Registo conceptual: canções que são retratos musicais de importantes figuras gay, tanto a um nível histórico como cultural. O 5º disco dos dois Matmos é aquilo que promete e percebemos isto logo pelos títulos das canções que têm nomes das referidas personalidades escarrapachados: DJs, escritores, filósofos, cineastas e até feministas que tentaram assassina Andy Warhol. Simplificando: é um disco de dança com muitos géneros lá dentro.
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sábado, 7 de maio de 2016
[Semana 02-05-06] Scott Walker edita "The Drift"
Scott Walker em 2006, um acontecimento, certo? Certo. O último álbum datava de 95, o anterior de 84 e o anterior a esse era de 74. Paradoxalmente, ao longo dos últimos anos, Walker tem-se revelado mais inspirado do que a partir do ano da Revolução de Abril. Não que o 25 de Abril alguma vez lhe tenha dito alguma coisa, mas é uma ponte interessante para o que se passa neste The Drift. E, entre muitas outras coisas, o que se passa neste The Drift é a guerra. Enquanto tema. Seja a II Mundial ou a mais recente contra o terrorismo (o 9/11). Claro que o ambiente é pesado, por vezes arrepiante. É um daqueles álbuns que fica bem dizer que gera mais perguntas que respostas. Até porque é verdade. Soa a uma dramatização de um álbum que Scott Walter terá desenhado em primeira instância.
domingo, 31 de janeiro de 2016
[Semana 25-01-06] East River Pipe edita "What Are You On?"
Ao contrário do que se vai fazendo crer nos dias de hoje, os artistas de quarto já existem desde os anos 60, quando Brian Wilson se terá trancada num estúdio caseiro para gravar uma trilogia de discos dos Beach Boys. Isto para referir que, quando o New York Times escreve que Fred Cornogs é "o Brian Wilson da gravação caseira", a afirmação soa redundante. Em 2006, East River Pipe, o projecto, assinalava já os 17 anos, décadas de droga e álcool. E é esse o tema central do disco: as drogas. Tudo de forma honesta e sem grande subterfúgios. E com óptimas melodias.
domingo, 28 de junho de 2015
[Semana 22-06-05] The Magic Numbers editam "The Magic Numbers"
Enquanto muitos repescavam ideias do rock do início dos 80s, bandas como os Thrills, os Clientele e estes Magic Numbers procuravam escrever a canção perfeita. As duas primeiras chegaram muito perto nas belas, magníficas colecções de canções que ambas editaram em 2003. Agora, em 2005, é a vez dos Magic Numbers. Também é rock, também é saudosista, sim, mas torna-se refrescante por negar todos os caminhos que toda uma nova carruagem de bandas londrinas seguia na altura.
sexta-feira, 26 de junho de 2015
[Semana 22-06-05] Cloud Cult editam "Advice From the Happy Hippopotamus"
A capa de Advice From the Happy Hippopotamus podia ser dos The Presidents of the United States, mas o que se ouve pouco tem a ver com punk rock, ainda que a pluralidade de géneros seja a característica mais gritante do 6º álbum dos Cloud Cult - hip hop, psicadelismo, freak folk, spoken word, pós-rock, música de dança. É um delírio, um de 25 canções e mais de uma hora de duração. É difícil encontrar paralelismos, e, embora a imprensa tenha referido Odelay de Beck - provavelmente, devido à quantidade de samples e ao shuffle constante a que vamos assistindo -, Advice From... passa mais pelos delirios dos Of Montreal.
domingo, 3 de maio de 2015
[Semana 27-04-05] Nine Inch Nails editam "With Teeth"
With Teeth foi "vendido" como o grande regresso de Trent Reznor à boa forma do clássico The Downward Spiral, já de 1994. Sucede o duplo The Fragile, já de 1999, e o silêncio (está mais do que documentado) deveu-se a problemas com álcool e drogas. Motivos mais do que suficientes para o álbum vendesse quase 300 mil cópias na primeira semana. Trent Reznor, atento às boas novas do mercado, haveria também de potenciar este regresso através de novas plataformas digitais: disponibilizou, por exemplo, o primeiro single, "The Hand That Feeds" no site oficial, de modo a que pudesse ser manipulada por um programa da Apple, o Garageband. O material, esse, é brutal, paranóico, negro. Se a ideia é mostrar o regresso à forma de The Downward Spiral, o sucesso é relativo. Se o objectivo seria provar que estava vivo, missão cumprida.
domingo, 19 de abril de 2015
[Semana 13-04-05] Vitalic edita "OK Cowboy" e Caribou edita "The Milk of Human Kindness"
Dois contemporâneos, autores de dois dos discos de música de dança mais importantes do ano. Um, Vitalic, cujo B.I. aponta para a nacionalidade francesa, o que é dizer muito, o outro, Caribou, canadiano que, para evitar os tribunais tinha acabado de mudar para o nome com que hoje é bem conhecido.
A estreia do primeiro vem na sombra do que uma certa dupla conterrânea tinha acabado de editar - Human After All, essa bomba que os Daft Punk tinham acabado de soltar era-o tanto a nível comercial, com vários êxitos das pistas de dança, como junto da crítica, que basicamente o destruiu. O álbum sucede um EP e celebrados sets de DJ e é pedra basilar do electroclash e é bem provável que tenha sido uma das grande influências da estreia dos Justice, dois anos depois.
Caribou rouba o título de The Milk of Human Kindness a Shakespeare, mas não terá tido essa intenção quando baptizou o seu projecto a solo de Manitoba - Richard "Handsome Dick" Manitoba assim não terá pensado assim e obrigou-o a mudar para este Caribou que hoje anima playlists radiofónicas mundo fora. Ao terceiro álbum, Caribou ainda não era o Caribou que é hoje, notava-se a declarada admiração pelos Animal Collective num álbum entre psicadélico, mas com tangentes ao hip hop e à folk e que privilegia em muito a percussão. Contas feitas, muitos poucos se lembrarão de Vitalic, mas Caribou faz parte do dia-a-dia de muito boa gente.
domingo, 12 de abril de 2015
[Semana 06-04-05] The National editam "Alligator"
O verdadeiro culto começa aqui, com este Alligator - muitas destas canções (duas, vá, "Abel" e "Mr. November", sendo que esta última continua a anunciar um apoteótico final) continuam a ser das mais celebradas em concertos. As comparações com os Tindersticks e Joy Division ainda se faziam sentir, a bateria de Bryan Devendorf começava a destacar-se (nota-se de forma particular em "Friend of Mine") e as letras eram já regadas a vinho e desilusões amorosas. Um álbum editado por uma editora europeia e que, paradoxalmente, debruça-se sobre a América.
segunda-feira, 6 de abril de 2015
[Semana 30-03-05] Architecture in Helsinki editam "In Case We Die"
O segundo álbum dos australianos Architecture in Helsinki só não é mais surpreendente porque os Fiery Furnaces tinham largado esse belo Blueberry Boat e os Arcade Fire acabavam de editar uma obra-prima - tudo numa questão de meses. In Case We Die envereda por todas as direcções possíveis, o que resulta em algo que pode ser considerado caótico e imberbe, inocente e entusiasmante. Mas, ao contrário dos álbuns acima citados, nesta altura, o octeto australiano não se levava muito a sério. E ainda bem.
sábado, 4 de abril de 2015
[Semana 30-03-05] Okkervil River editam "Black Sheep Boy"
A cover de "Black Sheep Boy", canção blues dos anos 60, da autoria de Tim Hardin, que inspira tudo o que se segue neste magnífico terceiro álbum dos Okkervil River, eles que se confundem com o vocalista e letrista Will Sheff. Quer isto dizer que tudo o que se passa em Black Sheep Boy tem a mão de Sheff que criou Black Sheep, uma criatura do fantástico que terá passado por muito tal como está retratado na capa do álbum. Inteligente nas letras, certeiro na música, Black Sheep Boy é mais um dos dignos representantes da ascensão da folk vivida na durante a primeira década dos anos 00.
quarta-feira, 1 de abril de 2015
[Semana 23-03-05] Beannie Sigel edita "The B. Coming"
The B. Coming tem tanto de magnífico como de surpreendente. O extremo cuidado da produção, o entusiasmo com que Beanie Sigel abraça cada canção e a verdade das letras. Sigel sabe do que fala, os problemas com a lei já tinha começado em 2002 quando foi detido por posse de armas. The B. Coming foi gravado entre as semanas em que foi considerado culpado de possa de arma e drogas e a sentença de um ano que acabou por cumprir. Um ano depois, já fora da prisão, haveria de ser atingido por vários disparos durante um assalto. Os problemas continuam, a obra fica. Esta é uma obra-prima - da criteriosa escolha dos produtores às quase 100 por cento certeiras colaborações vocais.
quinta-feira, 12 de março de 2015
[Semana 09-03-05] Daft Punk editam "Human After All"
Afinal os robots também sabem falhar. São humanos, diz-nos o título: Human After All. Em 2015, feitas as contas, o patinho feio da discografia da dupla francesa envelheceu bem e é tão incontornável como a restante discografia. O mito foi tão grande que muitos piratas chegaram a acreditar que o leak que colocou o disco nos sites de partilhas de ficheiros era fake. Haveríamos de pagar pelo erro - O castigo deu-nos oito anos sem Daft Punk, apesar da (essa sim) irrelevante banda sonora e de um registo ao vivo. Human After All é uma tremenda ironia que fez acreditar que os dois Daft Punk gravaram um disco em 16 dias e que, por isso, este som soa a 16 dias de gravação - crítica que, aliás, os White Stripes já tinham sido alvo com Elephant. Não soa a 16 dias de estúdio nem é um decalque dos trabalhos anteriores, como a maior parte sugeriu. Nem é uma manobra Dylanesca de auto-depreciação. É mesmo o mais singular trabalho da dupla, uma armadilha que todos pisaram.
sábado, 21 de fevereiro de 2015
[Semana 16-02-05] M. Ward edita "Radio Transistor" e Josh Rouse edita "Nashville"
Depois de Andrew Bird, M. Ward e Josh Rouse. Folk, a nova grande cena. Nos anos seguintes, M. Ward haveria de se juntar à estrela pop Zooey Deschanel nos She & Him e formar um super grupo do género com Jim James e Conor Oberst, os muito apropriadamente nomeados Monsters of Folk. Josh Rouse haveria de semi-desaparecer do mapa. Se os colocarmos em confronto directo, pese as diferenças, M. Ward safa-se bem melhor. Não que Nashville seja mau, é apenas um disco folk nada de especial com muito de Being There dos Wilco mas em pior e aqui e ali uns toques de Smiths. Transistor Radio já é de outro calibre, é o disco em que Ward mais denúncia a influência dos seus heróis, de forma óbvia em "Sweethearts on Parade", original de Louis Armstrong, e "You Still Believe Me", instrumental de um original dos Beach Boys, e de forma menos óbvia no fingerpicking à John Fahey ou nos apontamentos western. A partir daqui, assistiremos a uma queda do revivalismo pós-punk e à ascensão da folk americana.
sábado, 7 de fevereiro de 2015
[Semana 02-02-05] Andrew Bird edita "Andrew Bird & The Mysterious Production of Eggs"
É o sexto álbum, mas soa a primeiro. Até The Mysterious Production of Eggs, quase nove anos depois do debutante Music of Hair, Andrew Bird foi modelando uma identidade. Percebe-se que é aqui que a alcança e daí que, dez anos depois, pareça o primeiro. Até aqui, Bird andou pelo country e o bluegrass e, acima de tudo, pelo jazz, na companhia dos Bowl of Fire. O anterior Weather Systems já dava algumas pistas relativamente ao passo seguinte - assobiador profissional e mudança para um som folk - mas até aqui, a formação clássica parecia condicionar as composições e escolhas do músico. Ei-lo então diferente, em 2005, mais ambicioso e a fazer sombra a Rufus Wainright com um dos mais celebrados discos do ano. E a folk era a nova grande cena.
sábado, 31 de janeiro de 2015
[Semana 26-01-05] Antony and the Johnsons editam "I Am a Bird Now"
Podemos perder-nos em eventuais metáforas relativamente ao título e identidade do artista Antony Hegarty. "Sou um artista, um animista, transgénero, ateu e um mamífero", esclareceu em entrevista à Out, sete anos depois. Mas I Am a Bird Now não é apenas um enorme desabafo de Hegarty, é o disco mais emocional desde... bem, desde Funeral dos Arcade Fire, editado meses antes. Os vários convidados - alguns andróginos, todos singulares - Boy George, Lou Reed, Rufus Wainright e Devendra Banhart - dão uma ajuda numa obra que tem muito de poética e que se baseia essencialmente na voz e piano, quase jazz, muito Nina Simone. Se não choraram ao ouvi-lo são bem capazes de não ter coração.
sábado, 17 de janeiro de 2015
[Semana 12-01-05] The Game edita "The Documentary"
Na longa lista de mártires do hip hop não constam os nomes de 50 Cent e The Game. Ambos foram brutalmente alvejados antes de se lançarem como apostas pessoais de Dr. Dre. Afinal de contas, uma boa história é também uma excelente ferramenta de marketing. The Documentary, muito pessoal álbum de estreia, o rapper menciona vários clássicos do hip hop. De cabeça: Ready to Die de B.I.G., Reasonable Doubt de Jay-z, Doggy Style de Snoop Dogg, Death Certificate de Ice Cube, Illmatic de Nas e, claro, The Chronic de Dr. Dre - produtor, mentor e padrinho. Está na noção do legado hip hop e da vontade de criar algo que garanta o estatuto de clássico uma das grandes forças de The Documentary. O resto está numa criteriosa escolha de colaborações e produtores que vão de 50 Cent a Kanye West, passando por Timbaland, Eminem ou Just Blaze.
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sábado, 10 de janeiro de 2015
[Semana 05-01-05] Adam Green edita "Gemstones"
Para usar uma expressão mais do internetês: em 2005, Adam Green já tinha feito mais do que 90% das pessoas que vocês conhecem. Já tinha criado e enterrado os Moldy Peaches com Kimya Dawson e editado dois álbuns a solo. Este é o terceiro e o puto só contava 23 primaveras. Nota-se que cresceu num meio estimulante - a avó, por exemplo, terá estado noiva de Franz Kafka -, tal é o name dropping. Está nessa vontade de mostrar mais do que a a idade que está no cartão de identificação o seu principal sinal de imaturidade. É esse o paradoxos de Gemstones, para além de ser musicalmente irrelevante.
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
[Semana 10-11-04] Eminem edita "Encore"
É com Encore que Eminem dá início o período de declínio criativo que ainda hoje dura. Irónico, pois: um encore, se exceptuarmos um concerto de Eddie Vedder (com ou sem os Pearl Jam) tende a ser um fim. Em sua defesa podemos escrever que nem com os seus piores discos, os que não ligámos nenhuma, a dupla Relapse e Recovery, Eminem perdeu a relevância, principalmente se tivermos em conta a comercial.
Mas não é apenas a decadência criativa que Encore anuncia. Meses antes Kanye West tinha-se estreado com The College Dropout. O plano de domínio global começava a ganhar forma. As listas anuais davam conta da ascensão de um e o declínio de outro. Relembre-se: estamos ainda no âmbito criativo, Eminem ainda hoje quebra records e a Internet garantiu-lhe a frescura mediática que lhe tem faltado em estúdio.
Na altura, College Dropout tinha passado despercebido para grande parte do público de Eminem. Encore e How To Dismantle an Atomic Bomb dos U2 disputavam protagonismo e as apostas sucediam-se: qual dos dois blockbusters da reentrée "leakará" primeiro? Eminem ia dando nas vistas com o vídeo de "Just Lose It", os U2 chamavam atenções através de projetos como o Band Aid 20 e a gravação de uma nova versão de "Do They Know It's Christmas?". A polémica, o instrumento de propaganda favorito de Eminem, ele, sempre foi de alvos fáceis. Michael Jackson no vídeo de "Just Lose It", George W. Bush no de "Mosh" são os mais óbvios. Resultado: críticas em relação ao primeiro - Stevie Wonder chegou a dizer que "não se bate em alguém que já está no chão" - e problemas com a lei em relação ao segundo - em causa, a escolha das palavras: "Fuck money / I don't rap for dead presidents / I'd rather see the president dead / It's never been said, but I set precedents".
Encore é um rapper no topo do mundo, sem nada a provar. A falta de ideias deixaria-o cinco anos longe das edições.
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
[Semana 27-10-04] Death From Above 1979 editam "You're a Woman, I'm a Machine"
Bizarra a forma como os Death From Above 1979 deixam de existir quase anónimos após esta auspiciosa estreia e, meia-dúzia de anos depois regressam para uma celebrada digressão mundial que começou com o regresso-surpresa no South By Southwest. Num contexto, apesar dos Strokes e dos White Stripes - em que o rock pouco ou nada traz de novo, este som que é punk que é dançável que é suado acaba por soar fresco. Um baixo e uma bateria, um ritmo infernal que, ironicamente, não ficaria mal como carta fora do baralho (a par dos Rapture) na DFA de James Murphy, a mesma que obrigou Sebastien Grainger e Jesse F. Keeler a colar um ano, o último da década de 70, ao nome pensado a priori. Até a cowbell lá anda em "Sexy Results", a última das excelentes 11 canções de um excelente primeiro álbum.
terça-feira, 7 de outubro de 2014
[Semana 06-10-04] R.E.M. editam "Around the Sun"
Despachando a coisa rapidamente, Around the Sun é uma seca - o pior disco dos R.E.M. No meio de dez canções absolutamente dispensáveis, três que retemos (curiosamente ou não, as três primeiras): "Leaving New York" e "Electron Blue", razoáveis canções que entram no campeonato das canções a meio tempo em que a banda de Michael Stipe se foi especializando, e "The Outsiders" que convida Q-Tip, o rapper ex-A Tribe Called Quest, escabrosa tentativa de "modernidade", de adaptação ao século XXI, o século em que os R.E.M. deixaram de ser relevantes e, por fim, terminaram.
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