sábado, 19 de dezembro de 2015

[Os melhores álbuns de 2005] 12º - Roisin Murphy - Ruby Blue



Ruby Blue, o disco de estreia de Roisin Murphy a solo, é também um dos mais surpreendentes do ano. Depois de quase uma década a criar hinos para as pistas de dança - hinos como este este -, Murphy baralha as expectativas e, com Matthew Herbert na produção, cria um som dançável, sim, mas também com resquícios jazz e neo-soul. É Herbert o responsável pela ponte entre os Moloko (chegou a remisturar "Sing it Back") e este projecto a solo que usa objectos do dia-a-dia e cuja principal inspiração terá sido. segundo a própria protagonista, Spearkerboxx/The Love Below dos Outkast. É um dos álbuns mais audazes do ano.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

[Os melhores álbuns de 2005] 13º - The Bravery - The Bravery


Na mesma semana de novo álbum dos New Order, a estreia dos Bravery, eles que curiosamente pegam em alguns dos ensinamentos da banda de Manchester. Também envolveram-se numa guerra de palavras com os Killers - outros obreiros dessa causa que é o revivalismo 80s, com canções recheadas a sintetizadores e um vocalista cuja voz se confunde facilmente com a de Robert Smith dos Cure. Depois disto, tantos os Bravery como os New Order, por motivos distintos, haveriam de cair no esquecimento. 

[Os melhores álbuns de 2005] 14º- Clap Your Hands and Say Yeah - Clap Your Hands and Say Yeah


Há hoje uma certa nostalgia em relação ao tempo do Myspace e dos blogs, em que bandas como os Clap Your Hands and Say Yeah (CYHASY) já o eram antes de o ser. É natural: já não existe aquela ideia de que tu, comum mortal, podes encontrar a próxima grande cena, pois, entretanto, as centenas de webzines dedicadas à música independente (?) já o fizeram. Este disco homónimo acaba por confirmar o que os mais atentos vaticinavam, uma auspiciosa estreia. A voz quase imperceptível, mas com alguns (vários) pontos de contacto com a de Thom Yorke valeram-lhes algumas comparações aos Radiohead, outros apontavam os Joy Division, outros ainda os Flaming Lips. A verdade é que as comparações não foram consensuais, ou não fosse CYHASY um álbum com voz própria. O facto de não termos tido direito a réplicas - do 2º disco quase não reza a história - levou-os a que 2015 tenha previsto uma assinalável celebração - reedição e digressão incluídas. Celebremos então.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

[Os melhores álbuns de 2005] 15º- Magic Numbers - Magic Numbers


Enquanto muitos repescavam ideias do rock do início dos 80s, bandas como os Thrills, os Clientele e estes Magic Numbers procuravam escrever a canção perfeita. As duas primeiras chegaram muito perto nas belas, magníficas colecções de canções que ambas editaram em 2003. Agora, em 2005, é a vez dos Magic Numbers. Também é rock, também é saudosista, sim, mas torna-se refrescante por negar todos os caminhos que toda uma nova carruagem de bandas londrinas seguia na altura.

[Os melhores álbuns de 2005] 16º - Bloc Party - Silent Alarm


Janeiro de 2005. O termo hype ainda era muito (demasiado) usado para descrever aquelas bandas que com um single ou um EP prometiam ser a próxima grande cena. Foi assim que os Union, ou seja, os Bloc Party antes de serem os Bloc Party - foram promovidos à Premier League do rock britânico, à boleia de um EP cujo som, dizia-se, dançava entre os Strokes e os Gang of Four. E é aqui que Silent Alarm resolve-se: afasta-se do som dos Gang of Four e, mesmo não oferecendo nada de novo, apresentam um som singular, com os mais variados truques de produção (Radiohead) e o entusiasmo que não haveria de se repetir.

domingo, 13 de dezembro de 2015

[Os melhores álbuns de 2005] 17º - Kaiser Chiefs - Employment


Dois meses depois de Silent Alarm, nova folgorosa estreia num mercado britânico que tentava prolongar à força o momentum que a magnífica estreia dos Franz Ferdinand havia encetado cerca de 12 meses antes. O revivalismo pós-punk a produzir bandas como cogumelos e a imprensa britânica sob os comandos do New Musical Express com hype atrás de hype numa altura em que o termo ainda fazia sentido. A estreia dos Kaiser Chiefs é bem simpática, mas foi elevada a um estatuto que não é o seu. Foi um dos álbuns do ano para muito boa publicação que quis ver aqui os sucessores de uns Blur que estavam à beira do hiato que se prolongou até esta década. A verdade é que, mais quatro álbuns depois, os Kaiser Chiefs são encarados como a banda de um carismático Ricky Wilson que virou jurado de um talent show, o The Voice, que o alcunha de Mr. Puppy Dog Eyes.

[Os melhores álbuns de 2005] 18º - Franz Ferdinand - You Could Have It So Much Better


Ah, o difícil segundo álbum, a pressão imensa de ter de estar à altura da estreia - os Bravery e os Kaiser Chiefs, só para citar dois exemplo contemporâneos, haveriam de se espalhar mais tarde, mas os Franz Ferdinand não, desafiando convenções e convicções atiram-se de imediato ao 2º disco e despacham a conversa do antes é que eles eram bons. Não, em You Could Have It So Much Better eles são igualmente bons, igualmente entusiasmantes, dando mesmo a ideia que era fácil e a melhor banda pop britânica do novo século. Mais tarde, com as inevitáveis mudanças, haveriam de sofrer como os outros, mas até aqui, tudo era imaculado.

sábado, 12 de dezembro de 2015

[Os melhores álbuns de 2005] 19º - The Game - The Documentary


Na longa lista de mártires do hip hop não constam os nomes de 50 Cent e The Game. Ambos foram brutalmente alvejados antes de se lançarem como apostas pessoais de Dr. Dre. Afinal de contas, uma boa história é também uma excelente ferramenta de marketing. The Documentary, muito pessoal álbum de estreia, o rapper menciona vários clássicos do hip hop. De cabeça: Ready to Die de B.I.G., Reasonable Doubt de Jay-z, Doggy Style de Snoop Dogg, Death Certificate de Ice Cube, Illmatic de Nas e, claro, The Chronic de Dr. Dre - produtor, mentor e padrinho. Está na noção do legado hip hop e da vontade de criar algo que garanta o estatuto de clássico uma das grandes forças de The Documentary. O resto está numa criteriosa escolha de colaborações e produtores que vão de 50 Cent a Kanye West, passando por Timbaland, Eminem ou Just Blaze.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

[Os melhores álbuns de 2005] 20º - My Morning Jacket - Z



O que fazer depois de uma obra-prima de 75 minutos, o magnífico It Still Moves? Logo à 1ª faixa, "Wordless Chorus", os My Morning Jacket mostram que colocaram o pé no travão e, à medida que o registo avança, vão acelerando devagarinho até chegar a canções de 6/7 minutos, já na 2ª parte do disco. Não é que a ambição dos My Morning Jacket seja proporcional à duração das canções, mas a banda torna-se naturalmente maior quando se alonga. Jim James, que quase tudo parece conseguir fazer, carrega um mundo de emoções que nunca se desmorona, mesmo em momentos como "Gideon", em que o vocalista torna a canção num single óbvio e magnífico single. Z prova os My Morning Jacket como uma das certezas do rock norte-americano do novo milénio. Mostram-se triunfantes em qualquer registo. Ainda hoje é assim.

[Os melhores álbuns de 2005] 21º - The Decemberists - Picaresque


Em tempos de aclamação de Funeral dos Arcade Fire, os Decemberists avançavam com o sucessor do muito aclamado Her Majesty the Decemberists. Curiosamente, e mantendo os paralelismos com o grupo canadiano, Picaresque foi, à imagem de Neon Bible (de 2007), gravado numa antiga igreja com Chris Walla dos Death Cab For Cutie. É o álbum que prova o culto da banda de Colin Meloy: na sequência do roubo da carrinha em que se encontravam os instrumentos da banda, os fãs doaram os oito mil dólares - isto numa altura em que ainda não existiam kickstarters ou crowdfunders. Mais provas de que os Decemberists podem ter estado bem à frente do seu tempo: o vídeo de "Sixteen Military Wives" foi distribuido via BitTorrent bem antes de Thom Yorke se lembrar de o fazer. No título às letras, Picaresque é um tratado com a literatura, coisa que lhes valeu algumas acusações de presunção. Não muitas, felizmente.