dos Kaiser Chiefs é bem simpática, mas foi elevada a um estatuto que não é o seu. Foi um dos álbuns do ano para muito boa publicação que quis ver aqui os sucessores de uns Blur que estavam à beira do hiato que se prolongou até esta década. A verdade é que, mais quatro álbuns depois, os Kaiser Chiefs são encarados como a banda de um carismático Ricky Wilson que virou jurado de um talent show, o The Voice, que o alcunha de Mr. Puppy Dog Eyes.
[Os melhores álbuns de 2005] 18º - Franz Ferdinand - You Could Have It So Much Better
Ah, o difícil segundo álbum, a pressão imensa de ter de estar à altura da estreia - os Bravery e os Kaiser Chiefs, só para citar dois exemplo contemporâneos, haveriam de se espalhar mais tarde, mas os Franz Ferdinand não, desafiando convenções e convicções atiram-se de imediato ao 2º disco e despacham a conversa do antes é que eles eram bons. Não, em You Could Have It So Much Better eles são igualmente bons, igualmente entusiasmantes, dando mesmo a ideia que era fácil e a melhor banda pop britânica do novo século. Mais tarde, com as inevitáveis mudanças, haveriam de sofrer como os outros, mas até aqui, tudo era imaculado.
sábado, 12 de dezembro de 2015
[Os melhores álbuns de 2005] 19º - The Game - The Documentary
Na longa lista de mártires do hip hop não constam os nomes de 50 Cent e The Game. Ambos foram brutalmente alvejados antes de se lançarem como apostas pessoais de Dr. Dre. Afinal de contas, uma boa história é também uma excelente ferramenta de marketing. The Documentary, muito pessoal álbum de estreia, o rapper menciona vários clássicos do hip hop. De cabeça: Ready to Die de B.I.G., Reasonable Doubt de Jay-z, Doggy Style de Snoop Dogg, Death Certificate de Ice Cube, Illmatic de Nas e, claro, The Chronic de Dr. Dre - produtor, mentor e padrinho. Está na noção do legado hip hop e da vontade de criar algo que garanta o estatuto de clássico uma das grandes forças de The Documentary. O resto está numa criteriosa escolha de colaborações e produtores que vão de 50 Cent a Kanye West, passando por Timbaland, Eminem ou Just Blaze.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
[Os melhores álbuns de 2005] 20º - My Morning Jacket - Z
O que fazer depois de uma obra-prima de 75 minutos, o magnífico It Still Moves? Logo à 1ª faixa, "Wordless Chorus", os My Morning Jacket mostram que colocaram o pé no travão e, à medida que o registo avança, vão acelerando devagarinho até chegar a canções de 6/7 minutos, já na 2ª parte do disco. Não é que a ambição dos My Morning Jacket seja proporcional à duração das canções, mas a banda torna-se naturalmente maior quando se alonga. Jim James, que quase tudo parece conseguir fazer, carrega um mundo de emoções que nunca se desmorona, mesmo em momentos como "Gideon", em que o vocalista torna a canção num single óbvio e magnífico single. Z prova os My Morning Jacket como uma das certezas do rock norte-americano do novo milénio. Mostram-se triunfantes em qualquer registo. Ainda hoje é assim.
[Os melhores álbuns de 2005] 21º - The Decemberists - Picaresque
Em tempos de aclamação de Funeral dos Arcade Fire, os Decemberists avançavam com o sucessor do muito aclamado Her Majesty the Decemberists. Curiosamente, e mantendo os paralelismos com o grupo canadiano, Picaresque foi, à imagem de Neon Bible (de 2007), gravado numa antiga igreja com Chris Walla dos Death Cab For Cutie. É o álbum que prova o culto da banda de Colin Meloy: na sequência do roubo da carrinha em que se encontravam os instrumentos da banda, os fãs doaram os oito mil dólares - isto numa altura em que ainda não existiam kickstarters ou crowdfunders. Mais provas de que os Decemberists podem ter estado bem à frente do seu tempo: o vídeo de "Sixteen Military Wives" foi distribuido via BitTorrent bem antes de Thom Yorke se lembrar de o fazer. No título às letras, Picaresque é um tratado com a literatura, coisa que lhes valeu algumas acusações de presunção. Não muitas, felizmente.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
[Os melhores álbuns de 2005] 22º - M83 - Before the Dawn Heals Us
A discografia dos M83 sempre se pautou por uma evolução tanto sonora como estética. Se M83 e Dead Cities, Red Seas & Lost Ghosts são álbuns pouco humanos e centrados nos sintetizadores, este Before the Dawn Heals Us aponta numa direcção mais orgânica, com guitarras shoegaze e um som atmosférico e onírico. É o álbum da saída de Nicolas Fromageau e da emancipação de Anthony Gonzalez, material facilmente confundível com algo escrito para o cinema, não sendo raras as referências ao cinema de terror ou a um thriller. É o ínicio de uma equilibrada caminhada até Hurry Up, We're Dreaming e respectivo airplay na Cidade FM.
[Os melhores álbuns de 2005] 23º - Andrew Bird - Andrew Bird - The Mysterious Production of Eggs
É o sexto álbum, mas soa a primeiro. Até The Mysterious Production of Eggs, quase nove anos depois do debutante Music of Hair, Andrew Bird foi modelando uma identidade. Percebe-se que é aqui que a alcança e daí que, dez anos depois, pareça o primeiro. Até aqui, Bird andou pelo country e o bluegrass e, acima de tudo, pelo jazz, na companhia dos Bowl of Fire. O anterior Weather Systems já dava algumas pistas relativamente ao passo seguinte - assobiador profissional e mudança para um som folk - mas até aqui, a formação clássica parecia condicionar as composições e escolhas do músico. Ei-lo então diferente, em 2005, mais ambicioso e a fazer sombra a Rufus Wainright com um dos mais celebrados discos do ano. E a folk era a nova grande cena.
[Os melhores álbuns de 2005] 24º - Arab Strap - The Last Romance
A um nível temporal, os Arab Strap são um hino a este blog: duraram precisamente dez anos. Este The Last Romance tem título premonitório e seria de facto o canto do cisne dos escoceses. Terminaram numa altura em que a cena local voltava a estar nas bocas do mundo via Franz Ferdinand. E, pegando numa referência da banda de Alex Kapranos, o duo composto por Aidan Moffat e Malcolm Middleton reclamava: "Take Me Out". Deixaram-nos fora, da cena, do hype, da moda. Meses antes da edição, os dois Arab Strap já revelavam desentendimentos: Malcolm queria um disco mais negro, Moffat preferia-o visceral. O segundo acabou por ganhar, mas, com o desentendimento e apesar dos bons resultados deste disco, a música ficaria a perder com o fim da banda. Estas canções continuam a descrever relacionamentos falhados, de um modo cáustico. A diferença é o próprio Moffat que a nota: "é um pouco mais acelerado, mas continua a lidar com o lado negro das relações. É como o lado negro da série Star Wars - mais rápido e mais sedutor.”
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
[Os melhores álbuns de 2005] 25º - Deerhoof - The Runners Four
Sete discos noutros tantos anos e, por fim, os Deerhoof são uma banda de canções pop. Não deixam de praticar a auto-sabotagem, mas estas canções são mesmo a sério. The Runners Four são duas dezenas de canções curtas, mas que ocupam o dobro da duração dos registos anteriores. Muitas canções não têm um arranque ou um final óbvio, lembrando material dos Guided By Voices, mas é dos Sonic Youth que temos como referência ao longo de um dos mais desafiantes discos de guitarras do ano.
[Os melhores álbuns de 2005] 26º - Los Hermanos - Quatro
Quatro é o último disco dos Los Hermanos e, voltando a ele, é difícil perceber o porquê de terem sido uma banda polarizadora: não se ama ou odeia Los Hermanos, só se ama. Porque eram bons. Muito bons. Resultavam de duas personalidades distintas, mas igualmente talentosas: Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante, o primeiro mais preocupado com as melodias, o segundo mais dedicado às letras. E, olhando para as discografias pós-Los Hermanos, podemos concluir que Camelo tinha as ideias mais arrumadas. Sou, de 2008, ditou o caminho que haveria de seguir até hoje, à Banda do Mar. Rodrigo Amarante tentou o inglês dos esquecidos Little Joy, algo estranho para quem compõe tão bem em português, e só em 2013 se voltou a notabilizar com o fenómeno "Youtubiano" Cavalo. Quatro será o disco mais intimista da banda, bandeira da Nova MBP. Mas não vale a pena colá-los ao que os originais fizeram nos anos 60 e 70. O que Los Hermanos fizeram foi especial, independentemente da inspiração de mestres como Chico ou Caetano.
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
[Os melhores álbuns de 2005] 27º - Gorillaz - Demon Days
Por alturas do segundo álbum, os Gorillaz ainda eram encarados como o projecto que Damon Albarn alternava com os Blur. Demon Days vem dois anos depois de Think Thank, o sétimo da banda de "Parklife", e quatro anos depois do homónimo dos Gorillaz - uma grande ideia, uma pedrada no charco que correu bem a todos os níveis. Algumas diferenças do primeiro para o segundo álbum. Se a bonecada de Jamie Helett veio para ficar, na produção sai Dan the Automator e entra Danger Mouse - contrapartida acordada entre o produtor e a EMI na sequência do processo de The Grey Album, o controverso mashup entre White Album dos Beatles e Black Album de Jay-z. Ao ser menos acessível e festivo do que a estreia, Demon Days prova que os Gorillaz sobrevivem a humores e produtores. O caldeirão hip hop, funk, soul, ajudado por convidados, muitos - Neneh Cherry, Roots Manuva, Ike Turner, Martina Topley-Bird, De La Soul, entre outros - mantém-se e, embora diferentes, os Gorillaz triunfam num segundo excelente álbum.
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