Quatro é o último disco dos Los Hermanos e, voltando a ele, é difícil perceber o porquê de terem sido uma banda polarizadora: não se ama ou odeia Los Hermanos, só se ama. Porque eram bons. Muito bons. Resultavam de duas personalidades distintas, mas igualmente talentosas: Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante, o primeiro mais preocupado com as melodias, o segundo mais dedicado às letras. E, olhando para as discografias pós-Los Hermanos, podemos concluir que Camelo tinha as ideias mais arrumadas. Sou, de 2008, ditou o caminho que haveria de seguir até hoje, à Banda do Mar. Rodrigo Amarante tentou o inglês dos esquecidos Little Joy, algo estranho para quem compõe tão bem em português, e só em 2013 se voltou a notabilizar com o fenómeno "Youtubiano" Cavalo. Quatro será o disco mais intimista da banda, bandeira da Nova MBP. Mas não vale a pena colá-los ao que os originais fizeram nos anos 60 e 70. O que Los Hermanos fizeram foi especial, independentemente da inspiração de mestres como Chico ou Caetano.
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
[Semana 26-10-05] Arab Strap editam "The Last Romance"
A um nível temporal, os Arab Strap são um hino a este blog: duraram precisamente dez anos. Este The Last Romance tem título premonitório e seria de facto o canto do cisne dos escoceses. Terminaram numa altura em que a cena local voltava a estar nas bocas do mundo via Franz Ferdinand. E, pegando numa referência da banda de Alex Kapranos, o duo composto por Aidan Moffat e Malcolm Middleton reclamava: "Take Me Out". Deixem-me fora, da cena, do hype, da moda. Meses antes da edição, os dois Arab Strap já revelavam desentendimentos: Malcolm queria um disco mais negro, Moffat preferia-o visceral. O segundo acabou por ganhar, mas, com o desentendimento e apesar dos bons resultados deste disco, a música ficaria a perder com o fim da banda. Estas canções continuam a descrever relacionamentos falhados, de um modo cáustico. A diferença é o próprio Moffat que a nota: "é um pouco mais acelerado, mas continua a lidar com o lado negro das relações. É como o lado negro da série Star Wars - mais rápido e mais sedutor."
sábado, 31 de outubro de 2015
O que aconteceu na semana de 26-10-2005?
Notícias:
- Os MTV EMAs acontecem pela 1ª vez em Lisboa.
- Antony And The Johnsons actuam no Coliseu dos Recreios, Seu Jorge na Aula Manga e Steve Vai na Casa da Música.
- Boss AC estreia o vídeo de "Hip Hop (Sou Eu e És Tu)" na PlayStation. Podia ser encontrado no menu de opções da Playstation Portátil, da Sony.
- Green Day levam os 9 minutos de "Jesus of Suburbia" ao Top of the Pops, tornando-se esta a actuação mais longa da história do programa.
- Ryan Adams actua no Late Show with David Letterman.
- Bob Geldof é nomeado Nobel Man Of Peace 2005.
Disco da Semana:
Wolfmother - Wolfmother
Está longe de ser uma pedrada no charco, a estreia dos Wolfmother, mas não deixa de ser um dos melhores discos rock de 2005. O potencial radiofónico de Wolfmother prometia-lhes arenas cheias, não fosse o power trio desentender-se demasiado depressa. Riffs cantaroláveis e melodias redondas que resultavam em canções pop (sim, pop) claramente influenciadas por monstros como Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath e até, de forma, arriscamos, involuntária, White Stripes. Enquanto os Darkness prometiam o melhor disco de hardrock dos últimos muitos anos, os Wolfmother lembravam-nos que a Austrália, de tempos a tempos, oferece-nos uma belíssima banda de rock' n' roll sem espinhas - AC/DC e Tame Impala à cabeça. E a verdade é que os Wolfmother parecem ter vindo de uma máquina do passado, pois ninguém faz um disco assim sem ter perfeita noção que não se pode divorciar das suas influências.
Outras Edições:
Rammstein - Rosenrot
Carlos Santana - All That I Am
Slipknot - 9.0: Live
Blink 182 - Greatest Hits
Sun Kil Moon - Tiny Cities
Deep Purpke - Rapture of the Deep
Citações com dez anos:
- “Decidi tentar o celibato, pois ouvi dizer que ajuda na meditação e tentei a meditação porque disseram-me que ajudaria com a música." (Rivers Cuomo, líder dos Weezer)
- "Será a preto e branco e um pouco estranho, o que de certa forma é normal acontecer nos meus vídeos. Terá também um toque Série B." (Anton Corbijn, sobre o vídeo de "Talk", realizado para os Coldplay)
- "Se formos os Kaiser Chiefs do próximo ano, desisto [dos Arctic Monkeys]. Suponho que tenham vendido imensos discos, mas não gosto deles. São um bocado chatos." (Alex Turner)
- "A fama é um grande mito da nossa sociedade. Quase parece uma coisa em que tens que crer [para te sentires bem]. É como creres que vai para o paraíso, como dizeres para ti mesmo: "sou famoso, tudo vai ficar bem". (Jarvis Cocker)
- "As letras têm um toque romântico." (Marilyn Manson, anunciando um novo álbum, "The Golden Age Of Grotesque")
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[Semana 19-10-05] Danger Doom editam "The Mouse and the Mask"
MF Doom vinha coleccionando alteregos, Viktor Vaugh, em 2003, o(s) magnifico(s) Madvillainy, partilhado com Madlib, em 2004, e, como MF Doom, MM...Food, álbum conceptual sobre... Comida. Danger Mouse chegava com Guetto Pop Life, álbum de estreia de 2003, e o polémico/seminal The Grey Album, importantíssimo na forma como levantou a discussão dos direitos de autor. Já em 2005 haveria de produzir Demon Days dos Gorillaz - "castigo" aplicado pela EMI para fazer esquecer a "cowboyada" de The Grey Album. Danger Doom, portanto, registo quase 100 por cento inspirado em cartoons do canal televisivo Adult Swim. Danger Mouse como especialista em música de e para bonecada. The Mouse and the Mask é uma viagem psicadélica que, como de costume no trabalho de Doom, está carregada de referências e das temáticas favoritas do rapper: cinema, séries de TV (óbvio) e comics. As colaborações, à parte de Ghostface Killah, pouco acrescentam e é certo que o disco sobreviveria perfeitamente sem elas.
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
[Semana 19-10-05] Kiss Me Deadly edita "Misty Medley"
Não é claro o porquê dos Kiss Me Deadly (homenagem a um livro/filme noir de 1955) não terem sobrevivido. Hipótese: honestidade, é esta a palavra que descreve a banda de Misty Medley, a entusiasmante estreia da banda de Montreal. A mesma honestidade que se começa a revelar no nome do disco para se espelhar nos títulos das canções - "groove", "pop", "ballads" ou a série de quatro "dances" - e na forma óbvia como coloca as referências, com os U2 à cabeça. Um discos de guitarras, sim, mas a apontar para a anca - chegaram a ser catalogados de pós-rock, mas o selo assusta mais do que cola. Regressemos ao início deste texto, ao porquê de não terem sobrevivido, à honestidade: é que o filme a quem "roubam" o título acaba de forma dramática. Fica a obra.
sábado, 24 de outubro de 2015
O que aconteceu na semana de 19-10-2005?
Notícias:
- "I Bet You Look Good On The Dancefloor" chega ao nº 1 do TOP de singles britânico.
- The Mission actuam Garage, em Lisboa, e no Hard Club, no Porto.
- "Playing the Angel" dos Depeche Mode destrona "D'zrt" dos D'zrt, da 1º lugar do Top de discos.
- Stevie Wonder actua no Ellen DeGeneres.
Vashti Bunyan - Lookaftering
A grande diferença de Just Another Diamond Day, de 69, para este Lookaftering, de 2005, estará na experiência, na vida de Vashti Bunyan, e não tanto nas canções. A voz não envelheceu significativamente, as canções não mudaram, as histórias sim, são de uma mulher vivida. A história, bonita: disco editado no final da década de 60 que não vendeu, mas, no início da primeira década do século XXI, atingiu um estatuto de culto junto da afamada freak-folk, de Devendra Banhart a Joanna Newsom, passando pelos Animal Collective. São canções de uma folk sem tempo, que poderiam ser editadas hoje, há dez ou há 46 anos. Uma bonita história, a da calejada Vashti Bunyan.
Outras Edições:
Mesa - VItamina
David Fonseca - Our Heart Will Beat as One
Robbie Williams - Intensive Care
Lightning Bolt - Hypermagic Mountain
We Are Scientists - With Love and Squalor
Outras Edições:
Mesa - VItamina
David Fonseca - Our Heart Will Beat as One
Robbie Williams - Intensive Care
Lightning Bolt - Hypermagic Mountain
We Are Scientists - With Love and Squalor
DJ Muggs Vs. GZA - Grandmasters
The Fiery Furnaces - Rehearsing My Choir
The Fiery Furnaces - Rehearsing My Choir
Citações com dez anos:
- "Tive que enviar o meu mensageiro até Estocolmo, com uma carta e a canção, implorando-lhes e referindo o quanto venero a sua música." (Madonna, referindo-se ao sample de "Gimme, Gimme, Gimme" dos Abba)
- "Acho que [antes de um novo álbum] vamos editar um EP, algures no final deste ano." (Damon Albarn, sobre o futuro dos Blur)
- "O mais absurdo é que não é nada do que eles dizem ser. A canção não é sobre Isaac Luria. Não sei nada sobre Isaac Luria, nunca poderia escrever sobre ele. Chama-se "Isaac" porque o homem que a canta chama-se "Isaac". (Madonna e a polémica relativa à canção "Isaac")
- "Chegámos ao fim de duas semanas de sessões [de gravação]. É tudo uma bosta, vamos separar-nos. Estamos ultrapassados, acabados. Estou a brincar, claro. Foi divertido." (Thom Yorke)
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sábado, 17 de outubro de 2015
[Semana 12-10-05] Fiona Apple edita "Extraordinary Machine"
Fazer sair Extraordinary Machine sair foi um cabo dos trabalhos. Fiona Apple não editava há meia dúzia de anos e até aqui zero surpresas pois, mais ano menos ano, esta é a regularidade com que nos oferece um disco. A novela centra-se nos últimos três, primeiro com Jon Brion, produtor do anterior registo, o do título imenso, de 444 caracteres. A editora terá rejeitado por não ser suficientemente comercial, a mais velha história de todas. Decidiu-se regravar tudo com o produtor Mike Elizondo, escolha surpreendente pois era conhecido pela sua colaboração com Dr. Dre e sus muchachos Eminem ("Just Lose It") e 50 Cent ("In Da Club"). Não podemos comparar as duas versões porque não ouvimos a primeira, mas diz quem ouviu tudo vezes sem conta que esta última, a definitiva, soa muito melhor. Enredos novelescos à parte, Extraordinary Machine é um disco de voz e piano com vários apontamentos jazz. Nada de novo, portanto, relativamente aquilo que já ouvimos há década, não fosse toda a idiossincrasia inerente Apple, personagem sui generis, que na altura se separava de Paul Thomas Anderson, seguramente inspiração para algumas das letras que aqui escutamos.
O que aconteceu na semana de 12-10-2005?
Notícias:
- Apple apresenta o iPod Video. Na apresentação, Steve Jobs refere que, desde 2001, tinham sido vendidos mais de 28 milhão de iPods.
- The White Stripes visitam programa "Charlie Rose".
- Franz Ferdinand actuam no Saturday Night Live e acabam a despedir-se com Catherine Zeta-Jones.
- Natalie Imbruglia actua no Freeport Alcochete, com Hands on Approach na 1ª parte, os Animal Collective em Coimbra, no Via Club, no Porto, na Casa da Música, e em Lisboa, no Cacilheiro, e Mark Eitzel no Santiago Alquimista.
- Jim O'Rourke deixa os Sonic Youth.
- Jota Quest e Xutos & Pontapés são as 1ªs confirmações do Rock in Rio Lisboa 2006.
Álbum da Semana:
Animal Collective - Feels
Até Feels. os Animal Collective iam sendo (in)variavelmente ligados à freak-folk - percebe-se a associação - não beliscável espirito hippie de uma folk com samples de elementos da natureza, por exemplo, pautavam os discos anteriores. O 7º álbum da banda de Panda Bear, Avey Tare, Geologist e Deakin é mais acessível que os anteriores, mas mantém uma personalidade indomável e de auto-sabotagem da canção pop, com variados elementos dos 60s - do psicadelismo inerente às inegáveis harmonias Beach Boyanas. Estava encetada a caminhada para uma década em que se tornariam numa das mais influentes bandas do mundo.
Outras edições:
Depeche Mode - Playing the Angel
Sun O))) - Black One
Stevie Wonder - A Time To Love
Boards of Canada - The Campfire Headphase
Ashlee Simpson - I Am Me
Silver Jews - Tanglewood Numbers
Citações com dez anos:
- “Os Queens of the Stone Age fizeram equipa com o incrível cérebro de Liam Lynch para o vídeo de "Burn The Witch", uma coisa meio amadora mesmo a tempo do Halloween." (Josh Homme)
- "Acabámos de fechar a 1ª fase Coldplay e temos tudo a provar. Vamos entrar na 2ª fase, que pode ser a nossa fase ABBA ou travesti... Quem sabe?" (Chris Martin)
- "[O vídeo] não vai passar na MTV porque [tem nudez e] é controverso, mas será certamente inovador." (Julian Casablancas)
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quarta-feira, 14 de outubro de 2015
[Jukebox de há dez anos] Miguel Ângelo
As canções mais importantes de 2005 para Miguel Ângelo:
Oasis - The Importance of Being Idle
Sufjan Stevens - Chicago
LCD Soundsystem - Daft Punk Is Playing at My House
The Clientele - Since K Got Over Me
Babyshambles - Fuck Forever
The Rakes - 22 Grand Job
The Magic Numbers - Forever Lost
Kaiser Chiefs - Everyday I love You Less and Less
Paul McCartney - Riding to Vanity Fair
Richard Hawley - The Ocean
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domingo, 11 de outubro de 2015
O que aconteceu na semana de 05-10-2005?
Notícias:
- Panda Bear actua no Lux Frágil.
- Acontece a 3ª edição do Barreiro Rocks.
- System of a Down confirmam actuação nos MTV EMA Lisboa.
- Black Rebel Motorcycle Club apresentam "Howl" no Late Night With David Letterman.
- The Killers actuam no The Tonight Show With Jay Leno.
Disco da Semana:
Deerhoof - The Runners Four
Sete discos noutros tantos anos e, por fim, os Deerhoof são uma banda de canções pop. Não deixam de praticar a auto-sabotagem, mas estas canções são mesmo a sério. The Runners Four são duas dezenas de canções curtas, mas que ocupam o dobro da duração dos registos anteriores. Muitas canções não têm um arranque ou um final óbvio, lembrando material dos Guided By Voices, mas é dos Sonic Youth que temos como referência ao longo de um dos mais desafiantes discos de guitarras do ano.
Outras edições:
Alicia Keys - Unplugged
Cardigans - Super Extra Gravity
Fiona Apple - Extraordinary Machine
Warren G - In the Mid-Nite Hour
t.A.T.u. - Dangerous and Moving
Paul Weller - As is Now
Sugababes - Taller in More Ways
Ricky Martin - Life
Citações com dez anos:
- “Tenho muitas canções que muita gente gosta e outras que só eu gosto. Este álbum, claro, é para a "muita gente." (Eminem, sobre o "Greatest Hits");
- Acho que alguns dos elementos da banda estão com muita vontade de criar um novo álbum e outros estão receosos pois não querem lixar o nosso legado". (Black Francis, sobre os Pixies);
- "Todos gostamos dos The Killers e adoramos tocar a "Mr. Brightside"." (Comunicado dos McFly, defendendo a escolha do tema para b-side);
- "Não acho que saiba cantar ou rimar." (Pharrell Williams)
- “Trabalhei numa nova psicologia em que, ao invés de debater algo [com o Liam] e acabar numa discussão, consigo fazê-lo tomar decisões que ele julga serem dele. Agora, anda cheio de medo de mim." (Noel Gallagher)
- "Acho que ninguém está à espera de outra "Somebody Told Me" no novo álbum. Mas quem sabe? Ainda não está acabado." (Ronnie Vannucci, baterista dos The Killers)
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